“Está bem claro que a situação atual tem a ver com o clima”, diz especialista – Valor

http://www.valor.com.br/brasil/3872608/esta-bem-claro-que-situacao-atual-tem-ver-com-o-clima-diz-especialista

Comentário: A entrevista da reportagem transcreve uma das opiniões especializadas que apontam o dedo acusador para o clima. No caso, o Valor ouviu a Dra Virginia Parente, da USP. Claro que tem a ver com o clima. Quando chove muito também tem a ver com o clima. Estamos todos a bordo do planeta e o clima é parte da realidade. Mas, analisando o que diz a entrevistada, a sua opinião é a de que, mais uma vez, São Pedro é culpado.

Respeitosamente, é interessante como esse tipo de visão é transmitido sem mostrar qualquer evidência que sustente essa teoria. Como já apontamos muitas vezes, os dados não sustentam essa tese. 

O gráfico acima mostra os anos do histórico ordenado do menor para o maior apontando as ocorrências desde 2007.

Um singelo exemplo: Não é necessário ser um especialista para entender que alguma reserva do ano 2009 (820 MWmed), mais um pouco da de 2010 (717 MWmed) e mais um pouco da de 2011 (840 MWmed) poderiam ser guardadas para se usar no ano 2012 (600 MWmed). Essa sequencia se repetiria continuamente fazendo com que administrássemos melhor as variações climáticas.

Por que não se conseguiu realizar uma tarefa tão fácil? Há duas possíveis razões:

  1. Faltam hidroelétricas. Com maior número, sejam com reservatório ou sem, a responsabilidade seria dividida por mais usinas, que, evidentemente não se esvaziariam tanto.
  2. Sobram térmicas caríssimas. Aqui está um dos maiores erros de analistas que culpam São Pedro. Como as térmicas contratadas pelo governo vieram de leilões decididos pelo “mercado”, são muito caras, e, apesar de serem computadas na oferta, quem gera no lugar delas são as hidráulicas.

O ILUMINA acha muito interessante quando um especialista ou alguém do governo diz que o aumento da capacidade instalada (MW) foi superior ao aumento da demanda (MWh). Ao fazer essa comparação (MW x MWh), estão simplesmente assumindo que as usinas operam gerando energia em proporção da sua potência, o que  é falso como uma nota de R$3 no sistema brasileiro.

Seja por falta de usinas, seja por uma estratégia que prefere “abrir a torneira” das hidráulicas, a situação atual parece que não admite a ocorrência de anos secos. O deplecionamento dos reservatórios foi tão excessivo que chegou a comprometer a capacidade de atendimento a ponta.

Ao contrário das alegações, o problema é estrutural e não conjuntural.

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5 respostas

  1. Roberto
    A sua exposição está perfeita e assinamos em baixo o seu comentário e o comentário do Prof. Feijó.
    Alguém, uns meses atrás disse que a festa do MWh barato tinha acabado. Seria interessante descobrir e responsabilizar quem organizou e quem participou da bendita festa e não transferir os custos decorrentes da mesma para todos os consumidores

  2. Roberto
    O problema é que os “especialistas” não iniciados na operação do sistema elétrico parecem imaginar que todas as usinas hidrelétricas operariam a fio d’água, desconsiderando assim a regularização produzida pelos reservatórios que, aliás, de fato parece que não vem sendo utilizada como se fazia nos tempos de modelo de serviço público.

    1. Feijó
      É isso mesmo. Agora, nós sabemos quem se aproveitou disso. Tentei mostrar que em 2011, véspera da crise, quase 30% da energia comercializada no mercado livre “rodou” em “contratos” mensais! PLD chegou a R$ 12! Já mostramos comparações do nosso mercado com outros no mundo deixando evidente que o nosso é uma anomalia. Mas, como sempre, o efeito é nulo.

  3. há especialistas e especialistas… alguns se especializam em falar (de acordo com a conveniência) e aparecer nas fotos, outros a entender o problema. Infelizmente os primeiros não estão só no governo.

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