Cresce dependência de chuva para 2015 – Valor

Comentário: Olhando o gráfico constante da reportagem, chama a atenção o “esvaziamento” dos reservatórios em 2012. Nesse ano o nível da reserva caiu 40,59%, um recorde no período mostrado. Por quê? 

O segundo gráfico, elaborado pelo ILUMINA, mostra as perguntas que não querem calar.

Quais as razões por trás do adiamento e até redução do despacho térmico em 2012 (barras amarelas), já que as afluências se mostravam fortemente decrescentes (curva azul)?

Por que o despacho térmico médio triplicou justamente depois do anúncio da Medida Provisória 579 em setembro de 2012?

Como manter a tese de que a política de intervenção que impôs tarifas irrisórias à Eletrobras nada tem a ver com a crise atual?


Por Rodrigo Polito | Do Rio

Passada a temporada de chuvas e com os reservatórios ainda em níveis baixos, o ano de 2014 deve terminar sem melhoras visíveis e com riscos de problemas de abastecimento que podem ficar de herança para 2015. A julgar pelos cenários traçados ontem pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o próximo ano deve começar ainda com grande dependência de um elemento imponderável: as chuvas.

Para eliminar completamente o risco de déficit de energia em 2015, seria preciso que o nível de armazenamento dos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste alcançasse 43% em novembro deste ano. Se atingir esse nível, pode chover o menor volume da série histórica no próximo verão que o suprimento estará garantido para 2015.

 

Para atingir essa marca, no entanto, seria necessário ocorrer um volume de chuvas 16% acima da média histórica de julho a novembro deste ano, algo que, observado o histórico dos últimos anos, não é provável.

O diretor-geral do ONS, Hermes Chipp, porém, afirmou ontem, que mesmo com os reservatórios bem abaixo deste nível de segurança, não haverá problemas. “Não [é um problema] porque [a estimativa de 43%] é para suportar [o sistema] no período úmido, se houver a pior hidrologia do histórico, ou seja, pior do que aconteceu este ano”, disse Chipp, durante seminário, no Rio. Entre novembro de 2013 e abril de 2014, o volume de chuvas alcançou 57% da média histórica para o período. “Este ano foi uma escassez, quase que a pior [hidrologia] do histórico”.

No seu pior cenário, que parte da premissa de que os reservatórios das usinas das duas regiões estarão com 18,5% de armazenamento em novembro deste ano, o ONS calcula que será necessário chover 77% da média histórica, entre novembro e abril, no subsistema Sudeste/Centro-Oeste, para garantir o suprimento de energia em 2015. Chipp, porém, disse que esse indicador é “conservador”.

Com essas projeções, o nível de estoque das usinas do Sudeste/Centro-Oeste, que concentram 70% da capacidade de armazenamento do país, chegaria a 45% em abril de 2015. Esse patamar, segundo o executivo, garante o abastecimento do sistema no próximo ano, mesmo que ocorra o pior histórico de chuvas no período seco de 2015. Nesse caso, porém, os reservatórios chegariam a novembro do próximo ano com nível preocupante entre 10% e 15%.

A previsão atual do ONS é que os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste cheguem ao fim de julho, três meses antes do término do período seco, com 33,3% de estoque. Os lagos das usinas estão hoje com 34,7%, com queda de 1,6 ponto no acumulado do mês. Em julho de 2013, o estoque era de 62,1%

Segundo o diretor do ONS, está prevista a entrada de uma frente fria no fim de semana, o que pode aumentar a ocorrência de chuvas. “Tem entrado praticamente uma frente fria por semana”, disse.

“Ao longo deste ano pode ocorrer chuvas com certa variabilidade, mas os preços vão se manter em patamares elevados e as térmicas vão continuar despachadas”, afirmou o gerente de regulação da comercializadora Safira Energia, Fábio Luiz Cuberos. “O cenário de 2015 vai depender muito do que ocorrer no próximo verão. Por enquanto, os institutos [meteorológicos] falam que o volume de chuvas se dará na normalidade. “.

Com relação ao Nordeste, o ONS estima chegar a novembro com 14,7% de estoque nas usinas. O diretor do ONS explicou que o fenômeno climático “El Niño”, que causa incidência maior de chuvas na região Sul e na parte sul da região Sudeste, deve ocorrer com mais intensidade nos próximos meses, alcançando o seu pico em outubro.

Segundo o ONS, o volume de chuvas no Sul em julho deve ser 67% acima do histórico para o período. O problema é que a região responde por apenas 7% da capacidade de armazenamento do sistema. Os lagos das usinas do Sul estão com 92,6% de estoque.

 

 

Categoria

Uma resposta

  1. Cabe perguntar: qual a mágica que o ONS fará para obter em novembro/2014 um nível de armazenamento global superior àquele registrado em junho? Observando-se o próprio quadro mostrado no artigo, nota-se que em nenhum ano este fenômeno ocorreu. E diria mesmo que nunca em todo o histórico este fato deve ter acontecido. Registre-se ainda que o despacho das térmicas não seria suficiente, tal como já ocorreu em 2013.

Deixe um comentário para José Antonio Feijó de Melo Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *