MME:Térmicas são estratégia de longo prazo


Comentário:

É o que dá querer mimetizar um modelo de base térmica no singular sistema brasileiro. Num sentido metafórico, o modelo brasileiro é “pirata”.

A nosso ver, a questão da complementação térmica, que ninguém é capaz de negar, está sendo distorcida pelo próprio critério de segurança do sistema. A diminuição da reserva relativa (capacidade máxima dos reservatórios dividida pela carga) vem ocorrendo há muito tempo e, apesar disso, não se percebeu uma mudança gradativa nessa complementação. Continuamos operando o sistema como se mudanças estruturais não estivessem ocorrendo, até que, de repente, depois do anúncio da MP579, as térmicas foram ligadas na sua capacidade máxima.

Além disso, o que parece que as autoridades do setor evitam discutir é que, incorporando-se os critérios de aversão a risco na metodologia que define a garantia física (GF) das usinas, TODAS, térmicas e hidráulicas têm que reduzir sua GF. Isso se dá porque, na realidade, a carga crítica do sistema interligado tem que ser diminuída. Se já não havia folga entre a carga e a capacidade do sistema, dada essa redução, a situação piora ainda mais.

Impossível evitar impactos comerciais para os agentes.

 



Jornal da Energia, com informações da Agência Brasil

 

A construção de mais usinas térmicas no Brasil, englobando unidades nucleares e a carvão, é uma estratégia de longo prazo do governo federal, disse o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura. Ele participou do seminário Desafios da Energia no Brasil, promovido pelo Grupo de Economia da Energia (GEE), da Universidade Federal do Rio de Janeiro, no Centro de Convenções da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro.

 

“O sistema hidrotérmico brasileiro vai evoluir no sentido de nós completarmos o aproveitamento das usinas hidrelétricas”, disse. Ventura estimou que isso deve ocorrer entre 2025 e 2030. Haverá, segundo o secretário, um intervalo de mais 15 anos, em que a hidrelétrica funcionará como fonte principal do sistema elétrico nacional, embora simultaneamente acompanhada por outras fontes alternativas.

 

Até 2030, quando for concluído o aproveitamento do potencial do recurso hidrelétrico, do ponto de vista ambiental, Ventura frisou que será necessário expandir o sistema com outras fontes de geração.

 

“Não é possível atender a um País que cresce 4 mil MW ou 5 mil MW por ano, somente com essas fontes (renováveis). É necessário ter outra fonte que a gente chama que vai ser o carro-chefe da expansão e vai se responsabilizar por 40%, 50%, 60% do incremento do mercado”.

 

Entre as fontes térmicas existentes hoje, ele destacou a fonte nuclear, a fonte a carvão e a gás natural. “Como o sistema hidrotérmico do Brasil precisa de usinas de base, que operam de janeiro a dezembro, as térmicas adequadas a esse sistema não são as térmicas que têm combustível de custo elevado, derivadas do petróleo. São as térmicas que têm um custo do combustível baixo e que operam permanentemente durante os 12 meses do ano”.

 

Nesse sentido, Ventura salientou entre as de menor custo de combustível a nuclear, seguida do carvão mineral e do gás natural, “dependendo de ter oferta de gás a um preço que permita que seja competitiva a geração”.

 

O secretário ainda destacou que está em estudo a construção de mais quatro usinas nucleares no país até 2030, e que será em complemento à usina de Angra 3. “Essa visão de longo prazo está sendo revista neste momento, estendendo o horizonte de 2030 para 2050, onde a opção nuclear será reavaliada”. Ele defendeu a continuidade do programa nuclear brasileiro. As quatro usinas nucleares previstas no planejamento “continuam válidas”.

 

E embora a constituição brasileira não permita a participação do capital privado nos leilões de usinas nucleares, Altino Ventura manifestou que existe a necessidade de abertura no setor. “Não entendemos que o programa nuclear seria puramente estatal. Com a experiência que nós estamos tendo nas sociedades de propósito específico [SPEs] no parque de geração e transmissão, muito bem sucedida, é desejável que essa experiência seja estendida para a nuclear no que diz respeito à parte convencional da usina”.

 

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