Filme de horror!
Imaginem se todas as distribuidoras brasileiras fizessem o que o Sr. Walfrido defende. Logo teriamos 30% do mercado atendido a uma tarifa de geração de US$ 40/MWh. Mantidas as margens atuais, esses R$ 140/MWh elevariam em mais de 40% as tarifas finais. Uma conta de 100kWh residencial, praticamente o básico, subiria para ~ R$ 45, impostos excluídos!!
Canal Energia 07/02
Comercializadoras rebatem críticas à "self dealing" das distribuidoras
Para executivos do segmento, não há como comparar o custo da energia novas, de novos projetos, com o da energia posta em leilões
Oldon Machado, Novos negócios
06/02/2003
As comercializadoras de energia elétrica rebateram nesta quinta-feira, dia 6 de fevereiro, as críticas levantadas ontem pela ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, de que empresas do segmento estariam inflacionando o preço da energia elétrica comercializada a companhias de um mesmo grupo. Para representantes da área, a prática é regulamentada pelo próprio governo, e reflete apenas o custo de novos empreendimentos.
Segundo Walfrido Ávila, presidente da Abraceel (Associação Brasileira dos Agentes Comercializadores de Energia Elétrica) e da Tradener – comercializadora da Copel (PR) – a existência da operação de self dealing na legislação do setor, através da qual uma distribuidora pode contratar até 30% da sua energia por comercializadoras integralizadas, permite a realização de investimentos em projetos de geração, que detêm preços diferenciados.
"A energia nova, produzida por novos empreendimentos, nunca terá o patamar de valor da energia alocada em leilão. O seu custo está diretamente relacionado à rentabilidade", avalia, reiterando que o preço médio praticado para energia térmica (US$ 40 por MWh) e hidráulica (US$ 26 por MWh) é comum, dentro da perspectiva de remuneração de novos projetos. Ele garante que as comercializadoras que realizaram contratos de PPA com distribuidoras fizeram dentro dos limites permitidos em lei.
O presidente da Abraceel destaca o fato de que muitas empresas que atuam como consumidores livres passaram a ser atendidas diretamente por comercializadoras, em razão do baixo custo da energia adquirida em leilões, a baixo dos valores fixados nas tarifas reguladas pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). A movimentação desses clientes para o menor custo de mercado, continua ele, só é possível com a atuação das comercializadoras.
Em nota divulgada no final do dia, o Conselho de Administração da associação reafirmou a criação de um ambiente benéfico de competição no setor, desde o início das atividades de comercialização no país. "As comercializadoras de energia elétrica cumprem seu papel de incentivar a competição no setor, além de dinamizar e viabilizar a implementação de projetos oriundos de fontes energéticas contribuindo para a diversificação da matriz energética brasileira", diz o texto.
Outro executivo que reitera a abertura de mercado no setor proporcionada pelo segmento de comercialização é Max Xavier, presidente da GCS Energia, comercializadora do grupo Guaraniana. Ele afirma que, dada a forte atuação reguladora existente no setor elétrico através da Aneel, seria difícil haver manipulação ou beneficiamento no repasse tarifário entre comercializadoras e distribuidoras. "A idéia de que as comercializadoras atuam como especuladoras no mercado não é correta", diz.
Tanto a Tradener quanto a GCS Energia negociam diretamente com foco em consumidores livres. A comercializadora da Guaraniana – holding que controla a Coelba (BA), Celpe (PE) e Cosern (RN) – articulou a política de compra das três concessionárias no leilão de energia velha do governo, ocorrido em setembro. As empresas compraram 276 MW médios para necessidades próprias, e a GCS Energia, para clientes livres, outros 51 MWh. A Tradener adquiriu 10 MW médios no leilão, também para grandes consumidores.
Valor 07/02
Aneel abre consulta para revisão de tarifas
Talita Moreira , Valor Online, de São Paulo
Todas as atenções do setor elétrico voltam-se hoje para um dos assuntos que mais devem despertar polêmica neste ano: a revisão ordinária de tarifas. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) abre para consulta pública a metodologia de correção para quatro distribuidoras, entre elas a Cemig e a CPFL. Essa primeira leva sinalizará de que forma o órgão regulador pretende conduzir a revisão, principalmente porque se trata de um ano em que o governo terá de suar para cumprir a meta de inflação. Até o fim de 2003, 17 distribuidoras passarão pelo processo.
Também serão apresentadas, no site da Aneel, as propostas para a Cemat (MT), do grupo Rede, e para a Enersul (MS), do grupo EDP.
"O modelo será um marco para o setor porque servirá para as outras distribuidoras também, mas não vai agradar todo mundo", aposta o analista Sérgio Tamashiro, do Unibanco. O critério estipulado pela Aneel para o cálculo da revisão – o valor de reposição dos ativos – causa arrepios nos investidores, que defendiam que a base fosse o preço mínimo pago privatizações. No entanto, pode acabar se revelando positivo para algumas companhias. É o caso da Cemig. Relatório feito pelos analistas Pedro Batista e Rodrigo Barros, do Pactual, mostra que o aumento das suas tarifas ficará em torno de 34% e poderia chegar a até 44%.
"A Cemig é uma das empresas mais bem protegidas com essa metodologia", diz Barros. "Quem se beneficia com esse critério são distribuidoras que fizeram investimentos que eram inviáveis algum tempo atrás, pensando no longo prazo", destaca. A estatal investiu para universalizar o serviço e levar energia às áreas de baixa renda. "Por isso, a Cemig tem uma base ampla de ativos."
Para Barros, o setor privado concentrou suas fichas nos projetos mais rentáveis em vez de investir na universalização. Assim, a revisão para a CPFL, por exemplo, deve significar um índice menor. Para ele, a revisão será favorável para a maioria das empresas. "Desde as eleições o PT tem enfatizado que não quer quebrar contratos." Na avaliação de Marcos Severine, do BBA, alguns fatores podem dificultar uma revisão justa. Além da base de remuneração, a taxa de retorno dos investimentos estipulada pela Aneel e a empresa fictícia criada pelo órgão para rodar o modelo podem gerar distorções. "O sistema é irreal, o que reduziria muito as margens da companhia."