Análise do ILUMINA: O custo marginal é a mudança no custo total de produção advinda da variação em uma unidade da quantidade produzida. O custo marginal representa o acréscimo do custo total pela produção de mais uma unidade, podendo ainda dizer-se que é o corresponde ao custo da última unidade produzida.
Matematicamente, a função de custo marginal é expressa como a derivada da função de custo sobre a quantidade total produzida, como segue:

Tudo isso ocorre no mundo da economia e finanças. Mas, no Brasil, no setor elétrico brasileiro, apesar da pompa e circunstância das decisões baseadas na teoria marginalista, o custo marginal é um marginalizado, um excluído, um abandonado. Ninguém leva a sério.

Assim, no nosso bizarro mercado livre, o PLD (preço de liquidação de diferenças), que é considerado “referência” pelos agentes do mercado, trata o verdadeiro custo marginal como um custo “por fora”. Atualmente, o PLD vale quase a quarta parte do real.
Tudo isso seria apenas uma curiosidade sobre as jabuticabas absurdas que florescem no Brasil se não causasse prejuízos aos consumidores que são obrigados a pagar pela diferença entre o custo marginal do mercado e o custo marginal real marginalizado.
Nas palavras do presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética) a anormalidade é normal.
Governo estuda retomar despacho térmico por custo de combustível
Proposta sinaliza retomada da normalidade, com mais usinas desligadas e operação por ordem de mérito, segundo Tolmasquim
[22.03.2016] 12h12m / Por Fabio Couto
O governo estuda retomar a operação do parque gerador dentro do critério da ordem de mérito, que determina a geração térmica a partir do custo do combustível, disse o presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim, nesta terça-feira (22/3).
Segundo ele, o governo deve realizar reunião, ainda sem data definida, a fim de debater o tema, que na prática, restabelece o modelo tradicional de operação. Para Tolmasquim, o momento atual é favorável para tal decisão, mas ponderou que a decisão depende da visão das autoridades energéticas sobre o ideal para o sistema elétrico.
Atualmente, todas as térmicas com custo variável unitário (CVU) de até R$ 211/MWh estão em operação, indiscriminadamente. No auge da crise energética, todas as térmicas estavam ligadas, e o desligamento começou a ocorrer com a melhora gradativa do cenário de armazenamento.
Com o Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) mais baixo, o retorno à ordem de mérito pode determinar mais desligamento de térmicas, aliviando o custo do combustível que é repassado para as tarifas por meio do Encargo de Serviços do Sistema (ESS).
“Já estamos em condições de adotar a ordem de mérito. É uma questão de visão de risco”, explicou Tolmasquim, após participar do evento que abriu a “Semana Brasil-Reino Unido de Baixo Carbono”, realizado pela embaixada britânica, no Rio de Janeiro.
O presidente da EPE ressaltou, porém, que mesmo que a ordem de mérito seja retomada, ele não vê problemas em religar térmicas caso a hidrologia no período seco, que tem início em abril, fique abaixo do previsto.
Inicialmente foram desligadas usinas com CVU de R$ 600/MWh, caindo para R$ 450/MWh, e depois para os R$ 211/MWh, trazendo a indicação de bandeira tarifária de vermelha para verde.
3 respostas
Complementando o Prof. Adilson:
“E la nave va … senza rotta”
Enquanto isto a revisão das garantias físicas vão ficando no passado. O ONS não utiliza mais os “comandos” do modelo, fazendo sua gestão na base do “feeling”. E priorização por fontes que gerem na base vão ficando para trás.
As “otoridades”setoriais não sabem o que fazer com o “modelo” que criaram.
A regulação por “puxadinhos” seguirá sendo adotada para acomodar as óbvias distorções provocadas por “puxadinhos”anteriores.
Novos “puxadinhos” virão enquanto as “otoridades” puderem continuar repassando os enormes custos desses “puxadinhos” para a sociedade.
Quosque tandem abutere Catilina patientia nostra?
E la nave va…