Comentário: Talvez fechando com chave de ouro (mais irregularidades?), complementamos nosso comentário anterior.
Da série “Só mesmo no Brasil”.
- Leilão realizado mesmo com questionamentos sobre a conveniência de fragmentar usina e o canal Pereira Barreto.
- Considerado um sucesso absoluto pela ANEEL, apesar de um só concorrente.
- Não se trata de um certame de aporte de capital. Envolve apenas o aceite de uma remuneração para ser a empreiteira de O&M.
- Estatal em sociedade minoritária sem divulgação de termos da parceria quanto às obrigações e custos.
- Sócios secretos. Sem comprovação de experiência no ramo.
- Uma privatização sorrateira, uma vez que a maioria é capital privado.
- Após intervenção do TCU, ao invés do governo, é a estatal, minoritária que revela os nomes dos fundos financeiros que vão “liderar” a operação da usina.
- Com o mesmo endereço, fundadas na mesma data, sócias do mesmo grupo, empresas de fachada passam a ser titulares da operação e manutenção de uma usina construída pela CESP e que, evidentemente, conhece a usina como nenhum outro.
Só mesmo no Brasil!

Publicação 31/03/2014 às 12:10:05 Atualizado 31/03/2014 às 12:10:05
O governo federal, por meio da estatal Furnas, associou-se a um personagem célebre do governo de Fernando Collor de Mello (1990-1992), Pedro Paulo Leoni Ramos, o PP, para arrematar a concessão de geração de energia da usina hidrelétrica de Três Irmãos (SP), na sexta-feira, 28. Ele e um grupo de sócios são os responsáveis por quatro das cinco empresas que compõem o misterioso Fundo Constantinopla, majoritário no consórcio Novo Oriente, que venceu o leilão.
A composição do Constantinopla foi mantida em segredo nas horas que se seguiram ao leilão. Quem compareceu ao pregão na BM&F Bovespa foi a Cypress, que é a gestora do fundo. O representante dela, Eduardo Borges, disse que não poderia revelar quem eram os outros cotistas.
O leilão ficou ainda mais enrolado no fim do dia, quando o Tribunal de Contas da União (TCU) mandou suspender a assinatura do contrato de concessão. Atendendo a pedido do governo de São Paulo, o ministro José Jorge determinou que nada seja formalizado antes de ficar definido o que acontecerá com as eclusas e o canal de Pereira Barreto, que fazem parte do complexo. Jorge foi ministro de Minas e Energia na gestão de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
O mistério da composição do fundo Constantinopla foi desfeito no fim da noite da sexta-feira, 28. Num comunicado curto, Furnas informou que seus sócios no negócio são: GPI Participações e Investimentos S.A., Goldenbank Participações S.A, Darjan Participações S.A. e Cialo Participações S.A., além da já conhecida Cypress Associates Gestão e Participações Ltda.
Tirando a Cypress, os demais funcionam no mesmo endereço: rua Padre João Manoel, 923, 11º andar, em São Paulo. Três delas (Darjan, Cialo e Goldenbank) foram criadas na mesma data, 31 de março de 2005, e têm como diretores-presidentes pessoas que são sócias na GPI.
Uma demonstração financeira da GPI publicada no Diário Oficial Empresarial, dia 30 de abril passado, não deixa dúvidas sobre a relação entre as empresas. O documento informa que Goldenbank, Darjan e Cialo capitalizaram a GPI em cerca de R$ 1 milhão em 2011. Na outra ponta, demostrações mais antigas da Goldenbank, Darjan e Cialo mostram que essas empresas têm como principal investimento as aplicações na GPI. E deixam claro que o grupo societário é o mesmo.
Pedro Paulo Leoni Ramos aparece como diretor-presidente do Goldenbank. Um de seus sócios da GPI, Ricardo Kassardjian, comanda a Darjan. E outro sócio, João Mauro Boschiero, preside a Cialo.
Em seu site, a GPI informa que atua em projetos de geração de energia térmica, eólica e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). O demonstrativo da empresa informa que ela participa de quatro PCHs como parte de um programa da Cemig e lista em seu caixa uma usina termoelétrica chamada Vila Boa.
O jornal O Estado de S. Paulo procurou as empresas para saber por que foi feito segredo da composição do fundo Constantinopla e por que o mesmo grupo de pessoas, com o mesmo endereço, se apresentou como um grupo de quatro diferentes empresas – atitudes que, por si, não configuram nenhuma ilegalidade. Mas a reportagem não obteve retorno até o fechamento dessa edição.
“Esquema PP”
Pedro Paulo Leoni Ramos foi secretário de Assuntos Estratégicos no governo Collor, o primeiro a comandar a estrutura após a extinção do Serviço Nacional de Informações (SNI). Porém, ele ficou conhecido mesmo por ter sido acusado de comandar, na administração de Collor, um esquema de pagamento de propinas na Petrobras e nos fundos de pensão das empresas estatais, no que ficou conhecido como “Esquema PP”.
A revista Época desta semana informa que 22 anos após o impeachment, PP voltou a influir na Petrobras, mais precisamente na BR Distribuidora. O empresário não respondeu à revista. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.