Furnas estuda abertura na Bolsa – Valor

http://www.valor.com.br/empresas/4393226/furnas-estuda-abertura-na-bolsa

Comentário: Você sempre sonhou em ser sócio de Furnas Centrais Elétricas? Pois seu sonho poderá ser realizado. Segundo o jornal Valor, o executivo de confiança de Dilma Rousseff, Flávio Decat, “estuda” abrir o capital da empresa.

Como não poderia deixar de ser, no país da jabuticaba, aqui também há situações inéditas.

  1. Furnas é uma subsidiária da Eletrobras, que têm ações em bolsa. Portanto, de maneira indireta, você pode ser “sócio” de Furnas comprando ações da Eletrobras, já que ela é a controladora da empresa.
  2. Ao mesmo tempo, regando o pomar de jabuticabas, a Eletrobras declara à CVM que não estuda abertura de capital de Furnas, como noticiado em http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/01/1729411-eletrobras-diz-a-cvm-que-nao-estuda-abertura-de-capital-de-furnas.shtml
  3. A Eletrobrás é a holding de CHESF, FURNAS, ELETROSUL e ELETRONORTE, além das distribuidoras do tipo “osso” que sobraram da privatização do “filé mignon” da década de 90. Portanto, para que fosse possível essa abertura, seria necessário fazer uma “cirurgia” na composição acionária da Eletrobrás. Mas, no pomar das jabuticabas, tudo é possível.

Fora do jabuticabal, geralmente investidores interessados em adquirir ações de uma empresa que abre o capital analisam o histórico de decisões da empresa. Não há um histórico do “valor” de Furnas, mas há o da Eletrobras, que, de maneira indireta indica a situação de Furnas. Como se pode ver abaixo, a Eletrobras não tem um histórico de preço de ações capaz de convencer ninguém. Os gestores precisariam explicar o que aconteceu no final de 2012 que fez a empresa perder 70% do seu valor de mercado. Será que esses gestores agiram a favor da empresa?

Histórico de cotações da Eletrobras.

Outra mania de investidores que não vivem no pomar de jabuticabas, é dar uma olhada na composição de ativos das empresas que querem abrir seu capital.

Como se pode ver abaixo, apenas as usinas Itumbiara, Mascarenhas, Simplício, Santa Cruz, Roberto da Silveira, Subestações, e poucas linhas de transmissão podem ser classificadas como controladas pela empresa. Em todo o resto, mais de 60 iniciativas, Furnas é minoritária. Na grande maioria das linhas e subestações a empresa é uma mera administradora de mão de obra.

É preciso explicar para os desavisados que, no país das jabuticabas, essa estrutura ainda é considerada uma estatal.

 

Na realidade, desde 2003, Furnas aceita passivamente políticas suicidas por parte de seu controlador, o governo Federal. A saber:  Descontratação com obrigação de continuar gerando, leilão de 2004 com preços baixos fixados por oito anos, aceitação de custos de operação e manutenção originados de modelo matemático (abaixo de US$ 4/MWh), politização de seus cargos de direção e outras situações não recomendáveis.

Portanto, além das práticas jabuticabenses, é preciso convencer aos investidores que a empresa tem uma gestão própria e não a dos últimos 13 anos.

Você pode se tornar sócio apenas de um controle remoto.

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2 respostas

  1. Acho que deveria ocorrer a abertura de capital de todas as empresas estatais ou não. Essa seria a melhor maneira de acabar com o apadrinhamento e o cabide de emprego dos governos. Empresas eficientes revertem lucro para o governo.

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