Análise do ILUMINA: A notícia abaixo deixa evidente que a trapalhada do setor elétrico está longe de terminar. Fruto de muitos erros de gestão e alguma hidrologia ruim, o Brasil impôs ao consumidor o endividamento para pagar kWh, algo inédito no planeta Terra. Como era previsível e já mostramos diversas vezes, a demanda despencou e, agora, aquela energia que fizeram a alegria dos bancos, está sobrando.
Pior! Consumidores estão migrando para o “mercado livre” agravando ainda mais a situação das distribuidoras.
Mas, além das trapalhadas, o que chama a atenção é o completo desentendimento sobre os absurdos do mercado livre brasileiro, ao simplesmente citar que o preço do MWh nesse ambiente “está em R$ 30”. O mais incrível é que ninguém se pergunta sobre esse valor e o trata como se fosse normal!
O Ilumina sugere algumas suspeitas:
- Existe alguma tecnologia que seja capaz de gerar 1.000 kWh com custo de US$ 7?
- Há algum mercado de energia no planeta que apresente um preço tão baixo? Vejam abaixo uma comparação feita com cotações históricas do Real em relação ao dólar e euro. O histórico do mercado brasileiro está na curva verde.


O que quase ninguém no Brasil entende é que esse sintoma, preços irrisórios, é o outro lado da moeda do preço exorbitante.
Num sistema de base térmica, quando um consumidor migra para o mercado livre, algum gerador que pode vender energia mais barata passa a gerar energia para esse consumidor. Ou seja, há uma relação biunívoca entre consumidor e gerador.
No singular sistema brasileiro, um consumidor migra para o mercado livre e não ocorre nenhuma alteração das gerações das usinas. Isso porque, ao contrário dos sistemas de base térmica, uma usina não vende a sua geração, mas sim uma cota parte do todo. Sendo assim, a transação é puramente financeira. Pior! Os R$ 30/MWh não são resultado de negociações entre vendedores e geradores. É um número gerado por um software do operador nacional. Pior! Os próprios agentes do mercado se referem a esse preço como “referência”. Mas, apesar do valor irrisório, os responsáveis pela CCEE (Comercialização) não se sentem nem um pouco obrigados a revelar quem pode “comprar” 1 MWh por US$ 7 enquanto a tarifa média brasileira cobra US$ 120/MWh. Quem lê a notícia fica com vontade de pegar essa “nave” e se mudar para o mercado livre.
MACHADO DA COSTA
As distribuidoras de energia estão negociando com o governo a devolução de parte da energia que foi contratada em leilões.
Segundo elas, o consumo despencou e grandes consumidores estão migrando para o chamado mercado livre –segmento no qual as empresas podem comprar e vender eletricidade por meio de contratos diretos–, o que fez sobrar um volume significativo de energia.
Por meio de uma audiência pública da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) que está aberta para discutir as normas de comercialização, as distribuidoras tentam incluir uma regra que permita essa devolução. Na prática, o que as empresas querem é reduzir os volumes contratados nos leilões.
Dentro da Aneel, há o entendimento de que a impossibilidade de devolução acaba encarecendo a conta de luz, pois a distribuidora pode ficar com até 5% de energia acima da demanda e ser remunerada por isso, além de pressionar as geradoras hidrelétricas a produzir uma energia que não será usada.
Porém, a origem das preocupações das distribuidoras está no volume de energia encalhada que está acima desse percentual. Segundo a Folha apurou, na média, as empresas estão com volumes acima do que seria remunerado.
A situação é a inversa da que ocorreu entre os anos de 2013 e 2014, quando os contratos de energia nas mãos das empresas eram insuficientes para suprir a demanda, forçando-as a comprar o restante por um mecanismo de ajuste –à época, o preço desse ajuste, por megawatt-hora, estava perto de R$ 800.
O buraco foi tão grande que o governo precisou negociar com os bancos um empréstimo de R$ 20 bilhões, que está sendo cobrado na conta de luz.
Agora, elas podem a energia que sobra vender por meio desse mesmo mecanismo. Porém, o preço do megawatt-hora está em R$ 30.
MIGRAÇÃO
A preocupação cresce à medida que mais consumidores migram do mercado das distribuidoras para o mercado livre. Mais de 500 processos de migração estão sendo analisados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, o que deprimirá ainda mais o mercado das distribuidoras.
A audiência pública sobre o tema se encerra em 17 de fevereiro. Após esse prazo, a Aneel ainda terá que deliberar sobre o tema e aprovar as possíveis mudanças.
Uma resposta
Prezado Roberto
Não resisto à tentação de falar novamente.
Este é o “mercado à brasileira”, tão à gosto do nosso “capitalismo à brasileira”, onde prevalece o lema “privatiza-se os lucros e socializa-se os prejuízos”.