Nível baixo das usinas no Nordeste preocupa

 


Comentário: Como se pode ver no gráfico, comparado com 2001, a energia natural (linha laranja) de 2012 e 2013 não é nenhuma tragédia. Além disso, os anos 2010 e 2011 foram anos bastante generosos. Então, porque esse apavoramento todo? Ora, parece evidente que não demos muita importância em preservar a água estocada, o que, em termos energéticos significa que “adiamos” a complementação térmica. Também pudera, com as tarifas brasileiras nas alturas, quem se anima a despachar térmicas?

Mas, se os tempos de despacho das térmicas estão atrasados, a formação de preços (CMO) está errada. Se os CMO´s estão errados e deveriam ligar as térmicas antes, então todas as garantias físicas das usinas estão erradas. Esse é a questão estrutural que ninguém quer discutir.

 

 



Brasil Econômico – 21/08

 

Especialistas avaliam que desligar as térmicas agora poderá sobrecarregar o sistema

Os reservatórios das hidrelétricas brasileiras estão, em geral, em níveis que não geram preocupações em relação ao abastecimento de 2014, mas as represas do Nordeste, onde o consumo de energia tem crescido, estão com nível baixo de armazenamento e as perspectivas climáticas não são boas. Apesar de a situação estar melhor que no ano passado, os agentes do setor ainda não recomendam o desligamento de todas as usinas térmicas neste momento.

 

Os reservatórios do Sudeste/ Centro-Oeste, onde ficam as principais bacias para abastecimento das hidrelétricas do país, estão em 57,7%do nível total de armazenamento, segundo dados de 19 de agosto do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O nível no Norte é de 76,82%, no Sul é de 92,9% e no Nordeste de 38,82%. O governo federal manteve em operação todas as termelétricas de outubro do ano passado até maio deste ano, para recuperar os reservatórios das hidrelétricas, o que encareceu o custo da energia no país. No início de julho, contudo, as térmicas movidas a diesel e óleo, que são combustíveis mais caros, foram desligadas. Outras térmicas, que utilizam gás natural, carvão, biomassa ou energia nuclear, continuam operando.

Agentes do setor consideraram correta a decisão de desligar as térmicas mais caras, já que reduz o custo de energia do país e não há nada que impeça que sejam religadas, caso necessário. “A situação do Sudeste para agosto não preocupa e está em um nível que aponta para a possibilidade de chegar a 85% em março ou abril, faltando dois meses para o início do novo ano hidrológico”, avalia o consultor da Enecel Energia, Raimundo de Paula Batista Neto. “Mas a expectativa é que vão continuar mantendo as termelétricas ligadas.

 

A parte hidrológica é sempre uma incógnita”, disse. O diretor da consultoria Excelência Energética, Erik Rego, avalia que a geração térmica na ordem de cerca de 10 mil megawatts (MW) ainda deve ficar ligada até o final do ano, de forma a garantir um cenário confortável para 2014. “Há uma tendência, pelo nível dos reservatórios, que melhorou bastante, de um comportamento para o ano que vem muito mais tranquilo.

 

Desligar mais do que foi desligado, acho que não vale a pena”, disse Erik Rego.

O nível dos reservatórios na região é menor que o registrado ao final de agosto de 2012 (52%) — um dos piores níveis da década e que vem caindo desde abril, quando fechou em 48,77%. Mas o nível na região ainda é bem superior aos 16,87% de agosto de 2001, ano do racionamento. Se todas as térmicas forem desligadas agora, o Nordeste pode enfrentar problemas, dependendo também das chuvas na próxima temporada, dizem especialistas. Reuters

 

Expectativa de pouca chuva recomenda medidas de economia

 

A previsão do Operador Nacional do Sistema (ONS) é que este seja o pior agosto do histórico em regime de chuvas para os reservatórios do Nordeste (Energia Natural Afluente-ENA), de acordo com o Sumário Executivo do Programa Mensal de Operação para a semanade17a 23de agosto. O presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Companhias de Energia Elétrica (ABCE), Carlos Ribeiro, acredita que já seria importante incentivar medidas de economia voluntária de energia no Nordeste. “A situação no Nordeste não é nem um pouco confortável e a carga (consumo) está crescendo. Isso leva a crer que a redução do nível dos reservatórios da região tende a acontecer e continuar”, disse.

 

O executivo considera que as medidas de economia de energia na região podem ser importantes principalmente se a próxima estação chuvosa também for ruim, conforme aconteceu no período 2012-2013. “Não seria um racionamento, mas uma orientação para um consumo mais consciente. Cada 5% de redução de consumo lá no Nordeste, por exemplo, significa 1% a mais por mês de armazenamento dos reservatórios da região”, disse. Ribeiro considera que a medida de economia seria prudente já que o consumo de energia no Nordeste está em forte expansão, influenciado pelas classes residencial e comercial. Reuters

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