Em MG, São Francisco está por um fio – Valor

Comentário: Não foi por falta de aviso. O gráfico abaixo mostra que as vazões do S. Francisco estão decrescendo em relação à média (MLT) há mais de 10 anos. A curva preta é a média móvel de 12 meses. Como ficam as garantias físicas de todas as usinas do sistema perante essa nova realidade?? Atenção: Não afeta apenas as usinas do S. Francisco!


 

A ameaça é grave: o volume útil do reservatório da usina de Três Marias, em Minas Gerais, pode chegar a zero até novembro. Hoje, tem menos de 8% de sua capacidade. Se isso acontecer, um trecho de cerca de 40 quilômetros do São Francisco, logo depois da usina, ficará sem água, transformando parte do rio, célebre por sua perenidade, num leito de areia e pedras.

Além de uma tragédia ambiental, com a morte dos peixes ao longo de todo esse trajeto e dos animais que dependem do rio, há também o fantasma do desabastecimento. Indústrias que dependem da captação de água e movimentam a economia local correm o risco de fechar temporariamente. Produtores no polo de agricultura irrigada ainda não sabem o que fazer. Representantes da sociedade civil reclamam que, apesar da crise, nenhum plano de contingência foi elaborado para lidar com o cenário de fim do volume útil da represa.

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5 respostas

  1. Manifesto minha ignorância. Não entendi o gráfico, não sei o que é energia natural. Tampouco a matéria explica as duas curvas. REparem no gráfico: em 1988 a linha preta sobe, mas a vermelha cai muito; em 1979 ocorreu o oposto e em 2012 elas convergem. Não vi correlação aparente entre essa energia natural, aparentemente definida pela linha vermelha e a média móvel (por acaso é a média anual?). Enfim, são termos estranhos a mim.
    Para aumentar a dúvida, o rio São Francisco é longo, tem alguns conjuntos de hidrelétricas. Qual seria a referência geográfica dos dados que fundamentam o gráfico? Não me parece que seja hidrologia, apesar da sigla MLT ser usada em hidrologia (média de longo termo). Eu baixei os dados hidrológicos da hidroweb para comparar, e não vi correlação com a variação histórica da vazão no rio São Francisco, na altura da cidade de Manga, pelo menos até 2007, ano do último registro (não posso perder a oportunidade de criticar a ANA por não atualizar a Hidroweb).
    Enfim, pelos comentários adicionados à matéria, parece que alguns leigos confundiram os gráficos. TRata-se de informação mal usada, confusa, que gera mais desinformação à população leiga.

    1. Prezado Rodrigo:

      Desculpe os jargões do nosso setor. Realmente precisamos de um conjunto de definições que possibilite quem não é da área entender o cerne da questão. Em primeiro lugar a energia natural. Ela é calculada contabilizando as vazões imediatamente à montante das usinas de um rio. No caso, a curva representa a própria afluência do S. Francisco caso ela fosse turbinada nas usinas. É a energia “natural” que se pode esperar das usinas nesse rio, portanto, não há uma referência geográfica única.
      Mas, independente da unidade de medida, m3/s ou MWh, o que é importante observar é que o Rio São Francisco tem apresentado afluências decrescentes há mais de 10 anos. Para mostrar isso com mais clareza e sem as oscilações dos meses, a curva preta é a média móvel anual, ou seja a média dos últimos 12 meses em cada mês. A MLT é a média de longo termo das energias naturais históricas (dados do ONS). Ou seja, imagina-se qual seria a energia possível de ser gerada caso todo o histórico de afluências fosse turbinado e dai tira-se a média.
      Espero que os jargões não obscureçam o grave problema por que passa o S. Francisco.

  2. Prezado(a)s:

    Eu creio que a situação a que chegou o rio São Francisco é semelhante a todos os rios que banham o Brasil, os vários interesses econômicos em rede inclusive dos construtores de barragens e governo localizados no MME, pouco se importam com isso. Um dia virá quando tudo isso será coisa do passado e estaremos pagando uma fortuna para pode consumir água e ar limpos. E não demorará muito.

    Ora bolas, vários rios já estão secos no mundo e no Brasil a situação caminha nessa direção. Se não cuidarem do reflorestamento das matas ciliares 30 metros de cada lado dos rios e preservarem as nascentes cercando e não deixando ninguém explorar comercialmente, nós não teremos mais água de boa qualidade dentro de 50 anos, por causa da reinserção do Brasil da divisão mundial do trabalho como grande fornecedor de matérias primas e recursos naturais a preço de banana. Pelo jeito a grande fazenda neo-colonial volta a mandar na política brasileira e com ela todos os empresários comodistas que não investem em formação de sua mão de obra em tecnologias de ponta e no processo de inovação. Querem o o Estado brasileiro os financiem a fundo perdido. Até quando nós consumidores e contribuintes iremos aguentar essa sangria, creio que até morrermos.

    Infelizmente.

    JMR

    1. Prezado José Maria:

      Grato pelo seu comentário. Há tempos temos insistido que usinas hidroelétricas não são fábricas de kWh. Com certeza, sob outra visão, os pontos que você levanta estariam sendo cuidados.
      Um abraço

  3. Há muitas décadas este fenômeno era previsível e decorre, evidentemente, do desmatamento promovido pelos pecuaristas e especuladores em geral, sem nenhum controle dos órgãos responsáveis, seja do governo federal, como dos governos de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe e dos mais de 500 municípios banhados pelo São Francisco.
    Talvez só mediante o reflorestamento das nascentes e margens ao longo do leito do rio seja possível ir, aos poucos, recompondo o ecossistema abrangido e suas características hídricas e, assim mesmo, apenas parcialmente. Seria impossível deixar tudo como era no passado.

    Joaquim de Carvalho

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