Invasão mineira

Cemig liquida sua parte na compra da Light e avalia novas aquisições


A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) liquida hoje a fatura da compra da Light, cerca de R$ 160 milhões por 25% de participação no consórcio que assumirá o controle, e já se prepara para novas aquisições. “As boas oportunidades de aquisição vão aparecer nos próximos dois, três anos”, afirmou o superintendente de relações com investidores, Luiz Fernando Rolla. “Queremos ser rápidos para ficar com as melhores.”


A meta da estatal mineira é atingir 20% de participação no mercado nacional de distribuição de energia, que é o limite legal permitido para uma mesma distribuidora. Com a aquisição da participação na Light, a Cemig tem hoje cerca de 10% deste mercado.


A avaliação do executivo da Cemig é de que o setor passará por uma intensa consolidação, que resultará numa redução das atuais 35 distribuidoras para não mais do que oito grandes empresas. Segundo ele, a Cemig quer estar à frente neste processo.


A companhia planeja operações de rolagem da dívida, como a emissão de R$ 1,2 bilhão em commercial papers, para viabilizar novas aquisições.


Para quitar sua parte na compra do controle da Light, a Cemig reforçou o caixa com a venda da Way TV, empresa de televisão a cabo com atuação em Minas Gerais. A venda por R$ 131 milhões ficou bem acima do preço mínimo do leilão, de R$ 80 milhões. Os recursos que cabem a Cemig na venda serão suficientes para quitar metade da fatura da Light.


Embora tenha registrado recorde nas vendas de energia num trimestre, comercializando 12,5 milhões de megawatts entre abril e junho deste ano, a companhia energética fechou o balanço do segundo trimestre com queda de 33% no lucro líquido na comparação com o mesmo período do ano passado. O resultado líquido do período foi de R$ 325 milhões. No balanço semestral, o resultado líquido foi de R$ 665 milhões, 36,2% menor que o do mesmo período do ano passado.


De acordo com o superintendente, a queda do lucro pode ser explicada pelo aumento de 23,6% nos custos operacionais e pela distorção no balanço do ano passado provocada pelo reconhecimento de uma receita extraordinária com reajuste tarifário. No ano passado, a Aneel acatou pleito da Cemig, elevando de 31,5% para 44% o reajuste tarifário de 2003. O reajuste resultou numa receita extraordinária contábil de R$ 591 milhões no balanço do primeiro semestre de 2005, que fez aumentar artificialmente o lucro do período.


I.Moreira, Valor

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