Geradoras avaliam pedido de ajuda – Valor Econômico.

Comentário: O modelo mercantil brasileiro não tem memória. O que qualquer pessoa com algum bom senso faria se estivesse frente a esse déficit de R$ 20 bilhões? Com certeza perguntaria: Já ocorreu o inverso? Já houve superávit? Bastaria dar uma olhada nos dados para perceber que o evento mais frequente é exatamente o superávit. E o que ocorre quando há superávit? Basta ver o gráfico do PLD para perceber que, quando ocorre, a Brasil liquida energia por menos de US$ 10/MWh, um recorde mundial. Muitos consultores contratados para complexos estudos tentam estimar o prejuízo atual, mas não citam a evidente não isonomia entre preços de superávit e déficit porque ela é parte do modelo que recebeu o apoio de muitos técnicos de alto nível.

Se o modelo não reconhece esse desequilíbrio de preços, o comportamento de quem atua no mercado é óbvio. PLD baixo? Contratos mensais. Baixo volume de energia? 25% do total negociado, o que não é pouco! Só não vê quem não quer. Gráficos abaixo:

Evolução do PLD

 Número de contratos mensais em função do valor do PLD.


 

 Por Claudia Facchini, Daniela Meibak e Tatiane Bortolozi | De São Paulo

As geradoras iniciaram na semana passada um estudo sobre a queda na produção de energia hídrica neste ano, em decorrência da forte seca no Sudeste. O objetivo é levar o relatório, que deve ficar pronto dentro de 20 a 30 dias, a Brasília para pedir ajuda ao governo federal. Estima-se que o déficit na geração hídrica (fator conhecido pela sigla GSF) custará mais de R$ 20 bilhões neste ano, já que as geradoras terão de comprar energia no mercado de curto prazo para conseguir atender 100% do volume assegurado nos contratos.

O cenário para 2015 também começa a ficar comprometido, na avaliação de analista. O banco HSBC incluiu em suas projeções a possibilidade de um racionamento de 20% no ano que vem.

A Apine (Associação dos Produtores Independentes de Energia Elétrica), a Abiape (Associação Brasileira dos Autoprodutores de Energia) e a Abragel (Associação Brasileira dos Geradores de Energia Limpa) encomendaram um estudo sobre o déficit hídrico para dois consultores, Dorel Soares Ramos e Marciano Morozowski Filho. Os trabalhos foram iniciados na quinta-feira. “Existem várias estimativas, mas queremos ter um número bem embasado para levar a Brasília”, disse o presidente da Apine, Luiz Fernando Vianna.

As simulações apontam que a exposição das geradoras poderá custar entre R$ 13 bilhões e R$ 24 bilhões, dependendo dos preços. De acordo estimativas do setor, as hidrelétricas teriam de gerar 49,9 MW médios este ano, mas vão entregar 46,5 MW médios, representando uma exposição de 7%.

Nem todas as geradoras serão afetadas da mesma forma. As companhias mais descontratadas, como a Cesp, vão se sair melhor, já que não precisam adquirir energia no mercado spot para cobrir posições vendidas. Mas grande parte das geradoras comercializa antecipadamente sua produção e deve ficar descoberta (short).

Na sexta-feira, as ações da Cesp subiram 4%, a maior alta do Ibovespa, depois que o J. Safra elevou o preço-alvo para os papéis, de R$ 25 para R$ 32. O banco reviu sua projeção para os preços da energia no mercado spot, de R$ 127 por MWh para R$ 800 por MWh, e considerou um déficit 5% na geração das hidrelétricas (GSF). “Acreditamos que a Cesp seja a companhia mais bem posicionada”, disse o analista do J. Safra, Sergio Tamashiro.

 

 

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