Elétricas enfrentam cenário adverso no 2º trimestre – Valor

Comentário: O ILUMINA tem sido questionado sobre quem estaria ganhando com essa crise. A resposta correta seria: os ganhos e perdas estão espalhadas pelo setor. O problema é que tanto os ganhos quanto as perdas são absurdos em função do modelo adotado.

Distribuidoras perdem por estar descontratadas submetidas a um mercado livre que apresenta conhecidas instabilidades. Apesar do prejuízo ser uma obviedade, o governo não conseguiu repor os contratos de 2004-2012. Por outro lado, ganham energia das usinas “amortizadas” com preços irrisórios e inéditos no planeta.

As geradoras perdem com a energia quase gratuita que são obrigadas a entregar às distribuidoras, mas ganham por não ter que “comprar” a garantia física dessas usinas. Problema das distribuidoras. Em compensação, usinas hidroelétricas quase tão antigas quanto as “gratuitas” ganham ao vender no mercado a preços que podem chegar a R$ 822, mas podem perder esse ganho se São Pedro resolver mudar a hidrologia. Mas outros ganhos são possíveis: O leilão do desespero acabou proporcionando vendas de R$270/MWh por mais de 5 anos para usinas hidroelétricas também antigas, mas abaixo da maioridade inventada pelas autoridades.

O que é certo é que todos esses prejuízos ou ganhos irão desaguar no consumidor…..Pior! Com juros! Isso nos leva à conclusão de que os bancos serão os grandes vencedores dessa trapalhada.


 

Por Claudia Facchini | De São Paulo

Os analistas de investimentos esperam um segundo trimestre complicado para as companhias do setor elétrico. Os relatórios de grandes bancos trazem, de forma geral, expectativas de resultados mais fracos tanto para as empresas de distribuição como para as geradoras. Os dois negócios foram afetados neste ano.

As distribuidoras foram prejudicadas pelo atraso na liberação, pelo governo federal, de um auxílio-ponte para cobrir os déficits tarifários, que só aumentam a cada mês. Não foram ainda liberados recursos para pagar as despesas do setor em maio e junho. Sem dinheiro, as distribuidoras precisam arcar com os pesados custos com aquisição de energia, o que vem sugando o caixa todos os meses, já que as tarifas só são corrigidas uma vez por ano.

Já as geradoras foram afetadas pelo déficit em torno de 6% no volume entregue pelas hidrelétricas para o sistema elétrico durante o segundo trimestre. A geração hídrica sofre com a grave seca na região Sudeste. Quando as usinas não entregam 100% da energia que venderam, as geradoras precisam comprar o volume que falta no mercado de curto prazo.

Na avaliação de alguns analistas, as ações das elétricas ainda podem cair. “Acreditamos que o setor de ‘utilities’ [serviços de utilidade pública] está, de forma geral, caro [para os investidores]”, escreve Miguel Rodrigues, do Morgan Stanley, para quem as ações das elétricas acompanhadas pelo banco ainda podem sofrer uma correção para baixo de 7% em média. Esse cenário leva em consideração as expectativas de um déficit na geração de energia hídrica durante o segundo semestre, bem como os baixos níveis esperados para os reservatórios no início do ano que vem.

“Acreditamos que os resultados vão se deteriorar”, escreveu o analista Marcos Severine, do J.P. Morgan. “Uma questão chave é o reconhecimento de um empréstimo adicional para as distribuidoras: sem um segundo socorro, acreditamos que o segmento vai registrar prejuízos.”

Na avaliação de Severine, os dividendos intermediários distribuídos pelas companhias estão em risco. “Mesmo se um plano for anunciado, os recursos só vão entrar no caixa das distribuidoras em agosto, na melhor das hipóteses. Com o capital de giro pressionado no segundo trimestre, companhias que pagam dividendos bianuais, como a Copel, podem reduzir as distribuições”, escreveu o analista. Ainda no caso da Copel, segundo ele, o calendário político pode empurrar os dividendos para depois das eleições em outubro.

No caso das geradoras, além do déficit na geração das hidrelétricas, as empresas também podem ganhar menos com a venda de energia no mercado de curto prazo (spot). No segundo trimestre, os preços na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) ficaram abaixo do esperado por alguns analistas, embora continuem em níveis estratosféricos.

Já divulgaram seus resultados para o segundo trimestre a Tractebel e a Energias do Brasil, e ambas mostraram desempenhos operacionais mais fracos. Hoje, após o fechamento da bolsa, a AES Eletropaulo, AES Tietê e Alupar devem enviar suas demonstrações financeiras à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Na sexta-feira, será a vez da Equatorial. Na semana que vem, divulgam seus números a Light, CPFL, Copel, Cemig e Cesp.

Os analistas estimam que a Eletropaulo, maior companhia do setor no Brasil, registre fortes prejuízos. A distribuidora só recebeu subsídios de R$ 196 milhões para cobrir os custos referentes a abril. O mercado espera que ela receba outros R$ 265 milhões para cobrir os gastos em maio e junho.

De acordo com Paula Kovarsky, do Itaú BBA, sem o auxílio adicional, a distribuidora poderia apresentar um prejuízo de R$ 464 milhões no segundo trimestre. Com o reembolso, a perda seria de R$ 199 milhões. Severine, do J.P. Morgan, prevê que, sem um segundo socorro, o prejuízo da distribuidora poderia alcançar R$ 525 milhões.

Para a Light, os analistas projetam que a distribuidora carioca poderá estampar um prejuízo de até R$ 58 milhões caso não receba recursos. No caso da Equatorial, a distribuidora poderá ter uma perda superior a R$ 100 milhões.

 

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5 respostas

  1. O problema das distribuidoras tecnicamente não é de prejuízo, já que por lei elas têm direito a incluir na tarifa (Parcela A) o custo total da energia comprada, seja a que preço for, bastando que seja reconhecido pela ANEEL. E estes são. Portanto, o problema é apenas de caixa, já que elas tem de liquidar mensalmente as compras no mercado livre pelos preços estratosféricos e as tarifas atuais são insuficientes para isto. Pelas regras, teria de haver uma Revisão Tarifária Extraordinária. Mas quem assume o ônus de fazer o aumento extra agora?
    Do ponto de vista de Balanço Contábil, as distribuidoras registrarão tudo isto como crédito realizável a curto prazo e assim não haverá prejuízo. No momento, portanto, apenas déficit de caixa, coberto com os aportes do Tesouro e dos empréstimos feitos através da CCEE.

  2. Essa onda de que as distribuidoras vão ter grandes prejuizos é uma balela. Se fosse, alguem poderia explicar porque no mercado acionario as distribuidoras tem suas açoes fortemente valorizadas.

    1. Evidentemente o ILUMINA sabe que “prejuízos” das distribuidoras são passageiros e desembocam no consumidor. Mas é preciso reconhecer que o governo está desesperado com as tarifas que não param de subir a despeito da quase falência da Eletrobrás vendendo energia por preço de banana. As distribuidoras podem ter que cortar um dobrado com essas nossas autoridades que se mostram perdidas. O setor está em crise profunda advinda do modelo mimetizado de sistemas térmicos.

      1. Chegamos neste patamar de reajustes por incompetência do MME e da Aneel, todos tinham conhecimento que a partir de 2012 as geradoras estariam descontratadas para atender o serviço público, apesar de a constituição definir claramente e o próprio contrato constar GERAÇÃO PARA ATENDER O SERVIÇO PÚBLICO, portanto, em 2011 já deveriam providenciar os leilões para atender o mercado cativo. O que fizeram, deixaram as geradoras a vontade e venderam no “mercado livre” energia que obrigatoriamente e legalmente só poderia ser para o mercado cativo. Como consequência as Distribuidoras foram comprar energia no mercado SPOT parando valores absurdos da energia que custa R$ 20,00 para a geradora pagaram R$ 800,00. Sobrou para os consumidores que já pagaram estas usinas nos 30 anos de concessão vão pagar de novo, só não sabemos para quem.

        1. Caro Rubens:
          Gostariamos apenas de lembrar que a contabilização de ativos amortizados das estatais sofreram vários revezes históricos. Não é que não haja redução de preços de usinas antigas. A questão é que o governo desmontou o conceito de serviço pelo custo que é o que garante a captura dessa vantagem. Na realidade não existe mais o conceito de tarifa de geração, pois tudo foi transformado para preço de mercado. Havia e ainda há uma contabilização em vigor para as usinas não atingidas pela MP579. Esse sistema, aprovado pela a ANEEL, se fosse respeitado, indicaria reduções de mais de 30% nos preços praticados pelo mercado em 2004-2012. O problema é que o governo, sem fazer um disgnóstico sobre as causas do aumento e sem coragem de mexer na carga tributária, resolveu penalizar a Eletrobras. Criou um problemão!Vamos ver quando chegar a hora dos investidores privados.

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