Conta de luz da Light vai subir 17,75% para residências – Folha de SP

Comentário: Que tal esses aumentos tarifários apenas em 2014?

Fonte: Jornal Folha de São Paulo.

É preciso explicar que essa história vem de longe:

  1. Com o racionamento em 2001, a carga brasileira se reduziu em 15% em relação à tendência anterior.
  2. Mesmo sob esse quadro inesperado, o governo manteve a descontratação das usinas da Eletrobrás e de outras empresas.
  3. Como a operação nada tem a ver com o mundo comercial, o preço no mercado livre se reduziu a R$ 4/MWh. Esse valor é uma exclusividade brasileira, não sendo observado em nenhum outro lugar do planeta.
  4. As geradoras hidroelétricas perderam contratos, mas permaneceram gerando e recebendo essa quantia irrisória.
  5. Isso criou um enorme incentivo para a migração para o mercado livre com a proliferação de contratos de curto prazo. Basta dizer que em menos de um ano o número de consumidores livres decuplicou. Em 12/2004 havia 36 consumidores livres e em 08/2005 esse número passava de 420.
  6. Apenas ao final de 2004, o governo realizou um leilão de energia existente com prazo de contratos de 8 anos.
  7. 70% da energia ofertada (cerca de 10.000 MW médios) se originaram de usinas da Eletrobrás que estava proibida de buscar outras demandas.
  8. Outras empresas não ofertaram energia, pois sabiam que se firmassem contratos sob esse cenário “congelariam” um baixo retorno. Exemplo: A Tractebel (antiga Eletrosul) ofertou apenas 10 MW médios.
  9. O preço médio alcançado foi de R$ 57,15/MWh que, corrigido pelo IGP-M, atinge, em dezembro de 2012 (final do contrato), R$ 87,53/MWh.
  10. Esse foi o preço determinado pelo leilão. Não foi uma escolha das empresas.
  11. Para termos de comparação, eis alguns valores de leilões de energia nova: Estreito: R$ 126,57/MWh, Foz do Chapecó: R$ 131,49/MWh, Serra do Facão: R$ 131,49, São Domingos: R$ 126,57/MWh. Em média, 50% mais caros do que os valores das usinas antigas.
  12. Pressionado pela indústria que, sem informar esse diferencial, culpava as usinas antigas pelo encarecimento da tarifa, o governo lança a MP579 que pretende antecipar o fim das concessões de 20% do parque e impor um custo de O&M como “tarifa” por usina.
  13. Nunca houve nenhuma manifestação do poder público sobre os reais preços de energia nova x velha.
  14. Coincidentemente, após o anúncio da MP579, os custos de operação do sistema dobraram com a mudança repentina no despacho térmico. Isso é o que está por trás dos aumentos tarifários descritos abaixo.
  15. Em janeiro de 2013, o governo deveria ter feito um leilão para substituir os contratos que findavam.
  16. Avaliando erradamente a adesão das empresas e avaliando erradamente o equilíbrio estrutural do sistema, o governo não faz o leilão substituto, o que deixou as distribuidoras descontratadas e expostas aos caros preços do mercado livre que nós vamos ter que pagar de qualquer jeito.
  17. Você diria que esse mesmo sistema já ofereceu 1 MWh, que custa hoje R$ 822, por R$ 4 em 2003 e por R$ 15 em 2011?

Como o custo já ultrapassa R$ 100 bilhões, o ILUMINA imagina que, se tal ocorresse em países com instituições mais sólidas, alguma responsabilização seria buscada. Mas, infelizmente, a nossa regulamentação ainda está longe de buscar essa justiça.

Outro ponto importante é que esse gasto extra não está sendo computado separadamente, portanto, mais impostos!

Vamos ver até onde chegamos.


DE BRASÏLIA

A partir de sábado (7) os consumidores da Light pagarão 17,75% mais caro pela energia elétrica. O reajuste foi autorizado nesta terça-feira (4) pela diretoria da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

De acordo com a reguladora, 3,7 milhões de unidades consumidoras (residências, escritórios e indústrias, por exemplo) serão afetadas pela alteração de preços em 31 municípios do Rio de Janeiro.

Os aumentos, porém, são diferentes para cada modalidade de consumo.

A indústria, consumidora de alta tensão, terá um aumento maior, de 19,46%. Já os consumidores de média tensão, como centros comerciais, terão preço da luz aumentado em 19,23%.

Todas as mudanças começam a ser aplicadas a partir do fim de semana.

O aumento concedido à empresa de distribuição foi justificado pelo elevado custo que a Light teve, no último ano, para comprar energia, além dos gastos maiores para pagar a transmissão e os encargos setoriais.

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9 respostas

  1. Enquanto persistir essa tríade do setor elétrico formado pela EPE, ANEEL e ONS, o gerenciamento do setor elétrico brasileiro estará sempre em estado de alerta, pois essas instituições infelizmente não honram com as funções que lhe são atribuídas. Lamentavelmente, fala-se muito que governo fez isso e aquilo, o próprio ILUMINA, por diversas vezes somente trata da figura governo, esquece ou não chega ser explicito com os órgãos acima que são os responsáveis diretos pelo bom funcionamento do setor, porém parecer que existe uma blindagem virtual que não se questiona os dirigentes desses órgãos. Se for para discutir em profundidade os problemas do setor, vamos à raiz dos problemas, essas instituições devem ser reformuladas com foco a política do serviço pelo custo e não a serviço do Deus Mercado, o resto é conversa fiada!

  2. Realmente conhecemos bem as pessoas. Se deram bem no ditadura militar, foram até superintendentes de grandes estatais. Como não leem historia nem sabem o que é o facismo. O facismo foi fruto da esquerda em nome do povo contra os ricos que áquela época eram os judeus na Alemanhã. Aliás onde houve as maiores rupturas da sociedade foram e são em paises de esquerda atrasada. Mas cada um tem a sua conficção politica. A pior delas é da Mentira.

    1. Gostaria de pedir aos comentaristas das notícias que se restrinjam à aspectos técnicos da questão. O ILUMINA está fazendo um grande esforço para que suas teses sejam pelo menos consideradas. A politização, independente de que lado esteja, só dificultaria essa intenção. Os comentários foram publicados em respeito à história de cada um, mas é preciso ,que nesse momento, que pode ser a véspera do segundo racionamento em pouco mais de 10 anos, o ILUMINA receba apoio e ajuda.
      Em nome do Instituto, agradeço a compreensão.

      1. Roberto. Estou de acordo contigo. Peço desculpas. Mas como sou de uma familia judia e sou um judeu, não posso deixar passar desapercebido quando falam de facismo. E Voce tem razão estamos num eminente estado de racionamento e não interessa o passado, temos que ver quais as soluçoes para o futuro. Desculpas ao Renatinho e Olavo.

  3. Como tem dito o Roberto e, nessa polêmica, reiterado pelo Renato Queiroz, o gene mutante acontecido no momento do modelo mercantil da privataria , parece ser uma inexorável mutação . Alguns até são levados a um fatalismo trágico indigente sobre a definitiva necessidade de abandonarmos novos reservatórios de acumulação plurianual ( e ainda poderiam acontecer!) . Ou cascatas de reservatorios elevando o fator de capacidade do conjunto. Sem medo das ONG’s internacionais.

    O que fica é a teimosia da ministra de minas e energia em 2003, abandonando o documento de campanha do PT e defenestrando quadros capazes do setor. Optando por um mestre oportunista na EPE. Contemporizando com os auto denominados “agentes”.

    Quanto ao fato de pai analfabeto ter tido descendente capaz, não vejo esse argumento como pertinente na polêmica.

    O que vejo é uma tendência tucana. Um direito é claro. Mas quem diria que os tucanos teriam a ousadia e a cara de pau em manter o nome do partido como “da social democracia brasileira”.

    A direita real com vies fascista apesar de se considerarem alegres liberais.

  4. Voces teimam em reelembrar o racionamento de 2001. Esse não tem nada a ver com os preços praticados hoje. Basta comparar a inflação com o aumento da tarifas no governo petista. E hoje não tem racionamento, ainda, devido a contratação das termicas àquela época. O problema de hoje, é simplesmente de puras maldades que fizeram com o setor elétrico, em função de politicas erroneas do governo que esta aí. Mas como o povo endossou. Que venham novos aumentos.

    1. Chiganer:
      Peço licença para discordar. O racionamento provocou uma queda na carga de 15%. É como se o mercado tivesse recuado 3 anos no mínimo. Com o bizarro modelo brasileiro, e mais as escolhas suicidas do governo, isso causou uma enorme fuga para o mercado livre que se lambuzava de energia gratúita às custas de prejuízos para a Eletrobras, que era obrigada a liquidar energia FIRME por R$ 4,00/MWh. Ora, com um preço desses o mercado surfa no curto prazo. Grande parte dos contratos passaram a ser de no máximo 1 ano. Em 2004 os leilões sinalizaram um preço muito baixo também. O governo achou que findo esse contrato, esses níveis de preço poderiam se repetir. Ledo engano. Não fosse o recuo do mercado iniciado no racionamento, os preços e a festa do mercado livre seriam bem diferentes.

      1. Roberto, em 2001, tinhamos 15% do mercado livre, ou seja, o valor do recuo do mercado. Além disso, o novo modelo teve inicio em 2004. Ou seja, foi feito um novo modelo no novo governo. Agora se o novo modelo não resolveu também o problema, ai são outros tantos. Ora, não é por meu pai ter sido analfabeto que Euzinho não estudei. Grande abraço Chiganer.

        1. Prezados amigos Roberto e Chiganer permitam-me entrar nesta polêmica. Não houve novo modelo a partir de 2004. O que houve foram ajustes no modelo de mercado anterior mal idealizado. Ajustes que até melhoram o funcionamento por alguns anos. Mas o erro é de concepção . A genética é igual. Simula sob um alto custo um falso sistema de concorrência de um bem publico que é a energia -sobretudo em um país cheio de necessidades -e um sistema hidrelétrico integrado. No modelo inglês que os consultores estrangeiros a preço de ouro implantaram no Brasil (e que foram subsidiados por técnicos do Grupo Eletrobras que estavam animados com a salvação da grande abertura do setor ) até gerar energia está sob um conceito de monopólio natural. Se tivessem contratado especialistas brasileiros ( sem ser estes que estão sempre a serviço de uma linha A ou B de governo ) talvez a solução fosse melhor. Com o novo fracasso ( o 2o pois o 1o foi em 2001) fica claro que este modelo versão 1 e sua versão 2 destruiu a confiabilidade de um setor que era paradigma internacional.Agora os paradigmas do setor são:2001= um racionamento de energia de cerca de 20 % do consumo. 2014= um desequilíbrio financeiro das distribuidoras e geradoras cuja o montante de dividas chegam na casa dos R$ 100 bi e de quebra a destruição da galinha dos ovos de ouro do setor governamental elétrico que era o Grupo Eletrobras. Ahh que saudade de nomes como: John Cotrin, Mario Bhering , Tati Holtz etc etc

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