Governo vai incentivar gás e biodiesel. Petrobrás se posiciona.

Lula quer auto-suficiência em gás


OCNPE-Conselho Nacional de Política Energética reúne-se amanhã para anunciar medidas que garantam a “independência” do país na oferta de gás natural, em um prazo de 3 a 4 anos.


Serão divulgadas ações para estimular o consumo de biodiesel e outros biocombustíveis, declarou a ministra Dilma Rousseff.


Serão avaliados programas de curto e médio prazos. Independência significa, explicou, providenciar a oferta necessária para atender a demanda atual de gás natural, mesmo sem atender de imediato o consumo futuro.


Segundo Dilma os planos incluem a antecipação de investimentos nas bacias de Campos, Santos e Espírito Santo. Essa determinação partiu do próprio presidente da República.


PETROBRÁS QUER INDEPENDÊNCIA DO GÁS


O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, disse que a empresa tem condições de acelerar a produção de gás no País. A empresa, que previa investir US$ 16 milhões em gás de 2006 a 2010 e aumentar a oferta ao mercado de 25 milhões para 70 milhões de metros cúbicos por dia – estuda aumentar o montante no plano de negócios para 2007 a 2010.


“A crise mostra a necessidade de diversificação de fontes de energia. Destaco a importância das fontes alternativas, particularmente do biocombustível, assim como a bionergia”.


O diretor financeiro da Petrobrás, Almir Barnassa, admitiu a possibilidade de a Petrobrás rever sua política de atuação nos países da América Latina, em função da crise com a Bolívia. O diretor de Gás e Energia, Ildo Sauer, salientou que a Bolívia é dependente hoje do Brasil na questão do gás e que não haverá problema de fornecimento para o País. “Se houver a interrupção (nas exportações de gás), ou seja, se a Bolívia quebrar o contrato com o Brasil, o país fica sem óleo e sem receita e o povo não quer isso. O governo cai em três meses“, disse Sauer, a respeito do presidente Evo Morales. Ele lembrou que o petróleo usado na Bolívia é extraído com o gás. Ou seja, os cortes na produção de gás criam risco de desabastecimento de combustíveis no país andino.


O presidente da AEPET, Heitor Pereira, parabenizou a Petrobrás por investir em solo brasileiro. “O neoliberalismo deu um enfoque errado para a empresa e o Brasil passou a ter políticas subimperiais porque passou a ter interesses estratégicos em outro país soberano. Hoje grande parte do PIB boliviano está nas mãos de estrangeiros. A Petrobrás poderia ter contratos técnicos com as estatais sul-americanas para aumentar a receita e investir, maciçamente no Brasil, cujo solo é rico em recursos energéticos. Daqui a pouco vamos ter também reações nacionalistas na Argentina e como vamos reagir?”, perguntou Heitor. (AEPET)

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