Governo muda regras para o leilão e garante Furnas nas usinas do Madeira
Ao mudar as regras de licitação para a construção ds hidrelétricas do Rio Madeira (Santo Antonio e Jirau) e impedir a participação de empresas públicas no processo, o governo federal garantiu a participação da estatal Furnas no empreendimento. Considerada peça fundamental para a viabilização das usinas , Furnas poderá ser convidada pelo vencedor da licitação para participar do projeto e ficar com até 49% dele, explicou o ministro interino de Minas e Energia Nelson Hubner. Entre agentes do setor, porém, o comentário é que todos querem |
| A decisão do governo, no entanto, acaba com os planos da estatal de formar um consórcio com o grupo |
| Nelson Hubner garante que a decisão não foi imposta à |
| A decisão de elevar a concorrência na licitação para as usinas do Madeira está relacionada à preocupação do governo com as tarifas da energia provenientes deste projeto. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, vê a modicidade tarifária como um dos pilares do atual modelo do setor elétrico. Hubner, seu principal escudeiro no Ministério de Minas e Energia, ficou pessoalmente responsável pelo desenho de uma licitação em que dois aspectos fossem preservados: garantia das tarifas mais baixas possíveis e resposta aos críticos que viam um suposto direcionamento do governo à vitória da Odebrecht no leilão. |
| Por isso, a retirada de Furnas do consórcio já vinha sendo desenhada há pelo menos seis meses. Esse desenho desagrada fortemente a Odebrecht, mas recebe o apoio de outros agentes do setor, como a Abiape, que representa indústrias auto-produtoras de energia — como |
| Com a decisão de tirar Furnas da primeira etapa, Hubner espera que pelo menos quatro grupos participem do leilão: o capitaneado pela Odebrecht, outro liderado pela |
| Não se sabe se houve pressão sobre o governo por parte da iniciativa privada para que Furnas saísse da competição, mas Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pequisa Energética (EPE), admite que havia a preocupação de que a entrada da empresa em algum consórcio desestimulasse a concorrência. “A estatal não vai ser elemento para privilegiar nenhum grupo privado”, diz ele. |
| João Canellas, diretor da Camargo Corrêa, considerou “positiva” a decisão do governo e avaliou que ela aumenta a isonomia entre os competidores privados. Charles Filogonio, diretor comercial da Andrade Gutierrez, ao contrário, não achou razoável a decisão do governo. Para ele, o governo não deveria interferir na parceria que já estava acertada entre Furnas e Odebrecht. “Também temos parcerias com empresas públicas em outros projetos”, observou. |
| A parceria firmada entre Furnas e Odebrecht desde a realização do estudo de viabilidade da usina em 2001 não representava, de acordo com a legislação brasileira, um impedimento para que elas participassem, posteriormente, da licitação para a construção das usinas do Madeira. É por isso que a decisão do governo desagradou à Odebrecht. “Não comento detalhes do acordo. Temos, no entanto, um contrato jurídico perfeito com Furnas e não acho que o governo federal costume quebrar contratos”, afirmou Irineu Meireles, diretor da Odebrecht, sem adiantar se a empresa pretende, ou não, acionar Furnas na Justiça por quebra de contrato. |
| Paulo Godoy, presidente da Abdib, não vê problemas nas medidas anunciadas pelo governo. “A participação de Furnas é fundamental, e ela certamente será requerida pelo consórcio vencedor. Dessa forma, é salutar estipular as regras de participação da estatal para depois não haver surpresas.” |
O empreendimento em Rondônia tem capacidade de geração de 6.450 megawatts – praticamente a metade da potência de Itaipu. A obra – dividida em duas usinas – ainda depende da concessão de licença prévia pelo Ibama. Comentário Impedir a participação de empresas estatais na construção das principais hidrelétricas em obras, parece-nos a princípio bastante estranho, mesmo com as explicações dadas, que não estão muito claras. Os agentes, grandes interessados na questão, estão comemorando. |