Leilão de hidrelétricas deverá ter estrangeiros e empresas em busca de energia – REUTERS

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Comentário: Realmente, está provado que o governo, que sempre se colocou contrário à privatização, pretende o aniquilamento do grupo Eletrobras. Afinal, como “exterminá-la” sendo privatizada?

A confusão causada pela artificial redução de tarifas nem terminaram de ser digeridas e as regras mudaram mais uma vez! Sobre as usinas atingidas pela MP 579 de 2012, infelizmente transformada na lei 12.783/2013, a imposição de uma tarifa por modelo matemático fixou preços menores que US$ 3/MWh para as usinas Funil, Boa Esperança, Corumbá I, Estrito, Furnas, Marimbondo, Itaparica, Xingó e Paulo Afonso (todas Eletrobras).

A metodologia usa apenas dois números para dizer qual é o preço da energia de cada usina, a capacidade instalada e a “garantia física”. Segundo os gênios da ANEEL, o número ou tipo de turbinas é desnecessário. Variáveis ambientais também são inúteis. Se a usina tem automação ou não….também desprezível.

Bem, se tal genialidade considera que uma usina de 400 MW com duas máquinas de 200 tem exatamente o mesmo custo de operação e manutenção do que uma outra com 8 máquinas de 50MW, tudo é possível. 

Pior! Se essas usinas não conseguem gerar outro número “genial” chamado garantia física, problema do consumidor! Que comprem kWh a preço de brioches!

Agora, que diminuiu o estoque de usinas da Eletrobras, os sabichões resolveram mudar a regra. Agora, existem usinas velhas do A e usinas velhas do B. Nessas últimas, os gênios vão doar 30% da energia para ser vendido a vontade mediante uma “colaboração” com o erário.

Quer dizer que aquela história de que “o povo já pagou pela usina”, já era! O “povo” vai pagar mais, dado que ninguém é idiota de perder dinheiro. Além disso, vai ver a usina amortizada vendendo energia no bizarro mercado brasileiro onde variações de preço já registraram 7.000 %!

Como é fácil transformar asneiras em leis no Brasil!


 

 

Novas regras, publicadas na 2a, dispensam experiência em operação de hidrelétrica

SÃO PAULO – O governo alterou as regras do leilão no qual oferecerá ao mercado a concessão de uma série de hidrelétricas antigas, com o objetivo de atrair investidores estrangeiros e aumentar a disputa na licitação, que acontece em 30 de outubro e é vista também como boa oportunidade para indústrias com grande consumo de energia.

Ainda assim, há dúvidas sobre o nível de competição devido às preocupações com a atratividade de investimentos no Brasil, que acaba de ver a agência de classificação de risco Standard & Poors rebaixar a nota de crédito do país, que não possui mais o chamado “grau de investimento”.

O vencedor da concorrência por lote de usinas aceitará pagar uma bonificação de outorga ao governo em troca de poder comercializar até 30% da energia produzida, enquanto os 70% restantes serão vendidos para as concessionárias de distribuição a preços regulados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Com as novas regras, publicadas na segunda-feira no Diário Oficial da União, não é mais exigido que os proponentes tenham experiência na operação de hidrelétricas no Brasil; além disso, os interessados poderão montar consórcios com outros perfis de investidores, desde que no grupo exista uma empresa com experiência em operar e manter usinas, com participação mínima de 30%.

“A ideia foi abrir uma oportunidade para atrair o investidor estrangeiro… existe uma preocupação muito grande do governo em conseguir aumentar o número de competidores e realmente ter uma disputa interessante”, disse a sócia na área de energia do escritório de advocacia TozziniFreire, Heloísa Ferreira Scaramucci.

Para a sócia-diretora da consultoria Thymos Energia, Thaís Prandini, o atual cenário econômico, com o real desvalorizado e elevadas taxas de juros locais, favorece a atração de empresas de fora.

“Temos um capital muito maior no estrangeiro do que (à disposição) dos grupos brasileiros”, apontou Thaís, destacando que o certame oferece uma oportunidade com baixo risco para que estrangeiros entrem ou ampliem a participação no mercado.

Entre os players que poderiam aparecer na licitação, Thaís cita investidores chineses, que se tornaram presença constante no setor elétrico brasileiro, bem como grupos europeus e até mesmo canadenses.

Antes das novas regras, era permitida a entrada no leilão apenas de empresas com ao menos cinco anos de experiência na operação e manutenção de hidrelétricas no Brasil.

NEGÓCIO INTERESSA A GRANDES INDÚSTRIAS

Para o professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IE-UFRJ), Adilson Oliveira, o certame oferece oportunidades que “em condições normais seriam muito atrativas”, mas o atual momento macroeconômico e político deixa grandes dúvidas sobre o resultado.

Com o preço da energia elétrica em alta depois de dois anos de seca e intenso uso de termelétricas, que são mais caras que as hidrelétricas, ele vê indústrias com grande demanda por eletricidade como potenciais interessadas em se associar a elétricas e disputar a concessão das usinas para garantir suprimento a custos mais competitivos.

Ele disse que essas empresas poderiam até mesmo salvar o leilão caso as atuais preocupações com a economia brasileira afastem elétricas estrangeiras.

“Para grandes empresas, que consomem energia de forma intensiva, como mineradoras e produtoras de alumínio, pode ser uma oportunidade, já que elas têm uma demanda garantida”, apontou.

Na Abiape, associação que reúne indústrias de porte que investem em energia para atender a própria demanda, o vice-presidente Cristiano Amaral afirmou que esse é um negócio que faz sentido para essas companhias.

“É uma energia que já começa a gerar receita no dia seguinte, então é interessante, sem dúvida… mas essas empresas precisariam fazer uma composição com um produtor independente de energia, porque não é do interesse delas vender energia, apenas ter (suprimento) para eles mesmos”, explicou Amaral.

ELÉTRICAS BRASILEIRAS NO PÁREO

Além de eventuais competidores internacionais e do eventual interesse de indústrias eletrointensivas, o certame deve atrair também elétricas nacionais, principalmente aquelas que controlavam as usinas que farão parte do leilão até o vencimento dos contratos de concessão.

Essas companhias, que incluem Cesp, Cemig e Copel, além de Furnas, do Grupo Eletrobras, seguem com as usinas até o leilão. Depois, elas devem fazer a transição para o novo concessionário, a não ser que apresentem o melhor lance no certame.

Tanto Cemig e Cesp quanto Copel já revelaram interesse em disputar o certame para continuar à frente de suas usinas e não enfrentar uma brusca redução de receitas.

Há dúvidas, no entanto, sobre qual seria o poder de fogo dessas empresas para a disputa, uma vez que o governo pretende arrecadar cerca de 17 bilhões de reais com as bonificações de outorga.

“Não vejo essas empresas entrando sozinhas (sem parceiros) nisso. Acho que a situação financeira de todas elas é de necessidade”, afirmou Adilson Oliveira, da UFRJ.

Já Thaís, da Thymos, acredita em maior interesse das atuais concessionárias pelas usinas de maior porte, como Três Marias, da Cemig, que está no Lote D do leilão, e as de Jupiá e Ilha Solteira, da Cesp, ambas no Lote E.

Serão ofertadas no total 29 usinas, em cinco lotes, sendo a menor delas a hidrelétrica Sinceridade, com apenas 1,4 megawatt, e a maior, a de Ilha Solteira, com 3,4 mil megawatts em potência instalada. A oferta vencedora para cada lote será a que combinar o menor preço de energia para as distribuidoras e o maior bônus de outorga, que irá para os cofres públicos.

 

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2 respostas

  1. Roberto,

    Quando os interesses do País e de seu povo são tratados desta maneira nós podemos prever onde chegaremos ao fim desta transição.

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