Leilão de privatização da Celg D acontece hoje – Valor

Análise do ILUMINA: ATENÇÃO: Quem já leu, vale a pena consultar nosso comentário após a venda ocorrida ontem ao final desse texto!

Empresas que atuam em setores elétricos no mundo inteiro são consideradas investimento de baixo risco, uma vez que a energia elétrica é um serviço essencial para o mundo moderno.

Essa é uma das razões pelas quais muitos estados americanos ainda adotam a “return rate regulation”. Dada a previsibilidade das receitas e a atuação em situações monopolistas, empresas privadas definem suas tarifas em função de uma contabilidade conhecida como custo do serviço fiscalizada pelas agências reguladoras e estão satisfeitas com esse sistema.

É necessária muita falta de rumo e muita instabilidade de regras para transformar esse setor em algo tão “arriscado” como estamos assistindo no Brasil.

O caso da CELG revela que créditos tributários de ICMS, receitas estaduais que deveriam cobrir outras carências, serão “doados” ao processo de privatização da CELG. Como se pode perceber, o setor privado está cobrando um alto “prêmio” para adquirir uma distribuidora brasileira.

O estado de Goiás consumiu em 2015 cerca de 15 TWh. Toda essa energia foi distribuída pela CELG. Se o preço mínimo da empresa passou a ser R$ 1,79 bilhão, o novo dono está pagando R$ 121 por cada MWh comercializado em apenas 1 ano. Na classe residencial, a tarifa da entrega de 1 MWh em 2016 é de R$ 460,00 quase quatro vezes o que o futuro dono pagará pelo direito de distribuir esse MWh. Em apenas um ano!

Evidentemente essa é uma conta apenas indicativa, pois há dívidas e problemas advindos das privatizações da década de 90 quando a empresa fez o péssimo negócio de se desfazer de sua única usina (Cachoeira Dourada). Mas, mesmo assim, pode dar uma ideia do estado de “desespero” no qual o Brasil está vendendo seus ativos. E pior! Sem uma definição sobre o modelo do setor que só apresenta alegrias para os advogados.


 

Mostrando que a conta indicativa apresentada no parágrafo anterior não estava assim tão “inválida”, a CELG foi vendida para a ENEL por 2,187 bilhões. Como acreditamos não haver ingênuos nesse setor, até eles acharam que era um excelente negócio. O ponto que chega a ser quase uma piada é que a usina Cachoeira Dourada pertence à ENEL. Essa usina era da CELG e foi vendida na nossa primeira epidemia de privatizações sem “know how”. Apenas mais um péssimo negócio para o estado brasileiro.  ATENÇÃO: Não estamos demonizando a privatização! Estamos apenas lembrando que é preciso saber fazer. Basta realizar um Raio X do que foi feito até agora para encontrar encontrar vestígios de “estado” em muitos subsídios, parcerias e regulação frouxa. 


 

Por Camila Maia e Cláudia Schüffner

O primeiro leilão de privatização do governo de Michel Temer acontece hoje, às 9h, com a expectativa da licitação bem sucedida da Celg Distribuição (Celg D). O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) confirmou ontem o recebimento de no mínimo uma proposta que atendeu os requisitos do instrumento convocatório. Não foi informado, porém, se foi apresentada mais de uma proposta de aquisição da distribuidora goiana. Essa será a segunda tentativa de privatização da Celg D, que tem como acionistas a Eletrobras (51%) e o governo do Estado de Goiás (49%). Na primeira ocasião, em agosto deste ano, o leilão foi cancelado pela falta de interessados.

Isso aconteceu devido ao preço mínimo atribuído ao ativo, estabelecido ainda no governo de Dilma Rousseff, que foi considerado muito caro pelas empresas potencialmente compradoras. Com o cancelamento da disputa, o governo foi obrigado a rever o preço, que saiu de R$ 2,8 bilhões para R$ 1,792 bilhão. O novo cálculo leva em conta o valor de mercado da companhia em R$ 4,5 bilhões e a dívida de R$ 2,656 bilhões. Há cinco companhias que se destacam entre as potenciais compradoras, por terem participado de reuniões com o governo e acessado o pacote de dados (“data room”) da distribuidora goiana: CPFL Energia, Equatorial, Enel, Iberdrola (Neoenergia) e Energisa.

A Energisa tem forte atuação na região Centro­Oeste, e é vista como uma das empresas que teriam ganhos com sinergia com a aquisição. Recentemente, porém, o presidente da companhia, Ricardo Botelho, disse que não havia uma definição sobre o tema. O preço ainda considerado alto pode ser um obstáculo para que o ativo atraia a atenção de mais compradores. Apesar da redução, a Celg D continuou com uma avaliação medida pela relação entre valor de mercado e base de ativos regulatória (EV/RAB) de mais de duas vezes, o que, segundo analistas, seria um múltiplo adequado para uma empresa em excelentes condições financeiras ­ o que não é o caso da distribuidora goiana. Outra aposta seria a CPFL, por ser uma empresa com o perfil de “consolidadora” no segmento de distribuição. A entrada da chinesa State Grid no controle da companhia aumenta essa percepção, por ser um sócio com acesso à crédito para uma aquisição deste porte. A principal aposta no mercado, contudo, é a italiana Enel. 

A companhia anunciou na semana passada um aumento nos investimentos no Brasil. Serão aportados € 3,2 bilhões entre 2017 e 2019, sendo € 1,72 bilhão em projetos de expansão em distribuição e geração. O montante de € 1,5 será destinado à manutenção dos atuais ativos da empresa. Em evento em Londres, o presidente mundial da Enel, Francesco Starace disse que “definitivamente há interesse” nos ativos colocados à venda pela Eletrobras, mas afirmou que não é de praxe para a empresa antecipar quais os alvos. A Enel já controla a hidrelétrica Enel Green Power Cachoeira Dourada, em Goiás. A usina foi vendida em 1997 pelo governo goiano.

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