Indústria quer vender sobra de energia em leilões públicos, diz agência – Folha – 04/04/14

Comentário: Vejam como é fácil fazer um truque de mágica no nosso sistema!

Sobra de energia? Onde? Por acaso alguém guardou energia em baterias? Por acaso alguém tem um reservatório clandestino cheio pronto para gerar kWh?

Na realidade não há sobra de energia! O que há é o direito de consumir energia num sistema que se esgota. Se alguém vende esse direito, transferindo seu consumo para outro, o sistema continua em esgotamento. Se algumas indústrias estão reduzindo sua produção porque não vale a pena pagar R$822/MWh e o sistema continua esgotado, se essa indústria comprar o direito de outro, troca-se 6 por meia dúzia.

Para os cidadãos, apavorados como pesadelo do racionamento, a única alteração dessa expectativa ocorreria se o governo “comprasse” esse direito e o anulasse em termos de consumo. Ou seja, compra-se o direito e não se consome. Ao invés de jogar mais dinheiro pelo ralo, porque não iniciar imediatamente um plano de diminuição da carga? SE não houver racionamento, que mal há em termos economizado alguns MWh?

Toda essa conversa que parece ser uma solução para enfrentar o racionamento físico, na realidade, ocorre no mundo virtual dos contratos. É simplesmente um truque de mágica barato!


DA REUTERS

Grandes empresas industriais do Brasil querem vender sobras de energia em leilões públicos para o mercado atendido pelas distribuidoras de eletricidade e estão conversando com o Ministério de Minas e Energia sobre o tema, afirmaram fontes do setor elétrico.

 A Abiape (Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia) em conjunto com a Abrace (Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres) conversam informalmente com representantes em Brasília sobre o interesse de empresas associadas em oferecer a sobra de energia em leilões, com entrega a partir de 2015.

 Os associados da Abiape são Alcoa, ArcelorMittal, CSN, Eneva, Gerdau, InterCement, Odebrecht Energia, Samarco, ThyssenKrupp, Vale e Votorantim Energia. Entre os associados da Abrace estão GM, Dow, Fibria, CSN, Braskem, ArcelorMittal, Alcoa, Anglo American e Bayer.

 Os autoprodutores associados à Abiape participam de diversos empreendimentos de geração que totalizam 22.759 MW de potência instalada, dos quais 8.744 MW são específicos para o consumo próprio. Desse total, 7.184 MW já estão em operação no país em 37 hidrelétricas, 17 termelétricas e 8 PCHs.

 Já as indústrias associadas à Abrace são responsáveis pelo consumo de aproximadamente 20% da energia elétrica produzida no país, o que corresponde a 45% do consumo industrial de energia, segundo a associação.

 MAIS ENERGIA

 O vice-presidente da Abiape, Cristiano Amaral, explica que já existem sobras de energia na indústria, mas que também poderia haver um planejamento para reduzir o consumo e oferecer mais energia.

 Segundo ele, parte das sobras de energia existentes estão relacionadas com projetos de ampliações industriais que estavam programados, mas não foram executados.

 “Não teria que ser um leilão exclusivo, mas que o governo pudesse abrir um novo produto [em leilões], com entrega a partir de janeiro de 2015 e que a gente pudesse participar dessa forma”, disse Amaral.

 O presidente da Abrace, Paulo Pedrosa, confirmou que a entidade vem conversando com o ministério, em conjunto com Abiape, sobre a possibilidade de os associados de ambas poderem oferecer sobra de energia em leilões para o mercado regulado.

 A venda de energia pela indústria seria mais uma oferta para ajudar a cobrir a descontratação das distribuidoras de energia, que é superior a 3,3 gigawatts (GW) médios atualmente. Diante disso, as distribuidoras estão tendo que arcar com fortes gastos para contratar energia mais cara relacionada à geração térmica no curto prazo.

 O governo federal irá promover em 30 de abril um leilão de energia existente com o objetivo de cobrir essa descontratação, mas Amaral, da Abiape, disse que não deve ser possível viabilizar a participação da indústria já para este leilão.

 O leilão de energia A-0 permite que, para o produto “por quantidade de energia”, das hidrelétricas, a comprovação de lastro de venda se dê por meio de terceiros, mediante contratos de compra de energia e potência. O prazo de suprimento desses contratos que servirão como lastro deverá ser compatível com o prazo do leilão e o empreendimento de geração deverá ser identificado.

 Segundo uma fonte do governo que trata diretamente do assunto, os leilões de energia excedente de autoprodutores e de consumidores livres é uma pauta a ser analisada, mas no futuro. “Agora estamos focados em viabilizar o leilão A-0. Mas esse assunto não está descartado. É uma possibilidade a ser examinada futuramente”, disse a fonte.

 

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