Comentário: Qual é a novidade?
Desde que impusemos o atual modelo de DNA térmico ao sistema brasileiro, a energia elétrica, com raras exceções, sempre “puxou” a inflação para cima.
No primeiro gráfico, as barras azuis mostram a diferença positiva entre tarifa e inflação para a indústria. As vermelhas, os anos onde o reajuste ficou abaixo da inflação. Saldo do período 1996 – 2015 = + 110%!
No segundo gráfico, a mesma informação com barras verdes e vermelhas para o setor residencial. Saldo do período 1996 – 2015 = + 70%.
Portanto, qual é a novidade? Evidentemente, as pedaladas que esvaziaram os reservatórios e culpam S. Pedro ultrapassaram todos os outros exemplos de “liderança” da energia elétrica na inflação. Entretanto, os dados de 20 anos já deveriam ser suficientes para uma sociedade consumidora perceber que há algo muito errado. Portanto, se olharmos para inflação brasileira com uma “lupa”, lá estará o setor elétrico. Infelizmente, a nossa complacência é enorme e ultrapassa até a tarifa recorde de um país continental rico em energia renovável.

Diferencial entre inflação e reajuste da tarifa industrial.

Diferencial entre inflação e reajuste da tarifa residencial
Índice fica em 0,74% no mês passado; reajustes ultrapassaram 10% em algumas regiões
[10.06.2015] 19h26m / Por Fabio Couto
O segmento de habitação foi o responsável pelo maior impacto na inflação de maio, especialmente por causa da energia elétrica, que ainda teve reflexo no índice de preços, que ficou em 0,74% no mês passado, ou 8,47% em 12 meses, informou o IBGE. A meta oficial de inflação é de 4,5%, com margem de 2 pontos percentuais.
“A energia constitui-se num dos principais itens na despesa das famílias, com participação de 3,89% na estrutura de pesos do IPCA”, destacou o órgão em comunicado. A variação do grupo de habitação foi de 1,22%. Em algumas regiões, os aumentos médios ultrapassaram 10%. O GLP também influiu no resultado.
Já o segmento de transportes apresentou queda de 0,29%, por causa da queda de preços das passagens aéreas, representando impacto de -0,05 ponto percentual no índice. Neste segmento estão os combustíveis.