O consumo de energia, da antiguidade aos dias de hoje – ARTIGO

Joaquim Francisco de Carvalho *

Já há algumas décadas, ficou claro que o clima mundial está mudando rapidamente, na direção de um aquecimento global. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), em 2015, as concentrações atmosféricas de gases de efeito estufa alcançaram o nível mais elevado dos últimos 800 mil anos. A temperatura média na superfície da Terra e sobre os oceanos aumentou 0,85 ºC entre 1880 e 2012.

Com um aquecimento dessa rapidez, a humanidade tem pouco tempo para evitar que o aumento global da temperatura ultrapasse o limite de 2 ºC, como ficou acertado na COP-21, em Paris, em dezembro passado, mesmo que este já seja um limite arriscado para estancar-se o aquecimento global e evitar uma extinção em massa nos moldes daquela que extinguiu 75 % das espécies que viveram na Terra, há cerca de 66 milhões de anos.

Diante da gravidade deste problema, torna-se urgente planejar e pôr em prática medidas destinadas a limitar os impactos das atividades humanas sobre a biosfera.

O primeiro obstáculo para pôr em prática as medidas sugeridas na COP-21 está na própria ambição universal inerente à condição humana, de maximizar a utilidade presente, ou seja, a voracidade do homem por ganhos imediatos. De fato, em última análise, as mudanças climáticas são provocadas pela exploração e uso de combustíveis fósseis que, por serem cômodos e lucrativos em curto prazo, são mais empregados, embora agravem o efeito estufa.

Outro grande obstáculo é de caráter cultural, resultante dos milhares de anos em que a humanidade vem subjugando a natureza, à procura de novas fontes de energia.

As primeiras civilizações só apareceram de fato com a cultura irrigada de cereais, há cerca de 6.000 anos, na Mesopotâmia, quando a força muscular passou a ser complementada pela energia cinética dos cursos de água, além da tração animal e da lenha.

Na Ucrânia, há mais de 4.000 anos, o emprego de cavalos para tração e montaria viabilizou o transporte de madeira de regiões distantes, permitindo que a lenha pudesse ser usada como fonte regular de energia para olarias e fundições primordiais, acarretando profundas transformações econômicas e sociais, que – durante a Idade do Cobre – estenderam-se na direção da Europa Ocidental.

Depois, ao longo dos séculos, a lenha foi sendo complementada por outras fontes de energia, tais como os ventos (barcos a vela,  moinhos de vento, etc.), o óleo de baleia, a turfa etc.

Ainda assim, toda a tecnologia industrial alemã do século dezoito baseava-se na madeira, a começar pelos processos de mineração e refino de metais, que dependiam de troncos, para suporte das galerias, e de carvão vegetal, para a redução dos minérios e geração de calor.

Na Inglaterra, no século XVIII, as florestas estavam sendo devastadas pela extração de lenha e madeiras, especialmente para a construção de navios para a armada.

Na medida em que ficavam mais problemáticas, as velhas fontes iam sendo complementadas ou, em alguns casos, substituídas por novas fontes, mais eficientes, ou mais lucrativas. Assim, a força muscular foi complementada pela lenha e pela tração animal, que foi complementada pela energia das águas e dos ventos, etc.

Em seguida veio o carvão, que foi complementado pelo petróleo, na indústria, nos transportes e nos modernos sistemas agroindustriais.

No século XIX, ainda nos primórdios da Primeira Revolução Industrial, o carvão era abundante e barato. Por isto, em pouco tempo, passou à frente da madeira como fonte de energia. Com isso, as jazidas carboníferas mais acessíveis foram-se esgotando e a exploração passou ao subsolo, em poços e minas frequentemente inundadas, que tornavam indispensável o bombeamento. Esta necessidade está na origem da tentativa de empreendedores ingleses e escoceses, de empregar a máquina a vapor para o acionamento de bombas em minas de carvão. Posteriormente, a máquina a vapor  foi aperfeiçoada por James Watt e passou a ser empregada em fábricas, locomotivas, navios, etc.  Sem esta máquina, a Primeira Revolução Industrial não teria tomado o rumo que tomou.

* * *

No século XIX, entre os anos de 1.830 e 1.840, o emprego da eletricidade nas comunicações (telégrafo) e na metalurgia (galvanoplastia) despertou o interesse dos empresários industriais. Os grandes impulsos vieram em 1.878, quando Thomas Edison criou a lâmpada incandescente de filamento e Werner Siemens apresentou a primeira locomotiva elétrica.

Um pouco mais tarde, Nikola Tesla desenvolveu o motor de corrente alternada, graças ao qual a eletricidade passou a ser usada nas fábricas, para o acionamento mecânico.  Ao mesmo tempo aperfeiçoava-se a turbina hidráulica, como alternativa para a turbina a vapor até então usada na geração elétrica. Surgiram assim as primeiras hidroelétricas de certo porte – e linhas de transmissão que permitiam o uso da energia cinética dos rios, nas cidades e nas fábricas.

* * *

Na virada dos séculos XIX para XX  começava a “idade do petróleo”.  

Foi o petróleo que consolidou o modelo industrial moderno, caracterizado pela produção em massa, com setores dinâmicos como o automobilístico, o naval, o ferroviário, o de máquinas e equipamentos, etc. forçando o desenvolvimento tecnológico de indústrias satélites, ligadas às respectivas linhas de produção.

Além de o petróleo não ser renovável, sua combustão responde pela maior parcela das emissões de gases de estufa. Isto significa que todo o desenvolvimento subsequente à Primeira Revolução Industrial tem-se apoiado em bases ambientalmente deletérias – e fisicamente insustentáveis.

O petróleo abundante e barato ofereceu as condições básicas para o vertiginoso desenvolvimento da indústria automobilística, com seus fornecedores e sub-fornecedores; e uma poderosa estrutura de comercialização, que se estende por todo o mundo em paralelo à rede de distribuição de combustíveis.

Desde as primeiras décadas do século passado, a indústria automobilística vem exercendo um papel de paradigma para a moderna civilização humana. Transformado em suprema aspiração de posse das famílias, o automóvel condicionou a evolução da sociedade, consagrando o transporte individual, que influencia fortemente a ocupação do território, o urbanismo e a arquitetura das cidades modernas e acarreta importantes mudanças no modo de vida das pessoas.

Entretanto, como foi dito acima, a biosfera vem se aquecendo rapidamente, por força da combustão de petróleo, gás natural e carvão. Portanto, medidas drásticas devem ser tomadas, para limitar o uso desses combustíveis. Mas, como foi mostrado, os combustíveis fósseis exerceram e exercem um papel decisivo sobre os costumes e o modo de vidada das pessoas, de modo que, malgrado o ar triunfante exibido pelo presidente da França, François Hollande e seu ex-ministro do exterior, Lorent Fabius, no encerramento da COP-21, será muito difícil que a civilização humana possa “recivilizar-se”, para se livrar do consumismo energético, em particular dos combustíveis fósseis   no escasso tempo disponível para evitar que a biosfera se torne imprópria para a vida.

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*  Mestre em engenharia nuclear e doutor em energia pela USP, foi engenheiro da CESP e diretor industrial das Nuclen (atual Eletronuclear)

 

 

  5 comentários para “O consumo de energia, da antiguidade aos dias de hoje – ARTIGO

  1. neddo sandro marcello zecca
    31 de outubro de 2017 at 10:19

    Ponderações sobre o Aquecimento Global.
    Penso ser necessário esboçar a quantidade de entalpia necessária para que o evento aconteça.
    Primeiro vamos estabelecer o que vai ser aquecido às massas totais envolvidas, seus calores específicos e a variação de temperatura que esta sendo projetada.
    O que vai ser aquecido?
    Massa da terra: 5,97 x 10E 21 ton.
    Massa da atmosfera: 5,1 x 10E 15 ton.
    As relações de massa entre a terra e a sua atmosfera torna impossível a transferência de calor suficiente para que o evento aconteça. Implica em uma temperatura na ordem de 10E 6
    Vamos restringir a analise a uma milionésima parte da terra o esboço.
    Pela questão do empuxo devemos considerar os oceanos e a atmosfera na sua totalidade de massa.
    Da Crosta terrestre: Somente um metro de espessura do solo e a vegetação que esta na sua superfície e o material orgânico do solo.

    Massas para serem aquecidas:
    Atmosfera (sendo 78,08% de N2 e 20,95% de O2)…………………………………….. 5,1 x 10E+15 ton.
    CO2 no ar……………………………………………………………………….. 760 x 10E+9 ton.
    Oceanos e outros: Água……………………………………………………………………. 1400 x 10E+15 ton.
    Gelo………………………………………………………………………… 43 x 10E+12 ton.
    CO2 até 100 metros de profundidade………………………………………………… 800 x 10E+9 ton.
    CO2 no restante dos Oceanos……………………………………………………….. 38000 x 10E+9 ton.
    Crosta até uma espessura de 1 metro de profundidade…………………………….. 1,3x 10E+14 ton.
    Vegetação e carbono no solo……………………………………………………………….. 2300x 10E+9 ton.
    Das atividades humanas emissões de CO2……………………………………………… 7x 10E+9 ton.
    A energia necessária para o evento ocorrer? Vamos considerar uma condição especial ao sistema proposto não haverá variações de pressão e volume com suas respectivas perdas. Admitindo uma variação positiva de 1 C0 Celsius. Sabendo que 1 BTU equivale a 252 cal. Todos os resultados obtidos são por segundo. (1 Quad = 10E15 BTU).
    Atmosfera…………………………………………………………………….. 4857 Quad
    Oceanos…………………………………………………………………. 5 550 000 Quad
    Terra (1 metro)………………………………………………………………. 3000 Quad
    Todo o fluxo de Carbono e CO2…………………………………………… 100 Quad
    Participação do homem com emissões de CO2…………….. 0, 0000277 Quad
    Total de 5 560 957 Quad/s para aquecer o sistema em 1 C0 grau Celsius.
    Comparações uso anual energético humano de 400 Quad. Necessidade para o evento acontecer 13 900 anos de atividade humana dentro dos padrões atuais em um segundo.
    Importante: Se formos verificar a participação do Homem nas suas atividades usos corrente energéticos. Seria de uma ordem de grandeza percentual de 1 x 10E-12 %. Para que o evento proposto aconteça. Um pico por cento.
    Exemplo de calculo da tarefa anterior:
    Vamos supor que é verdade que o nível do mar vai subir 1 metro em função de degelo. Dados superfície da Terra 5,1 10E+14 m2. Volume de água para o evento ocorrer ¾ X 5,1 x 10E+14 = 3,8 x 10E+14 m3. Calor necessário para a mudança de estado calor latente. Cada litro precisa de 248 BTU, cada m3 demandara 240 000 BTU. Donde 3,8 x 10E+14 m3 x 2,48 x 10E+5BTU = 94300 10E+15 BTU ou 94300 Quad por segundo. Algo como 235 anos de atividade humana no padrão 400 Quad anual para ser usado por segundo só para manter a mudança de estado. Ou 55 Arábias Sauditas de reservas. Não me aprofundei no calculo de elevar a temperatura de menos -40 0 graus Celsius até 0 0grau e depois elevar até a temperatura media do Oceano. Pois já na fase preliminar ficam evidentes as falhas na premissa.
    Sabendo agora da demanda de energia necessária vamos verificar primeiro na Terra onde temos energias potenciais químicas capazes teoricamente para ocorrer o previsto aquecimento global.
    Temos na Terra: Energia
    Potencial química fossilizada total………………………………..5000x 10E+9tc
    Potencial química biomassa de ciclos curtos…………………….. 610x 10E+9tc
    O total disponível de energia potencial química na Terra é 200 000 Quad.
    Para aquecer todo o sistema proposto será necessário entorno de 5 560 957 Quad por segundo.. Os 200.000 Quad Atendem somente 28% da demanda energética no segundo inicial. Resulta daí que qualquer atividade humana fica limitada e é impossível fazer qualquer aquecimento. A nova contribuição só será possível com o deslocamento da Terra em direção ao Sol. Mostrando que é impossível o aquecimento pela atividade humana. Para todos pensarem: Todas as formas potenciais químicas existentes na terra correspondem a 200 000 Quad. E o consumo médio anual mundial é 400 Quad. Restam para os ilustres humanos aproximadamente 500 anos. Be Happy………

  2. Joaquim F. de Carvalho
    31 de outubro de 2017 at 16:12

    Agradeço o interessante comentário do Sr. Neddo S. M. Zecca e observo que o artigo não se refere ao aquecimento de toda a massa do planeta Terra, mas sim ao aquecimento da biosfera, causado pelo efeito estufa.
    Por outras palavras, o espectro completo da radiação solar penetra na biosfera e, ao atingir a superfície dos continentes e oceanos, reflete-se de volta. Como o CO2 (dióxido de carbono) é opaco às radiações infravermelhas (faixa térmica do espectro), estas ficam retidas e vão aquecendo a atmosfera.
    Assim, quanto maior for a concentração atmosférica de CO2, mais intenso será o efeito estufa e mais alta irá ficando a temperatura da biosfera.
    É por isto que, desde que há medições sistemáticas da temperatura da atmosfera (meados do século XIX, com a revolução industrial e o começo da substituição gradativa da lenha pelo carvão e, depois, pelo petróleo) constata-se um crescimento anual mensurável, na temperatura da atmosfera, exceto em poucos anos.
    Observe-se que a combustão de lenha e outras biomassas não contribui para desequilibrar o balanço de CO2 na atmosfera, uma vez que, ao crescerem (por fotossíntese), as árvores e outros vegetais absorvem da atmosfera a mesma quantidade de CO2 que posteriormente emitirão, por combustão.

    • neddo sandro marcello zecca zecca
      31 de outubro de 2017 at 22:41

      Peço desculpas, mas devo alertar que a biofera mantém um permanente contacto entre a atmosfera, oceanos e a terra não existe isolante entre os meios. As trocas são constantes pois a atmosfera está em regime turbulento devido a rotação da terra..
      Partes das radiações são absorvidas e parte refletidas quando superfícies lisas. Existe uma pequena diferença entre a abordagem francesa e a americana.

      O espectro das radiações solares é tanto absorvido pelo oxigênio, nitrogênio, dióxido de carbono e a água. Não existe seleção. Absorver energia não significa armazenar. As trocas são permanentes e ao final equalizam a temperatura. Sabendo que a pressão parcial de vapor na atmosfera está entre 2 e 4% da massa.gráfico anexo

      Vamos fazer uma pequena conta.
      Alguma vez passou pela sua analise verificar quantos metros cúbicos de ar são necessários para formar um único mol de dióxido de carbono?
      Sabendo que o ar pesa 1275 gramas com água, em base seca 1204 gramas e a concentração atual de dióxido de carbono no ar 380 ppm em volume após acertar para massa. Serão necessários 4000 metros cúbicos de ar para ter um mol de CO2 48 gramas/mol. Percebeu qual deve ser a temperatura do mol de CO2 para poder aquecer a massa de ar que o cerca?
      Só vou me ater a uma das reações naturais de sequestro de carbono na natureza.

      As reações de formação de carbonatos, bicarbonatos, oxalatos e a liquefação do CO2 nos oceanos torna impossível um aumento da concentração do CO2 devido a percentagem de cálcio, magnésio e silício nos oceanos.
      Para nós que trabalhamos com trocas térmicas e tivemos acesso aos dados de Gibbs e a formulação dos Diagramas de Ellingham, fica difícil aceitar a heresia de que o aumento da concentração do CO2 implique no aumento da temperatura. Quando os diagramas apontam ao contrario o aumento da temperatura estabiliza o CO2. . Assim nós pautamos nos altos fornos na fabricação de ferro gusa.
      Fica uma indagação.
      Qual a razão das acusações ao dióxido de carbono?????? Pense,
      Marion King Hubert em 1956, Jimi Carter em 1977,e suas declarações são uma pista.

      • Joaquim F. de Carvalho
        3 de novembro de 2017 at 23:32

        Em vez de se guiar por um geólogo antigo e um político, por mais ilustres e meritórios que sejam (King Hubert e Jimi Carter), sugiro que você siga os trabalhos de climatologistas e geofísicos como, por exemplo, Axel Kleidon, Ralph Lorenz e Roderick Dewar e pense um pouco sobre os processos de transferência de calor no sistema climático terrestre.
        São processos muito mais complicados do que simples processos de condução, convexão e radiação.
        E não têm nada a ver com fornos de produção de gusa.
        Prefiro parar este debate por aqui.

        • neddo sandro marcello zecca zecca
          10 de novembro de 2017 at 12:06

          Caro Sr,
          Aqui eu devo divergir sobre encerrar o debate. O assunto é de extrema importância para a sociedade.
          Quando mencionei o Jimmy Carter não me referia ao Presidente político. Referia-me a sua qualificação Eng. Nuclear (seu par) 59 classificado para o setor nuclear da Marinha. Que foi trabalhar com Hyman Rickoven “Pai do programa nuclear americano”. No ano que me formava ele foi à televisão e fez um discurso brilhante em 1977 e atual em 2017. Estamos falando da escassez das entalpias químicas.
          Perdão minhas referencias são outros militam na Termodinâmica.
          Exemplo: Gerhard D Gerlic e Ralf D. Tscheuschner.
          Destaco o texto:
          https://arxiv.org/pdf/0707.1161.pdf
          “Falsification Of The Atmospheric CO2 Greenhouse Effects Within The Frame Of Physics”
          Sugiro acessar direto as paginas 91 – 93 das conclusões caso sejam complexas as anteriores. Todas partem inicialmente de radiação, condução e convecção. O dx/dt preliminar.
          Aqui segue outra indagação
          Porque?
          Mais de 130 eminentes cientistas alemães, em carta aberta à chanceler Ângela Merkel, contestam o hipotético aquecimento global causado pelo homem. Dentre os signatários há vários cientistas do IPCC, organismo das Nações Unidas que tem sido o grande promotor da dita cuja hipótese.
          Carta de 26 de Julho de 2009:
          Encaminhada por
          Respeitosamente,

          Prof. Dr.rer.nat. Friedrich-Karl Ewert EIKE
          Diplom-Geologe. Universität. – GH – Paderborn, Abt. Höxter (ret.)
          Dr. Holger Thuß EIKE Präsident Europäisches Institut für Klima und Energie,

          http://www.eike-klima-energie.eu/

          Nomes dos primeiros 66 subscritores:

          1 Prof. Dr.Ing. Hans-Günter Appel
          2 Prof. Dr. hab. Dorota Appenzeller Professor of Econometrics and Applied Mathematics, Vice Dean University Poznan, Poland
          3 Prof. Dr. Wolfgang Bachmann Former Director of the Institute for Vibration Engineering, FH Düsseldorf
          4 Prof. Dr. Hans Karl Barth Managing Director World Habitat Society GmbH – Environmental Services
          5 Dipl. Biologist Ernst Georg Beck
          6 Dr. rer.nat. Horst Borchert Physicist
          7 Dipl. Biol. Helgo Bran Former BW parliamentarian Green Party
          8 Prof. Dr. rer. nat. Gerhard Buse Bio-chemist
          9 Dr.Ing Ivo Busko German Center for Aviation and Aeronautics e.V.
          10 Dr.Ing Gottfried Class Nuclear Safety, Thermo-hydraulics
          11 Dr.Ing Urban Cleve Nuclear physicist, thermodynamics energy specialist
          12 Dr.-Ing Rudolf-Adolf Dietrich Energy expert
          13 Dipl.-Ing. Peter Dietze IPCC Expert Reviewer TAR
          14 Dr. rer. nat Siegfried Dittrich Physical chemist
          15 Dr. Theo Eichten Physicist
          16 Ferroni Ferruccio Zurich President NIPCC-SUISSE
          17 Dr. sc.agr. Albrecht Glatzle Agricultural biologist, Director científico INTTAS, Paraguay
          18 Dr. rer. nat. Klaus-Jürgen Goldmann Geologist
          19 Dr. rer. nat. Josef Große-Wördem Physical chemist
          20 Dipl. Geologist Heinisch Heinisch
          21 Dr. rer.nat. Horst Herman Chemist
          22 Prof. Dr. Hans-Jürgen Hinz Former University of Münster Institute for Physical Chemistry
          23 Dipl. Geologist Andreas Hoemann Geologist
          24 Dipl. Geologist Siegfried Holler
          25 Dr. rer.nat. Heinz Hug Chemiker
          26 Dr. rer. nat. Bernd Hüttner Theoretical Physicist
          27 Prof. Dr. Werner Kirstein Institute for Geography University Leipzig
          28 Dipl. Meteorologe Klaus Knüpffer METEO SERVICE weather research GmbH
          29 Dr. rer. hort. Werner Köster
          30 Dr. rer.nat. Albert Krause Chemist
          31 Drs. Hans Labohm IPCC AR4 Expert Reviewer Dipl. Business / science journalist
          32 Dr. Rainer Link Physicist
          33 Dipl. Physicist Alfred Loew
          34 Prof. Dr. Physicist Horst-Joachim Lüdecke University for Engineering and business of Saarland
          35 Prof. Dr. Horst Malberg University professor em. Meteorology and Climatology / Former Director of the Institute for Meteorology of the University of Berlin
          36 Dr. rer.nat Wolfgang Monninger Geologist
          37 Dipl. Meteorologist Dieter Niketta
          38 Prof. Dr. Klemens Oekentorp Former director of the Geological-
          Paleolontology Museum of the Westphalia Wilhelms-University Münster
          39 Dr. Helmut Pöltelt Energy expert
          40 Dipl. Meteorologist Klaus-Eckart Puls Meteorologist
          41 Prof. Dr. Klaas Rathke Polytechnic OWL Dept. Höxter
          42 rof. Dr.-Ing. Sc. D. Helmut Reihlen Director of the DIN German Institute for
          Standards and Norms i.R.
          43 Prof. Dr. Oliver Reiser University of Regensburg
          44 Dipl. Physicist Wolfgang Riede Physicists ETH
          45 Dipl.- Mineralogist Sabine Sauerberg Geoscientist
          46 Prof. Jochen Schnetger Chemist
          47 Prof. Dr. Sigurd Schulien University instructor
          48 Dr. rer.nat. Franz Stadtbäumer Geologist
          49 Dr. rer.nat. Gerhard Stehlik Physical chemist
          50 Dipl. Ing. (BA) Norman Stoer System administrator
          51 Dr. rer.nat.habil Lothar Suntheim Chemist
          52 Dipl.-Ing. Heinz Thieme Technical assessor
          53 Dr. phil. Dipl. Wolfgang Thüne Mainz Ministry of Environment Meteorologist
          54 Dr. rer. oec. Ing. Dietmar Ufer Energy economist, Institute for Energy
          Leipzig
          55 Prof. Dr. Detlef von Hofe Former managing director of the DVS
          56 Dipl Geographist Heiko Wiese Meteorologist
          57 Dr.rer.nat. Erich Wiesner Euro Geologist
          58 Dr.rer.nat. Ullrich Wöstmann Geologist
          59 Prof. em. Dr. Heinz Zöttl Soil Sciences
          60 Dr.rer.nat. Zucketto Chemist
          61 Prof. Dr. Detlef von Hofe ehem. Hauptgeschäftsführer DVS
          62 Dipl. Geograph Heiko Wiese Geographie, Meteorologie, stud. Wetterbeobachter)
          63 Dr.rer.nat. Erich Wiesner Euro Geologe
          64 Dr.rer.nat. Ullrich Wöstmann Dipl Geologe
          65 Prof. em. Dr. Heinz Zöttl Forstbiologe -Geologe
          66 Dr.rer.nat. Zucketto Dipl. Chemiker ,früher ARCOS u. ESAB Konzern

          Subscreveram posteriormente:

          Dipl. Ing Paul Allenspacher Deutsches Zentrum für Luft- und Raumfahrt e.V.
          Dipl. Ing M.G. Bury Elektroingenieur
          Dipl. Ing Peter Dettmann technischer Umweltschutz
          Dipl. Ing Jürgen Seesselberg
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          Dipl. Ing. Klaus Bark E-Technik
          Dipl. Ing. Edgar Bätz EVU Leipzig & Institut für Energetik
          Dipl. Ing. Marco Bernardi Kfz-Sachverständiger
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          Dipl. Ing. Andreas Demming Selbstständiger Ingenieur,
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          Dipl. Ing. Michael Limburg; electrical engineering, control technology, Vizepräsident Europäisches Institut für Klima und Energie
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          Dr. Ing. Dietrich E. Koelle Ingenieurbüro für Systemanalysen
          Dr. Ing. Arman Nyilas Ingenieurbüro
          Dr. Ing. Friedrich Wilhelm Peppler Kernreaktorsicherheitsexperte
          Dr. Ing. Helmut Pöltelt Energieexperte TETRA Energie GmbH Kernenergie
          Dr. Ing. Roland Richter Nuklearservice bei der K.A.B. AG Berlin
          Dr. Ing. Christian Thoma
          Dr. Ing. Dipl.Ing. Oswald Kreitschitz Physiker und Unternehmen
          Dr. Ing. Kurt Honrath Technischer Vorstand i.R.
          Prof. a.D. Dr.-Ing. Eberhard Rauschenfels
          Prof. Dr. Ing. Helmut Keutner TFH Berlin FB-VI
          Prof. Dr.-Ing. Heiko Hofmann Berufsakademie Dresden
          Prof. Dr.-Ing. Sc. D. Helmut Reihlen Direktor des DIN Deutsches Institut für Normung i.R.
          Prof. Dr.Ing. Dieter Ameling Präsident Wirtschaftsvereinigung Stahl a. D.
          Prof. Dipl. Ing. Michael Otto

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