Novo contrato financeiro eleva segurança no mercado livre – Valor Econômico

Análise do ILUMINA: Se você se interessa em saber porque sua conta de energia é cara, procure entender a o truque de cartas a seguir.

A notícia abaixo é uma daquelas que tentam nos convencer que dinheiro vem de Marte. Como o Ilumina garante que não vem, avisamos que alguém (adivinhem quem) já está pagando por outros e vai continuar a pagar.

Com novos anglicismos, alguém propõe implantar um sistema que, talvez funcione em sistemas de base térmica, mas, aplicado aqui, será apenas mais uma maneira de abocanhar uma vantagem que só existe no sistema brasileiro por uma incompatibilidade do modelo com o sistema físico brasileiro.

Pedimos desculpas aos que conhecem a situação, mas temos que repetir: Aqui é possível “comprar” MWh avaliado não pela relação entre oferta e demanda, mas fixado pelo operador do sistema, alguém que nada tem a ver com contratos. Quando o sistema está em equilíbrio de oferta e demanda há grande probabilidade de PLD’s baixos. 

Qual é o problema? Em princípio, nenhum. Mas basta analisar o histórico oficial do PLD citado na reportagem para ver que há sérios problemas. Vejam o gráfico acima.

Há duas curvas nesse gráfico. A vermelha é o PLD da notícia. A azul é o custo marginal de operação definido pelo operador do sistema que, dentre outras funções, liga ou desliga as caras térmicas, aumentando sua conta de luz. Reparem que o custo do operador é praticamente o preço de mercado. Quando fica caro, ultrapassa o tal de PLD, que, de uma hora para outra ganhou de presente um limite. Ora, se um custo ultrapassa um preço, alguém está pagando por ele.

Olhem sua conta de energia e vejam quanto pagamos pelo MWh. Algo no entorno de R$ 300/MWh. Sabem qual o valor do PLD nas situações que o mercado adora? Algo como R$ 8/MWh e em 2011, vésperas da crise, chegou a R$ 12/MWh. Não é uma beleza? Quando dizemos “baixos” dizemos, quase de graça!

Sabem aonde estava a receita que poderia cobrir a despesa das bandeiras tarifárias que você pagou? Nos preços baixos do mercado livre.

Nossos críticos dirão que, na realidade, ninguém no mercado paga PLD. Ok! Para desmoralizar o Ilumina, por que não abrir os dados? Fazemos esse desafio, porque mesmo que alguém pague 2 x PLD, ainda assim estará tendo uma enorme vantagem. Nem para desmoralizar o Ilumina a Câmara de Comercialização mostra tudo transparente. É tudo secreto!

Ahhhh….dirão alguns, mas todos os mercados de energia são assim mesmo! Nada disso! Vejam abaixo a comparação com o mercado NORDPOOL entre Noruega, Suécia, Dinamarca e Finlândia.

Nenhum mercado apresenta as oscilações de preço existentes no Brasil. Pergunta: Ninguém sabe disso? Claro que sabem! E fazem o que? Nada!

Vejam o que diz o executivo do grupo Safira: “O produto possibilita que consumidores e geradores já travem o valor futuro do PLD, trazendo mais previsibilidade em questões de custos e receitas. Isso tudo sem a necessidade de efetivamente ter o lastro de energia, o que pode ser feito mês a mês, na medida em que o consumo e a geração forem ocorrendo”, afirmou o executivo. 

O problema não está na pretensão do executivo. Ele está certo! O defeito está no PLD, que não retrata um preço entre oferta e demanda. Ou alguém acha que é possível encontrar MWh a menos de US$ 10 nesse planeta? Infelizmente estamos cegos para reconhecer de que forma é produzida a energia no Brasil. Os resultados estão ai para nossa estupefação.


 

Fonte da notícia: http://www.duke-energy.com.br/Paginas/DetalheNoticia.aspx?itemListaID=1518

VALOR ECONÔMICO 10/05/2016

Rodrigo Polito

Os grupos Compass e Safira, com forte atuação no setor de comercialização de energia, lançaram este mês um novo produto financeiro para o setor de energia. Chamado de “contrato financeiro de energia”, o produto prevê transações puramente financeiras do tipo “non deliverable forward” (NDF) – contrato a termo de moeda sem entrega física – referentes ao segundo trimestre de 2016.

O novo contrato usa como referência qualquer índice a ser escolhido pelas contrapartes, entre eles o preço de liquidação das diferenças (PLD) – o preço de energia no mercado de curto prazo -, para oferecer mais segurança aos agentes do mercado livre, ante a oscilação dos valores do PLD nas operações de compra e venda de energia. Na prática, segundo Mikio Kawai Jr., diretor executivo do grupo Safira, a operação assegura aos clientes a possibilidade de prefixar o valor do PLD, protegendo-os de variações que os levem a perdas financeiras.

“O produto possibilita que consumidores e geradores já travem o valor futuro do PLD, trazendo mais previsibilidade em questões de custos e receitas. Isso tudo sem a necessidade de efetivamente ter o lastro de energia, o que pode ser feito mês a mês, na medida em que o consumo e a geração forem ocorrendo”, afirmou o executivo.

Segundo ele, a criação de produtos financeiros em energia é uma tendência mundial. 0 principal benefício é gerar maior liquidez.

“O ganho de liquidez com a transição para o mundo financeiro é brutal. Nos Estados Unidos, por exemplo, o mercado de energia se tornou oito vezes maior. Como parâmetro, o mercado livre de energia no Brasil poderia passar de R$ 13 bilhões para RS 104 bilhões por ano”, disse Marcelo Parodi, sócio-diretor da Compass Energia.

Na mesma linha, o Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia (BBCE), sistema eletrônico de negociação de contratos de energia, firmou parceria com a corretora XP Investimentos para criar uma plataforma de negociação de contratos financeiros de energia. A corretora será responsável por levar os contratos para aprovação e liquidação na Cetip.

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6 respostas

  1. Prezados,

    Apenas corrigindo o preço destacado acima, o PLD médio do mês de Abril foi de R$ 49,42 / MWh, o que concordo (minha opinião pessoal), esta muito abaixo da realidade. Com relação a divulgação dos preços, não vejo a necessidade de obrigada divulgação pelas contra-partes, sejam elas compradoras ou vendedoras, afinal o interesse é próprio de cada um.

    Obrigado pelo espaço e parabéns pelos debates.

    Suek

    1. Sávio;

      Se você comparar o “range” de preços de qualquer mercado de energia no mundo, nenhum tem a variância do brasileiro. O ILUMINA já divulgou essa comparação com pelo menos 2 mercados, o NORDPOOL e o PGM. Nesses mercados é bem razoável que não se divulguem os preços de cada um pois o mercado é genuíno. Isso significa que uma usina vende a sua própria energia. Não é o caso brasileiro, como você deve saber.
      O problema brasileiro é que cada usina vende uma cota parte do sistema e, se estamos no equilíbrio teórico (CMOmed = CME, igualdade de custo de operação e expansão), a probabilidade de ocorrências de CMO’s baixos é muito alta. Nesse momento as térmicas estão desligadas, mas são contabilizadas na oferta e a sua garantia física é liquidada a PLD, que, como você pode ver é = CMO. Ora, evidentemente, esse preço é muito baixo e significa a captura de uma vantagem característica do sistema. Nesse preço baixo estaria a compensação de preços altos e que deveria ser democraticamente dividido entre os agentes.

  2. Enquanto o país sofre um golpe torpe e …… as ruas começam a ferver, o blog do Roberto….perdão……o Ilumina segue
    em sua análise técnica pertinente , mas, CONVENHAMOS, bem fora de hora.

    Enfim, o redator apoia o golpe.

    Aguardo que o tesoureiro do Ilumina , se existe, confirme a gerente da agência Bradesco /Furnas minhas mensage
    solicitando interrupção da contribuição a partir de junho

  3. Roberto
    De pleno acordo com as suas observações. Este problema está ocorrendo desde a implantação desse tal mercado livre, onde certos grupos estão se aproveitando, como se pudessem dispor de energia elétrica a menos de R$ 10,00 por MWh.
    A energia no sistema é uma só e não se venha falar em “energia secundária”, que esta faz muito tempo que não existe de fato. Se algum consumidor compra energia por preço abaixo do custo real de produção é porque outros estão pagando mais do que deviam.
    É a famosa “Lei de Gerson”.

    1. O único MWh que pode ser “vendido” por ninharia é o MWh que seria vertido se não passasse pelas turbinas. Como já mostramos várias vezes, o sistema não tem vertimento há anos, exceto os obrigatórios. Muito bem lembrado, Feijó!!

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