Editorial

Nesses últimos dois anos, o ILUMINA atuou para esclarecer e denunciar os erros de política energética que levaram o setor elétrico a uma segunda grave crise em pouco mais de dez anos. Além da atividade quase diária na página do Instituto, publicamos dez artigos no jornal Valor Econômico, três na Revista Brasil Energia, um na revista Carta Capital, um na Folha de São Paulo, um no Globo, e muitos outros em jornais de associações e sindicatos. Concedemos diversas entrevistas para jornais, rádios e televisão sempre explicando o que ocorria.

Estivemos em seminários na FIRJAN, FIEMG, BNDES, UFRJ, USP, COPPE e até no Congresso Nacional. Em todas essas participações, revestimos nossos argumentos com inúmeros dados concretos. Pensamos que isso nos diferencia de articulistas políticos, pois se os argumentos estão errados, os dados que os suportam teriam que ser contestados por outros que os negam. Nada disso ocorreu.

Nunca tivemos sequer um sinal de estabelecimento de um canal de comunicação, nem que fosse o da contestação pura e simples dos temas apresentados. Nos seminários onde havia a possibilidade de alguma troca de ideias, as autoridades ou representantes do governo se ausentavam após suas apresentações.

Por outro lado, o setor elétrico foi o grande ausente dos debates e entrevistas da campanha. Nem os inacreditáveis e assustadores números, tarifas, subsídios, perdas de valor e políticas fiscais heterodoxas que cercaram o setor foram capazes de colocar esse tema no colo da presidente.

Talvez porque ambos os candidatos tenham patrocinado políticas fracassadas e semelhantes, não houve oposição clara no que tange os problemas do setor elétrico. Talvez seja porque a sociedade não consegue entender minimamente o que ocorre. De qualquer modo, olhamos com muita desconfiança a proposta tardia de “união nacional e diálogo”. Responsabilidades sobre indicadores negativos não deveriam ter data marcada para resposta, muito menos a que sucede uma campanha presidencial mais virulenta em termos de adjetivos e a menos substantiva em termos de propostas.

O ILUMINA é apartidário e tem seguidamente afirmado que, pelo menos no setor elétrico, não há diferenças significativas entre a filosofia PT ou PSDB. As perguntas e propostas estão lançadas há tempos. Por enquanto, voam livres e soltas.

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4 respostas

  1. Caro Roberto te parabenizo pela discussão sempre precisa dos problemas do setor . Considero que chegou a hora de criarmos um grupo para aproveitar este momento de diálogo e levá-lo ao pé da letra. Precismos formar um grupo para formularmos uma proposta de longo prazo, sustentável e sadia para o país, na qual no final que sairá ganhado é o próprio governo, tendo uma infraestrutura energética confiável e geradora de renda e emprego.

  2. Há uma semana, em comentario à outra material do Ilumina, voltei a insistir em outra carta
    similar aquela enviada a Dilma em 2 de dezembro de 2010
    Para recordá-la basta escrever “carta a president eleita” na busca do site .

    Junte-se aquela carta a outra, aberta , do Clube de Engenharia. Ambas que Dilma nem mesmo confirmou recebimento.

    Quem sabe agora encontraremos receptividade.

    Quem sabe seria hora ( alias, tardia) de reduzir os aborrecimentos pessoais causados pela Ministra de Minas e Energia em 2003/2004.

  3. Caros companheiros do Ilumina
    Vocês fizeram um trabalho fantástico de esclarecimento e de tentativa de promover um debate propositivo sobre o setor elétrico, e, como afirma o Roberto, sem nenhuma interlocução com o governo. Esta postura é que tem que mudar por parte do governo. As pessoas que foram colocadas para dirigir o setor elétrico, tudo indica que por determinação do próprio governo se recusam a enfrentar uma discussão séria e qualificada sobre o setor que eles dirigem. O primeiro passo de uma mudança no setor é sua própria gestão. Além disso, as ocupações dos espaços de direção nessas empresas tem que obedecer a outros critérios que não a acomodação de interesses, acarretando por desconhecimento da realidade do setor, ou por uma exigência vinda de cima, uma subserviência cega às políticas do governo, nem sempre as melhores e mais adequadas a solução de nossos problemas.
    Agamenon Oliveira
    Pesquisador do CEPEL e Diretor do SENGE/RJ

  4. É isso aí, Roberto. Você, com o chapéu do Ilumina, fez o que estava ao alcance.
    Depois do discurso muito positivo da Presidente reeleita acho que nosso setor elétrico deve aproveitar a onda das REFORMAS e propor uma reformulação do atual modelo perverso que coloca nas costas do povo o peso de pagar pelos erros da gestão. Não creio que a curto prazo conseguiremos mudar o atual modelo de Mercado para um de Serviço Público, que queremos, mas podemos e devemos tentar avançar nessa direção.
    Luiz Pereira

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