Governo acelera solução para rombo hidrelétrico – Valor

http://www.valor.com.br/brasil/4112394/governo-articula-solucao-para-hidreletricas

ou leia tudo no clipping:

http://www.duke-energy.com.br/Paginas/DetalheNoticia.aspx?itemListaID=1118

 

Comentário: Rombo hidroelétrico nada mais é do que a dívida das usinas hidroelétricas que, sem gerar um valor pré-definido pelo governo (GF Garantia Física), têm que comprar a energia faltante no “mercado”. Essa dívida é bilionária e já ultrapassa R$ 20 bi.

Portanto, o “rombo” é um déficit. Ora, se existe um déficit, será que em algum outro momento existiu um saldo positivo, ou seja, as hidroelétricas geraram acima desse valor pré-definido? Claro que existiu!

Bem, se existem “sobras” e déficits, não seria óbvio perguntar quanto vale a sobra e quanto vale o déficit? Claro!

Mas…estamos no Brasil! Aqui o óbvio geralmente passa por maus momentos! A impressão que se têm é que quanto mais evidente, mais difícil ser reconhecido.

O gráfico acima mostra duas séries:

No eixo esquerdo, em MW médios, os déficits e saldos que ocorreram desde 2004 até 2015. Em azul escuro quando há sobras, e, em laranja quando há déficits.

No eixo direito, a evolução do PLD, o Preço de Liquidação de Diferenças, preço pelo qual são valorados as sobras e os déficits no bizarro modelo brasileiro.

Não é preciso ser muito inteligente e perspicaz para perceber que os déficits são muito mais valorizados do que os saldos.

O exemplo máximo dessa jabuticaba brasileira é o período janeiro/2009 – setembro/2012 (*), quando, por ordem da lógica operativa, a geração hidráulica bateu recordes esvaziando reservatórios. Nesse período, marcado com as setas, a energia sobrante das hidráulicas foi valorizada em cerca de R$ 7 bilhões (MWh x PLD).

Evidentemente, como se pode perceber na curva vermelha do PLD, os valores chegaram a irrisórios R$ 12/MWh. Não é preciso ser nenhuma “mulher sapiens” para ver que o déficit atual (iniciado em 2014) chegou a ser valorizado a R$ 822/MWh. Ou seja, seriam necessários 68 MWh do período de sobras para pagar apenas 1 MWh do período de déficit.

É só fazer a conta e ver que a dívida atual está no entorno de R$ 27 bilhões.

Por que essa dívida significa muito mais do que um problema para os geradores? Porque uma usina, com sua barragem, suas turbinas e seus geradores pode ser privada, mas a água dos rios é pública. É preciso perguntar quem pode “comprar” MWh a preços 40 vezes menores do que os que são cobrados hoje dos consumidores. É esse o modelo incapaz de reconhecer essa obviedade que está implantado no Brasil.

(*) Setembro de 2012, por uma incrível coincidência, é a data do anúncio da MP 579 que baixou tarifas na marra. Reparem que, depois dessa data, seguraram as hidráulicas e “sentaram o pau” nas térmicas. Agradeçam a isso as suas bandeiras vermelhas na conta de luz.

 

 

Categoria

4 respostas

  1. Roberto,

    Entendo que a vontade que está faltando é política e ela está associada interesses em manter não só o modelo mercantil, mas principalmente a estrutura formada pelo ONS, EPE e ANEEL.

    Concordo com o Prof. Feijó quando ele diz que a conta vai para os consumidores em geral, mas ressalto que isto está de acordo com uma velha prática de democracias capengas, existente em qualquer lugar do mundo, de privatizar os lucros e socializar os prejuízos.

    Enquanto não for alterado o modelo e a estrutura vigente vão continua criando remendos ou resolvendo os problemas com jabuticabas, só que isto tem um limite e devemos nos lembrar de que a marola de hoje pode tornar-se um tsunami amanhã.

  2. Oi Roberto. Pela operação do ONS não duvido nada que talvez vamos “resolver” o problema com outra jabuticaba… Despacho térmico no máximo e revisão da carga para jogar o PLD pra baixo. E haja chororo dos consumidores depois.

  3. Pois é Roberto.
    Como você sempre Coloca, haja jabuticaba. O que impressiona e a falta de vontade ou coragem de se resolver o problema real do setor elétrico brasileiro. Vai sempre um remendo atrás do outro. Até quando?
    De qualquer modo, a “solução” neste caso está muito de acordo com a velha prática do capitalismo a brasileira – “privatize-se os lucros e socialize-se os prejuízos.” Pode ficar certo, no final a conta vai para os consumidores em geral.

    1. Feijó:

      Seu comentário nos leva a concluir que há outros problemas além dos técnicos que sempre levantamos aqui. Temos que estar atentos a um estado de torpor complacente que toma conta das leis, das regras, dos políticos, dos consumidores e dos cidadãos brasileiros. A convivência com absurdos não é novidade em outros setores e não poderia estar ausente do nosso outrora eficiente setor elétrico.

Deixe um comentário para Guilherme Villani Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *