
PDE 2022 não reflete a operação do sistema, avaliam agentes (CANAL ENERGIA, 28/10)
Comentário: O ILUMINA concorda quase que totalmente com presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica, Luiz Fernando Vianna. A concordância só não é total porque, no seu diagnóstico, falta avaliar a conseqüência da sua correta afirmação.
1. É verdade que a reserva máxima das usinas hidráulicas do sistema está caindo em relação à carga, uma vez que a primeira está estagnada e a segunda cresce ano a ano.
2. É verdade que uma solução seria que parte da carga seja assumida por outra forma de geração de tal maneira que, sob o ponto de vista do conjunto das hidráulicas elas percebam uma carga menor.
3. É verdade que a operação do sistema está sinalizando isso há algum tempo e que, a partir desse ano, outros critérios de segurança fazem parte da metodologia de operação e planejamento.
4. O que não é verdade é que toda essa mudança não tenha efeito sobre a garantia de todas as usinas do sistema. A garantia física de todas as usinas depende do critério de operação já que a média dos CMO´s (custo marginal de operação), que deve ser igual ao CME (custo marginal de expansão). Se o critério muda exigindo mais térmicas, a média do CMO aumenta e, de imediato, traz um desequilíbrio da carga crítica, e, consequentemente das garantias físicas.
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Esse parece ser o tema que ninguém quer enfrentar, porque afeta TODO O MODELO COMERCIAL!
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A condenação de usinas à fio d´água e PCH´s também é precipitada, pois, pelos dados de vertimentos totais do sistema, muito baixos, na realidade, não estamos enchendo nossos reservatórios. Essa seria a situação na qual as usinas sem reservatório seriam inúteis.
Mauricio Godoi, da Agência CanalEnergia, de São Paulo, Planejamento e Expansão
28/10/2013
A proposta do Plano Decenal de Expansão de Energia 2022 que está em consulta pública não espelha a real operação do sistema. Essa crítica deve-se ao fato de que a fonte térmica continua a não ter clareza em seu papel nos próximos 10 anos na matriz elétrica nacional, ainda mais diante de um cenário hidrológico como o vivido pelo país em 2013. Do plano para os próximos 10 anos a previsão é de aumentar a capacidade instalada em 63,3GW sendo que deste potencial, 1,5 GW seria destinado às térmicas, preferenciamente, a gás natural.
O presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica, Luiz Fernando Vianna, diz que da forma que está, o plano desestimula o planejamento de novos projetos térmicos no Brasil, pois não há a sinalização firme sobre o caminho da fonte. Segundo o executivo, nenhum investidor irá gastar recursos com o desenvolvimento de novos projetos se o governo não der o sinal.
“Esse PDE é uma continuação do ano passado e nossa posição foi clara, da forma que está não teremos novos projetos em disputa nos leilões. Os empreendimentos são sempre os mesmos que não conseguiram vender a energia em leilões passados. Precisa mudar o indicativo e ser mais aderente possível à operação do sistema”, afirmou Vianna.
O executivo diz que analisando o documento, vê-se que a predominância da expansão será de renováveis. Em sua avaliação não é uma situação ruim essa, mas que para a expansão da fonte hídrica deveria ser considerada a dificuldade de obtenção de licenças ambientais. Além disso, a ideia de limitar a expansão das térmicas no Brasil vai na contramão do sistema nacional que é o hidrotérmico, onde essas usinas asseguram a geração de energia em complementação às UHEs e às demais fontes cuja característica é de intermitência.
Essa posição é a mesma defendida pelo presidente do Instituto Acende Brasil, Cláudio Sales. De acordo com o executivo indicar que a expansão de térmicas em 10 anos será de 1,5 GW “salta aos olhos” em função da necessidade do país por este tipo de geração em 2013. Ele cita que o crescimento da carga no SIN se elevou mais que a capacidade de armazenamento de água nos reservatórios ao longo dos anos. Ao mesmo tempo, com a construção de UHEs a fio d´água a capacidade do Brasil em enfrentar períodos de estiagem caiu de anos para questão de meses.
“Eu diria que a indicação é de que os planos decenais apresentam baixíssima segurança”, afirmou Sales. “Quando olhamos para o ano de 2015 e vemos os planos que antecederam, enxergamos diferenças muito grandes entre o que se planejou e o que foi executado”, acrescentou o executivo que aponta a importância da complementação térmica para a operação do sistema elétrico nacional como contraponto ao avanço de fontes intermitentes.
Já pelo lado dos geradores eólicos, a ABEEólica considerou que o PDE 2022 é uma continuação do plano em vigência. Até porque é a partir de 2016 que a fonte se tornará a segunda maior renovável em capacidade instalada no país. A previsão é de sair de um volume de 3.898 MW de capacidade este ano para 10.780 MW em 2016 e 17.463 MW daqui a 10 anos.
Para a presidente executiva da entidade, Élbia Melo, o governo vem repetindo o que já foi feito no ano passado, colocando a fonte em um papel central para o sistema elétrico nacional. Segundo sua avaliação, esse sinal é positivo não somente para os geradores mas como para toda a cadeia industrial da energia eólica.
Já pelo lado das distribuidoras, o presidente da Abradee, Nelson Fonseca Leite, disse que a entidade ainda não fez uma análise mais detalhada do plano. A expectativa, disse o executivo, é de que o planejado seja realmente executado, pois este tem sido o gargalo para o país.