DE INTERESSE DO PRESIDENTE DA E.P.E.

Sem retoques e completa, a análise do engenheiro Feijó, publicada na página do Ilumina sobre a entrevista do professor Tolmasquim. Irretocável e completa.

Mas, não posso evitar alguns comentários adicionais.

 

Tolmasquim esqueceu que muitos veteranos do setor elétrico, com boa memória, ainda estão vivos e lúcidos. Sobretudo, alguns com excelente , quando não inconveniente, memória.

 

Quando completei 15 meses como jovem engenheiro da empresa Furnas, tive o privilégio de estar presente no inicio de operação do primeiro gerador da usina, em agosto/setembro de 1963, meros cinco anos e meio da criação da empresa. Transmitindo sua energia para São Paulo através de longo sistema em extra-alta tensão e três grandes subestações. Iniciou-se a formação de  equipe de engenheiros que executaram a montagem eletro-mecânica dos equipamentos da usina e de muitas outras que a empresa construiu nos anos seguintes.

Tolmasquim, quem sabe, gostaria de ver recordado o grupo pequeno que se abrigou nos escritórios no prédio da esquina da Rua São José com Avenida Rio Branco que, liderado por John Cotrim, entre todas as suas decisões gestionárias a partir de zero, ainda teve a lembrança pioneira com a transferência efetiva de  tecnologia para as atividades de construção da usina. Tornou mandatório o consorcio de uma empresa inglesa com uma empresa brasileira. Coisa inédita num país onde vicejava a servidão voluntária às maravilhas  do primeiro mundo.

 

Um ano depois, já em tempos de ditadura militar, digamos, moderada, o Presidente Castelo Branco esteve presente a inauguração cerimonial da usina.  Simultaneamente foi lançada o inicio da construção da barata usina de Estreito, hoje Luis Carlos Barreto de porte similar.

 

Vamos resumir: a partir de 1964 até 1979 – 15 anos – Furnas planejou, engenheirou, construiu, comissionou e operou as usinas hidrelétricas de Estreito, Porto Colômbia, Marimbondo e  Itumbiara. Herdou e completou Funil e a termelétrica de Santa Cruz. Construiu o enorme sistema de transmissão em 345 kv e 500 kv interligando essas usinas às áreas de São Paulo, Rio . Brasília e Vitória. A notar que a maior delas, Itumbiara, teve seu primeiro cronograma de planejamento da obra elaborado em 1973, no qual a data de geração de sua primeira máquina de 400 Mw (!!) foi programada para 15 de março de 1979. Entrou em operação em 30 de março.

 

Era jovem e pequena a equipe que se engajou  ao conceito veemente da importância de uma empresa pública de  serviço público. A ser notado, aqueles jovens nem se deram conta que estavam fazendo uma façanha inédita. Num mundo de projetos desenhados por mãos de técnicos, de comunicações por rádio e telex e cartas datilografadas, internas nas empresas e externas entre elas e as firmas de engenharia de projeto e os fabricantes dos equipamentos e sistemas.  

 

Onde será que o professor Tolmasquim pesquisou a historia comparativa que propalou em sua entrevista ? 

 

É sabido sim que, no mundo dos CAD’s, dos escaneamentos digitais, das conferências gerenciais em tempo real, das mensagens eletrônicas e dos empreendimentos de propósitos específicos – ou seja, com que nome os chamemos – agora sim,  começam a se tornar preocupantes e inaceitáveis os prazos de implementação das usinas, subestações e linhas de transmissão em andamento em tempos da privataria, do modelo híbrido e do realismo fantástico da recente medida provisória. Certamente uma contraditória incompetência técnica e gerencial a ser corrigida com urgência.

 

 

Olavo Cabral Ramos Filho

 

16 de novembro de 2012 

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