O GLOBO 22.07.97 SUPERINTENDENTE DE FURNAS É CONTRA DIVISÃO EM 2 BLOCOS PARA VENDA RIO, 22 – O secretário Nacional de Energia, Peter Greiner, acredita que a privatização de Furnas em dois blocos, conf …

O GLOBO 22.07.97




SUPERINTENDENTE DE FURNAS É CONTRA DIVISÃO EM 2 BLOCOS PARA VENDA

RIO, 22 – O secretário Nacional de Energia, Peter Greiner, acredita que a privatização

de Furnas em dois blocos, conforme propõe o relatório da Coopers & Lybrand,

favorecerá a competitividade do setor, além de aumentar o potencial de arrecadação da

União. Ele ressaltou porém, que a matéria ainda será alvo de análise do Conselho

Nacional de Desestatização (CND), mas que, na avaliação do Ministério de Minas e

Energia, é importante que o modelo de venda vise a competitividade do mercado.

O secretário que participou hoje de debate promovido pela Coppe, na Casa da Ciência,

no Rio de Janeiro, foi rebatido pelo superintende de Furnas, Paulo Afonso Pegado, na

questão da venda da empresa. Pegado defende que Furnas seja vendida como um todo,

sob o risco do país andar na contramão da tendência do mercado, que é de

verticalização.

– A própria Coopers & Lybrand defende nos Estados Unidos a verticalização das

empresas. Porque o seu relatório propõe a desverticalização do setor elétrico brasileiro?

Só se for para depois cobrar de novo para nos ensinar a verticalizar – criticou Pegado.

No trabalho elaborado pela consultora americana, a proposta é de que Furnas seja

dividida em dois blocos, um formado pelas usinas localizadas ao longo do Rio Grande e

outro formado pelas demais usinas. O relatório propõe o mesmo tratamento para a

Chesf, que seria dividida em dois blocos, um com quatro mil megawatts e outro com

cinco mil megawatts. Eletrosul e Eletronorte, entretanto, seriam vendidas em bloco.

O superintendente de Furnas questionou também vários outros pontos do relatório da

Coopers & Lybrand, principalmente sobre a criação de um mercado “spot” para a

comercialização de energia. Na opinião de Pegado, deveria ser criada uma bolsa de

negociações, que daria maior transparência à comercialização de títulos de energia.

– Não consegui entender ainda como o mercado “spot” será uma garantia de energia mais

barata, pelo menos como ele está descrito no trabalho da consultora americana –

argumentou.



BNDES DIZ QUE VENDA DE FURNAS EM BLOCO ÚNICO NÃO FERE COMPETIÇÃO

RIO, 22 – O assessor da vice-presidência do BNDES, Danilo de Souza Dias, discorda da

posição do secretário Nacional de Energia, Peter Greiner, sobre a venda de Furnas em dois

blocos, segundo indicação do trabalho elaborado pela consultoria Coopers & Lybrand. Para

ele, a venda em um único bloco seria mais rápida e não comprometeria a competição do

setor.

Lembrando que a decisão sobre a venda de Furnas caberá ao Conselho Nacional de

Desestatização (CND), Dias afirmou que não há porque adotar a indicação da consultoria

americana.

– Vender a empresa separada em cinco mil megawatts e três mil megawatts não me parece

diferente do que vender oito mil megawatts juntos, só no fato que atrasaria o processo de

privatização – afirmou.

O assessor, que participou hoje de debate promovido pela Coppe, na Casa da Ciência, no

Rio de Janeiro, observou que a única divisão que deve ser defendida é a da geração e da

distribuição. Segundo ele, se os dois setores fossem vendidos juntos, o potencial de

investimentos seria reduzido.

– Os investimentos em geração são fortes no início e na distribuição precisam ser feitos ao

longo do período de concessão. Se unir os dois setores para a venda, com certeza os

investimentos serão menores, porque o empresário terá que aplicar muito em geração –

avalia Dias.


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