O GLOBO 23.06.97 George Vidor vidor@oglobo.com.br Choque elétrico O relatório encomendado pelo Governo à Cooperâs& Lybrand com sugestões para o novo modelo brasileiro no setor de energia elétric …

O GLOBO 23.06.97




George Vidor

vidor@oglobo.com.br

Choque elétrico

O relatório encomendado pelo Governo à Cooperâs& Lybrand com sugestões para o

novo modelo brasileiro no setor de energia elétrica já está pronto. A principal novidade é

que tenha ou não excedente, as empresas geradoras serão obrigadas a vender uma parte

da sua eletricidade para terceiros. Com isso, surgirá um mercado ativo em que as

próprias companhias geradoras estarão comprando e vendendo eletricidade

simultaneamente.

A existência de um mercado competitivo na geração evitará o problema dos monopólios

naturais em cada região. As linhas de transmissão de Furnas e da Eletrosul ficarão, se

aceita a proposta dos consultores, sob responsabilidade de uma só empresa

(provavelmente Furnas, que já responde por grande parte desse segmento). As usinas

hidrelétricas de ambas seriam vendidas em conjunto, de acordo com as bacias

hidrográficas. No caso de Furnas considerou-se duas grandes bacias: a do Rio Grande e

a do Rio Tocantins.

Para sincronizar o funcionamento das diversas fontes de geração de eletricidade no país,

o atual Grupo Coordenador de Operação Interligada (GCOI) seria transferido da

Eletrobrás para uma espécie de condomínio formado por todas as companhias geradoras

brasileiras.

A Eletrobrás permaneceria como uma holding com atribuições de financiamento, mas

mantendo sob seu controle a Itaipu Binacional e a Nuclen (que ganhará nova

denominação), empresa que se encarregará das usinas nucleares daqui por diante – e

também de projetos termoelétricos.

Com esse novo modelo, a Cooperâs&Lybrand acha possível que a tarifa de eletricidade

para as empresas geradoras seja da ordem de US$ 40 por megawatt, enquanto as usinas

nucleares receberiam US$ 47.

Ainda que o novo modelo não tenha sido discutido e nem aprovado pelo Governo, de

certa maneira começou a ser posto em prática. Está quase definida a construção de uma

nova usina termoelétrica em Campos, no Norte-fluminense, para utilização de gás natural,

com participação da Light, Cerj e Escelsa, as maiorias companhias de distribuição de

eletricidade nos mercados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. A Eletrobrás, através

da Nuclen, seria uma das sócias inicialmente, retirando-se da sociedade logo que o

projeto estivesse consolidado. A termoelétrica deverá ter capacidade para gerar 400

megawatts.

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