Nas entrelinhas percebe-se a preocupação do Dr. Mario Santos. Na realidade as obras anunciadas como "em fase de conclusão" estão todas atrasadas. Quanto ao gás, é necessário se pensar um esquema que possibilite essas usinas trabalharem em complementação às hidráulicas. Até onde o ILUMINA sabe, não existe esse sistema.
Consumo de energia cresce
Aumento este ano pode chegar
a 3%, segundo Operador
Nacional do Sistema Elétrico
LÚCIO SANTOS
O consumo de energia no Brasil este ano deve crescer pelo menos 3%, apesar da recessão, o que significa cerca de
3.000 megaWatts. A estimativa é do presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Mário
Santos. Ele adverte, porém, que nenhum investimento no setor de geração de energia pode atrasar, sob risco de
termos problemas de abastecimento no próximo ano. "Temos de apostar no êxito do programa de gás, na
conclusão das usinas nucleares e das hidrelétricas", disse Mário Santos.
Segundo Mário Santos, as obras que não podem atrasar são o programa das usinas a gás; a conclusão da Usina
Nuclear de Angra II, até março de 2000; a ampliação da Hidrelétrica de Tucuruí, no Nordeste; a duplicação da
linha de transmissão Norte-Nordeste; a aceleração da segunda linha Norte-Sul; a construção das Usinas de
Uruguaiana, à gás, e de Itá, hidrelétrica, ambas no Rio Grande do Sul; o terceiro linhão Itaipu-São Paulo, de
765 kW, e a construção de usinas termelétricas no Rio e em São Paulo, com capacidade de 900 mW em cada
estado. Ao todo, essas obras representam investimentos de US$ 7 bilhões (R$ 14 bilhões), a maior parte feita
pela iniciativa privada.
Para o futuro, uma das principais obras previstas é a construção da Usina de Belo Monte, no Xingu, com
capacidade para gerar 10 mil megaWatts. Será uma usina da mesma dimensão de Itaipu, que hoje responde por
30% da energia do Sudeste, região que consome 67% da energia do país.
Sócios – O ONS é uma empresa privada, que tem como sócios as principais empresas de geração, distribuição,
transmissão e comercialização de energia do país, abrangendo 99% do sistema elétrico nacional. Criada em
agosto do ano passado, a empresa assumirá agora as funções que durante 25 anos foram de responsabilidade do
Grupo Coordenador para Operação Interligada (Gcoi), da Eletrobrás.
Em cerimônia a ser realizada amanhã, em Brasília, com a presença do ministro das Minas e Energia, Rodolpho
Tourinho, e do presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio, além do próprio Mário Santos, o ONS assumirá o
controle do Centro Nacional de Operação do Sistema, da Eletrobrás. O ONS ficará responsável também pelos
centros de operação das empresas do Sistema Eletrobrás, passando a administrar todo o transporte de energia
do país. A empresa supervisionará e controlará a operação dos sistemas nacionais e as interligações
internacionais, além de propor à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) as ampliações e reforços
necessários na rede básica de transmissão.
O modelo do ONS, segundo Mário Santos, foi inspirado na National Grid, uma empresa britânica privada que
desempenha no Reino Unido as mesmas funções que o ONS vai desempenhar no Brasil. Mário Santos explica,
porém, que "o modelo foi tropicalizado". Segundo ele, que trabalha há 38 anos no setor, dos quais 29 na Chesf e
os últimos oito na Eletrobrás, a empresa foi criada para trabalhar com neutralidade e reduzir custos.
"Trabalhamos em nome das empresas para servir à sociedade", diz Mário Santos.
Toda a diretoria executiva do ONS é formada por profissionais com grande experiência no setor. Carlos Ribeiro
tem 27 anos de Cesp; Heitor Gontijo de Paulo, 30 anos de Cemig; Hermes Jorge Chipp, 29 anos de Eletrobrás; e
Roberto Gomes, 29 anos de Chesf.