(Valor Econômico 11 de maio/2005- página B11)
Para reduzir o prejuízo causado por ligações clandestinas, conhecidas como “gatos”, as distribuidoras de energia estão investindo em um novo cabo condutor que dificulta esse tipo de furto. Comercializado no Brasil por vários fabricantes…, o produto, feito de cobre, foi desenvolvido para entrar em curto-circuito quando alguém tenta perfurá-lo para fazer uma conexão ilegal.
As distribuidoras Eletropaulo, CPFL Energia e a Light já adotaram essa tecnologia para reduzir o número de ligações clandestinas em suas áreas de atuação e até agora têm obtido bons resultados….
A Light, distribuidora que registra uma das maiores perdas comerciais do setor, iniciou há dois anos o uso desse tipo de cabo em suas novas instalações. …
Apesar de mais seguro que o cabo tradicional, o produto não é inviolável. A distribuidora baiana COELBA, que já instalou o cabo anti-furto e m todos os seus 1,5 milhão de consumidores que moram em casas, registrou muitos casos de violação em sua rede. “Os consumidores já conseguiram burlar a tecnologia de diversas formas”, diz o gerente de inspeção de energia Marcos Antônio Almeida. Segundo ele, a adoção do produto precisa ser acompanhada de outras medidas, como o monitoramento constante das caixas de medição. A COELBA conseguiu reduzir suas perdas, mas o problema ainda gera um prejuízo anual da ordem de R$128 milhões.
Nosso Comentário:
É BRIGA de GATO e RATO – As empresas de serviços públicos, principalmente as distribuidoras de energia elétrica, continuam querendo jogar sobre os consumidores responsabilidades que são delas. Na questão dos “gatos”, que proliferaram nas instalações elétricas após o processo irresponsável de terceirização dos serviços, adotado para reduzir drásticamente os custos das concessionárias, é evidente que a utilização do novo cabo, que tem um custo em média 40% maior que o cabo comum, não será a solução, como já demonstra o que vem ocorrendo na Bahia.
Não se deve tratar essa questão meramente pelo lado da ilegalidade do ato praticado, pois ela é, muitas vezes, um reflexo da questão social e, sendo a energia elétrica um serviço público, que o Estado delega a empresas privadas, que visam o lucro como é próprio do regime, é preciso que o governo, através da Agência Reguladora, crie mecanismos para garantir que as empresas concessionárias participem do esforço do país para diminuir as tensões sociais. Isso tem um nome: Responsabilidade Social.
Caso as distribuidoras e a ANEEL, não entendam que a questão não pode ser tratada como uma disputa “GATO x RATO”, mais uma vez seremos nós, os outros consumidores, que vamos pagar essa conta.