Gazeta Mercantil 20/4/98
Comentário do ILUMINA – Observem as declarações do Dr. Antonio Ermírio de Moraes, sócio principal da VBC, quanto às vantagens da verticalização. E o curioso é que advoga a integração desde a geração até a distribuição, o que é uma verticalização mais "acentuada" do que a existente hoje. Afinal, que modelo estamos seguindo?
A VBC quer agora a geração da CESPEspecialistas da Votorantim passaram 9 horas reunidos para definir o ágio para a Elektro
Márcia Ramo de São Paulo
Terminado o leilão da Elektro as atenções da VBC Energia voltam-se para o futuro pregão da área de geração da Companhia Energética de São -Paulo (Cesp). O negócio de energia continua dentro das prioridades de investimentos do sócio Votorantim o "V " da VBC.
"Faz mais sentido. para nós agora pensar numa integração da distribuição com a geração de energia elétrica e na otimização dessas duas áreas ", disse Antonio Ermírio de Moraes, o principal executivo do grupo Votorantim ao comentar a perda no pregão da Elektro. A empresa americana Enron arrematou a distribuidora paulista, em leilão na última quinta-feira, pagando ágio de 99% acima do preço mínimo.
Segundo Ermírio de Moraes, todos os escritórios de especialistas contratados pela Votorantim seus sócios na VBC e o próprio pessoal da empresa chegaram à conclusão de que, se a empresa ‘ pagasse qualquer coisa acima de um ágio de 28% sobre o preço mínimo da Elektro, seria de dificil o retomo sobre o investimento.
"Nós passamos mais de nove horas reunidos tentando raciocinar em cima dos limites máximos possíveis e fomos para o pregão sabendo que tudo que arriscássemos acima dos 28% seria já dentro de uma margem de risco considerável. Por isso não deixamos de ficar surpresos com o ágio pago pelos vencedores, mas mesmo assim continuamos confiando nas nossas projeções, explicou Ermírio de Moraes. Ele comentou que a decepção interna do seu grupo foi grande por não levar a Elektro, mas o momento é de muita cautela.
Temos que ter muita cautela ao tomar compromissos como esse. O cenário mundial já não é dos mais promissores e mesmo o mercado intemo voltou a dar sinais recessivos de junho para cá. Com as tarifas fixadas no patamar que estão, não poderíamos arriscar mais. Um consolo foi um telefonema de um banqueiro que nos ligou à tarde, para dizer que estávamos certos, porque acima de 28% a 29% de ágio poderíamos comprometer a operação", acrescentou o sócio da VBC.
Todo esforço agora se volta para a futura venda da Cesp. Dentro do grupo Votorantim , aliás, a maior ‘expertise’ é exatamente no ramo de implantação de hidrelétricas. 0 grupo tem 17 usinas próprias, que produzem cerca de 400 MW, consumidos principalmente nas suas fábricas de alumínio e outros metais não-ferrosos, como o níquel eletrolítico.
A VBC já tem uma experiência considerável na geração de hidreletricidade com o controle da usina Serra da Mesa, no estado de Golas. "Uma integração operacional nessa área nos daria boa vantagem comparativa dentro do ramo de geração-, acrescentou Ermírio de Moraes.