Governo tenta esvaziar alerta de consultor sobre riscos no setor – Valor

Comentário: Imagine a seguinte situação:

 De repente, a gasolina, que  custa R$ 3/L, passa a custar R$ 18/L. Você tem um carro a gasolina, não há substituto para esse combustível e você precisa decidir o que fazer.

  • Você pode cancelar aquela viagem para o Sul.
  • Você pode deixar de ir de carro para alguns lugares.
  • Você pode passar a dirigir com mais economia.
  • Você pode tentar usar o carro em horários sem engarrafamentos. (embora seja quase impossível, hoje)

Enfim, você pode cortar os supérfluos, o consumo extra que não signifique um enorme sacrifício.

Mas, o absurdo não termina ai. O governo sabe que a “gasolina” está custando R$ 18/L, mas não deixa você ver. Você está sendo obrigado a “pendurar” a diferença para ser paga em 2015…..com juros!

Hoje, essa analogia está ocorrendo no setor elétrico. Ao invés de R$ 130/MWh, você está pagando, sem saber, R$ 822 por cada MWh extra que você consome, pois o governo colocou uma venda nos seus olhos.


Rodrigo Pollito e Elisa Soares

A cúpula energética do governo Dilma Rousseff se articulou ontem para rebater os alertas sobre a situação crítica do sistema elétrico feitos pela consultoria PSR, presidida por Mario Veiga, consultor renomado do setor e que auxiliou o próprio governo em diversas situações.

Com um discurso alinhado, e com tom político em alguns pontos, em que não foi pronunciada em nenhum momento a palavra “racionamento”, o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, e o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, se concentraram em “minar” os argumentos de Veiga sobre os problemas do setor.

“A partir do momento que as empresas de distribuição e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) começaram a conversar com o ministério sobre as preocupações, desde o ano passado, junto com as equipes do ministério e Aneel [Agência Nacional de Energia Elétrica], não houve gênios com solução miraculosa. Houve equipes que se debruçaram sobre o problema”, afirmou Zimmermann, na abertura do 11º Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico (Enase), principal evento do setor no país.

Para alguns participantes qualificados da plateia, que reuniu os principais nomes do setor elétrico, o “gênio” mencionado no discurso de Zimmermann seria o presidente da PSR. O secretário-executivo do MME citou a palavra “gênio” seis vezes em sua fala.

Enaltecendo a qualificação de técnicos do setor, Zimmermann disse, em tom político, que a energia se transformou em tema nacional e ” tem grandes desafios em termos de comunicação”.

Antecipando números que serão apresentados hoje na reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) – a primeira após o fim do período chuvoso -, em Brasília, os membros do governo tentaram passar uma mensagem de tranquilidade com relação ao abastecimento de energia elétrica do país.

“Estamos caminhando cada vez mais para um ambiente mais tranquilo. As projeções antecipadas aqui já são melhores do que eram as outras. Estamos em um cenário de atenção ainda. Temos que acompanhar. Mas é um cenário mais confortável e vamos torcer para que continue assim”, disse Tolmasquim.

Um dos dados considerados positivos por Tolmasquim foi a elevação, de 15% para 18%, da previsão do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para o nível de armazenamento dos reservatórios do subsistema Sudeste/Centro-Oeste, o principal do país, em novembro. A projeção considera um volume de chuvas de 79% da média histórica para o período de abril a novembro.

Outro dado, apresentado pelo secretário-executivo, é o risco de haver qualquer déficit de energia em 2014 de 6,7%. Segundo ele, considerando o efeito das séries históricas nessa análise, o risco cai para apenas 3,7%. Zimmermann afirmou que esse risco é “seis vezes menor” do que em 2001, quando foi decretado racionamento de energia.

Compartilhando da afirmação de Zimmermann e contrariando as projeções da PSR, de que há um déficit estrutural da ordem de 2 mil megawatts (MW) médios no sistema, Tolmasquim voltou a dizer que há um equilíbrio estrutural. “Não tenho dúvidas que, seja pelos dados de expansão da capacidade instalada, muito além do consumo, seja pela diversificação da matriz energética e pelo aumento dos intercâmbios, nós temos equilíbrio estrutural”, completou ele.

Em entrevista a jornalistas, Tolmasquim reafirmou que o governo tomará medidas de racionamento ou de racionalização de energia se julgar necessário.

“Ninguém vai se furtar a tomar nenhuma medida, se necessário for. O que não pode é tomar uma medida precipitada, porque a precipitação tem um custo também. É preciso haver indicadores claros de que isso é necessário. E hoje os dados que estão sendo apresentados pelo operador do sistema não indicam essa necessidade”, afirmou Tolmasquim.

Com relação à expectativa do mercado de impacto nas tarifas de energia em 2015, depois das eleições presidenciais, Zimmermann afirmou: “já cansamos de dizer que temos fatores redutores [da tarifa], como aqueles quase 5 mil MW médios que estarão vencendo e entrarão em regime de cota e [isso] já começa em janeiro”.

Sobre as indicações feitas pela PSR de que os dados oficiais sobre as vazões das hidrelétricas do Nordeste estão errados, entre outros fatores pelo assoreamento dos lagos, o presidente da EPE afirmou que essa é uma “hipótese”, mas que seria precipitado considerar que os dados utilizados estão errados. Segundo ele, a Agência Nacional de Águas informou que não há problema na vazão nos reservatórios.

Adotando uma postura mais contida e técnica, o diretor-geral do ONS, Hermes Chipp, disse que o órgão está realizando estudos para elaborar uma nota técnica sobre o assunto. Ele acrescentou que, ao fim do estudo, convidará o presidente da PSR para conversar sobre o tema.

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