Incentivo discutível

GOVERNO INCENTIVA ESTRANGEIRO A FAZER ETANOL NO BRASIL


O Governo Federal está disposto a permitir que os países cujos climas não sejam adequados para a produção de cana-de-açúcar venham a produzir etanol no território brasileiro tanto para o uso interno como para exportação.


Segundo o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, as empresas estrangeiras não poderão ser donas de terra, mas investir no cultivo e na industrialização através das usinas de etanol. A venda de equipamentos fabricados no País também será negociada. Rodrigues contou que toda semana recebe ministros, embaixadores ou investidores de outros países interessados em importar ou produzir etanol.


A exportação a outros países também terá como conseqüência uma maior venda de veículos bicombustíveis fabricados no Brasil“, disse o ministro.


Em artigo publicado no jornal “A Nova Democracia”, o economista Adriano Benayon alertou que a energia da biomassa é estratégica, mas a questão reside em quem vai estar comandando o programa.


Se os brasileiros não controlarem a produção e o comércio da biomassa, esta se somará a outros setores do agronegócio e à extração mineral como mais um a desperdiçar recursos naturais sem proveito para o capital nacional e para o trabalho“, escreveu Benayon. Ele lembrou que a produção de biomassa é intensiva de trabalho, enquanto a do petróleo é de capital.


Dobrando-se a área, no caso do etanol, o incremento nos empregos é de 400 mil. Para as oleaginosas, são 1,2 milhão, multiplicados por 1,5 (dada a maior intensividade de mão-de-obra). Isso resulta em 1,8 milhões de empregos nos óleos e 2,2 milhões no total. Estimando-se três empregos indiretos para cada um desses, são 8,8 milhões, o suficiente para eliminar quase todo o desemprego computado nas estatísticas oficiais“, acrescentou.
(O Globo/A Nova Democracia/AEPET)

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