O planeta petróleo – Artigo

O Ilumina lamenta informar a seus associados e leitores que o Brasil está totalmente despreparado para debater questões CONCRETAS que afetem o interesse público.

Na área da energia, que não é um detalhe, pois está presente em todas as atividades humanas, os principais agentes atuam em “currais” de interesse ao invés de lançar um olhar abrangente para questões tão complexas. Há sinais de que em todas as áreas a sociedade brasileira está dividida em tribos seguindo religiões fundamentalistas. É um tipo de “nós e eles” elevado à última potência. É garantia de grandes problemas.

No caso em questão, parece que há um grupo que pensa estar em outro planeta, o planeta petróleo. Para eles, só existe um bem que deve ser preservado, aquela pasta negra que sai debaixo da terra. Todo o resto é “peanuts”. A AEPET (Associação dos Engenheiros da Petrobrás) é uma voz que não pode ser desprezada. Mas, o próprio plano A (sem plano B) do Brasil, que apostou todas as fichas no pré-sal mostra hoje a sua herança. O estado do Rio de Janeiro está praticamente falido em função dessa aposta. Atenção! Não é um problema apenas financeiro! Pessoas morrem por conta desses antolhos.

Para demonstrar com fatos essa visão estreita que domina as entidades que atuam no setor, vejam o e-mail distribuído pela AEPET para várias pessoas contendo avaliações subjetivas e preconceituosas sobre este autor e que o ILUMINA tomou conhecimento através de terceiros:

O nome em vermelho é o meu, o principal editor do site do ILUMINA.


 

        Aos Companheiros da AEPET,

        No período pré-64, que antecedeu o golpe militar, foram criadas entidades que faziam trabalhos de divulgação de propostas golpistas, contrainformação, suborno de jornalistas, financiamento de campanhas de candidatos de direita, etc. Dentre elas o IBAD – Instituto Brasileiro de Ação Democrática, IPES – Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais, CCC – Comando de Caça aos Comunistas, etc.

        Hoje há uma entidade com “cheiro” parecido. É o INSTITUTO MILLENIUM, ao que parece mantido pelo Grupo GERDAU. O JORGE GERDAU comandante do Grupo era Conselheiro da Presidente DILMA. O filho, que agora comanda o Grupo, ao que parece foi indiciado na Operação ZELOTES. Do MILLENIUM participam dentre outros como “ESPECIALISTAS”:

        – ADRIANO PIRES – ARNALDO NISKIER – BOLÍVAR LAMOUNIER– CLAUDIO CONSIDERA– EDMAR BACHA– GIL CASTELLO BRANCO – GUSTAVO H. B. FRANCO– HELIO BELTRÃO– HENRIQUE MEIRELLES– IVES GANDRA– JORGE CALDEIRA – JORGE MARANHÃO – MARIO VARGAS LLOSA – MAURO RODRIGUES DA CUNHA – PAULO RABELLO DE CASTRO – RAUL VELLOSO – ROBERTO PEREIRA D’ARAUJO – RODRIGO CONSTANTINO – RUBENS BARBOSA

        Para conhecer a relação completa dos “especialistas” veja o passo a p

        www.institutomillenium.org.br – opção: especialistas.

        Meus comentários:

        – Todos têm ampla presença nos meios de comunicação.

        – ADRIANO PIRES, dispensa apresentação.

        – MARIO VARGAS LLOSA, peruano prêmio nobel de literatura.

        – HENRIQUE MEIRELLES, ministro da fazenda de TEMER e Presidente do Banco Central de LULA.

        – CONSTANTINO escreve muito contra a PETROBRÁS no GLOBO.

        – E vai por aí …

        Forte abraço,

        Ricardo Maranhão


 

Transcrevo abaixo a resposta que enviei ao Dr. Ricardo Maranhão, figura ilustre da AEPET.

Recebi uma cópia desse e-mail, que considero preconceituoso, listando meu nome em vermelho entre os especialistas do Instituto Millenium.

  1. Escrevi artigos que foram publicados pelo instituto. Não sou filiado a ele.
  2. Já que a estratégia é rotular sem mais nem menos pessoas a ideologias, sugiro primeiro ler os artigos.
  3. Se o fizerem, vão descobrir que neles, estou denunciando o governo de “esquerda de araque” que destruiu a Eletrobras.
  4. Isso mostra que vocês não se informam.
  5. O Instituto Millenium não é um rótulo de garantia de “maldades” como quer fazer crer a AEPET.
  6. É graças aos desastres do governo da presidente afastada que passamos a ler argumentações de pessoas que não estavam alinhadas conosco e que agora TÊM TODA A RAZÃO.

É lamentável e merece todo o meu repúdio que uma instituição como a AEPET aja como uma militante desinformada.

Para parar de dar vexame, sugiro acessar a página do ILUMINA (www.ilumina.org.br), um instituto fundado em 1996 para a defesa do interesse público do setor elétrico e que, por incrível que pareça nunca recebeu atenção da AEPET. Depois de ler algumas matérias, dignem-se a pedir desculpas.

Roberto D’Araujo


Muito mais do que uma descortesia, esse evento mostra que, tendo uma população desinformada e iludida, mesmo assim não conseguimos contar com o apoio de entidades cujo principal objetivo deveria ser o do esclarecimento de questões CONCRETAS e não com discursos repletos de rótulos preconceituosos.

Desde já afirmamos que essa não é a linha do ILUMINA. Analisamos fatos, políticas energéticas e não ideologias. Estamos abertos para divulgar nossas argumentações em qualquer instituto ou veículo da imprensa que aceite não alterar uma vírgula do nosso texto.

 

 

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11 respostas

  1. Caro Roberto,
    Disponho-me a diminuir o nível de tensão contido nesta discussão. O Maranhão não salientou o seu nome com letras vermelhas. Digo isto porque eu recebi o original remetido por ele e seu nome não estava iluminado.
    Não entendi o porquê de existir tanta polêmica em se gostar ou não do Instituto Millenium. Cada um carrega suas preferências e tem o direito de externá-las. Simplesmente, o Maranhão não gosta dele e creio que você gosta. Por outro lado, todos sabem que as preferências carregam significados e, ao se assumir uma delas, está-se mandando mensagens.
    A AEPET não se posicionou sobre o Instituto Millenium, nem sobre nenhum ponto que o Maranhão escreveu, de forma que sua posição contra a entidade causou-me espécie. A AEPET combateu a adesão à ALCA e o programa de privatizações, defendeu a auditoria da dívida e tomou inúmeras outras posições sobre temas não relacionados ao petróleo. Então, ela não pode ser acusada de ser uma entidade corporativa.
    Fiquei sem saber o que você quis dizer com a “herança do Pré-Sal”. Talvez seja o fato de que, sem esta reserva, hoje, estaríamos importando cerca de um milhão de barris por dia, que é a atual produção desta região.
    Você disse certo: “o Brasil está totalmente despreparado para debater questões CONCRETAS que afetem o interesse público”. Eu acrescentaria que este fato ocorre principalmente devido ao nosso povo ser mal informado pela mídia tradicional, pertencente ao capital.
    Chamou minha atenção, sua frase: “Já que a estratégia é rotular sem mais nem menos pessoas a ideologias, …”. Então, pergunto, se na sua frase logo a seguir: “estou denunciando o governo de ‘esquerda de araque’ que destruiu a Eletrobras”, você não estaria também rotulando pessoas. Não vejo mal algum no ato de rotular. Ele nada mais é que uma comunicação rápida de como se está identificando a pessoa. O que você pode estar querendo dizer é que o rótulo, muitas vezes, é dito com sentido pejorativo, como, nos dias atuais, os rótulos “petralha” e “coxinha”. Mas, neste caso, está-se querendo obviamente “ganhar a discussão” através da desestabilização do interlocutor.
    Antes que eu esqueça, você é, para mim, uma das referências sobre o setor elétrico, assim como o Maranhão é também uma referência para o setor do petróleo.
    Seu texto geraria mais comentários, mas faço só mais um. O que faliu o Rio de Janeiro, excetuando eventuais roubos não provados, foi a falta de planejamento do atual e de governadores passados. Sabia-se muito bem que o preço do barril era sujeito a injunções de cartéis, pressões de governos e estabilidades das regiões produtoras. Por que não se ouve falar que a Noruega está passando por sérias dificuldades pela queda no preço do seu principal item de exportação?
    Se não estou enganado, uma das frases que aparecia no antigo seriado Arquivo X era “the truth is out there”. Analogamente, posso lhe afirmar que o inimigo está lá fora. A AEPET não é inimiga do ILUMINA e o inverso também é verdadeiro.
    Paulo Metri

    1. Paulo:

      Acho que você não leu a minha resposta ao Maranhão. Quem colocou a cor vermelha fui eu para mostrar para outras pessoas. Não tenho problemas ideológicos com a cor. A verdade é que o meu nome estava lá. Com qualquer cor! Com a introdução do e-mail do Ricardo, a meu ver muito preconceituosa, basta isso para responder do jeito que respondi. Você acha que foi por causa da cor?
      Vejo que você tem também uma visão compartimentada com a frase sobre o Millenium: “o Maranhão não gosta dele e creio que você gosta”. Com todo o respeito, o Millenium não é um time de futebol. É apenas uma instituição onde pessoas escrevem artigos. Alguns eu concordo e outros não. Repito: Quem pediu os artigos foi o Millenium!
      A minha observação sobre o governo Dilma ser uma esquerda “de araque” é uma rotulagem? Rotulagem baseada em fatos? Se você discorda, dá para você me apresentar algum outro exemplo de um governo que acredite só um pouquinho que o estado precisa tratar de questões estratégicas e que, ao mesmo tempo, arrebenta com a maior geradora estatal de um país?
      Você tem alguma ideia do que foi feito no setor elétrico? Sabe por quanto a Eletrobras foi obrigada a vender energia só para satisfazer a vontade da Dilma abaixar tarifa sem esforço? Menos de R$ 10/MWh. O valor da empresa caiu 70% de um dia para o outro, Metri! Mesmo assim, você continua pagando R$ 700/MWh.
      Dê uma lida nisso:
      http://ilumina.org.br/batido-o-recorde-de-energia-barata-relatorio-de-sustentabilidade-de-furnas-2012/
      Depois leia isso:
      http://ilumina.org.br/como-privatizar-uma-estatal-sem-ninguem-perceber/
      Basta ler esses dois para entender porque a minha rotulagem. Se a privatização de empresas públicas é um objetivo de governos de direita, posso garantir que agora, depois do governo Dilma, ficou muito mais barato.
      Não há termos de comparação da minha “rotulagem” com a feita pelo Maranhão.
      Quando recebi o e-mail do Ricardo, não sabia que ele não estava na AEPET. Portanto, posso ter exagerado, mas, tenho sempre essa impressão que, em geral, a AEPET não se interessa muito sobre o setor elétrico. O Maranhão mesmo confessou que “iria ler” os artigos.
      Estou à disposição para melhores entendimentos.

      Abcs

  2. Guilherme,

    Certamente pelo seu mini curriculo depreendo que você deve ser muito jovem se comparado comigo , nascido em 1938 !!!, formado pela Escola Nacional de Engenharia em 1960. Hoje, somente membro do Conselho Diretor do Clube de Engenharia.

    Fiquei até com certa inveja pela sua carreira no sistema financeiro. Auguro grande patrimônio quando você chegar a idade
    maior. Se é que já não o acumulou nesse nosso país de desigualdades.

    “Infelizmente” fui engenheiro publico . Pode ficar certo que não passei em branco e vazio nos 30 anos de setor elétrico. Acredite tambem que tendo ocupado, nos derradeiros 10 anos de Furnas, o cargo de Superintendente de Engenharia. honrei os principios
    de John Cotrim na busca da excelência das equipes e , para sintetizar o principal, a permanente crença na importancia e liderança
    da empresa PUBLICA no desenvolvimento autônomo da tecnologia e da engenharia no Brasil.

    Imagino como deve ser dificil para um jovem , emprenhado pela midia torpe, acreditar que a ética radical pode ter acontecido
    na empresa PUBLICA em diversos períodos dos ultimos 60 anos da historia do Brasil.

    Estranha pregação democrática tem aparecido no Brasil e no mundo vindas de “ALEGRES DEMOCRATAS”. Que se constituem em boa maioria do Instituto Millenium.

    Limito-me a recomendar a compra e leitura diaria do Dicionário Crítico do Pensamento da Direita – Idéias, Instituições e Personagens – Organizadores: Francisco Teixeira da Silva, Sabrina Evangelista Medeiros, Alexandre Martins Vianna. Ano: 2000

    Deve estar esgotado. Mas encontrável em sebos.

    Ha ! Ia esquecendo. Sobre SOBERANIA, conceito considerado dispensável pela elite brasileira de direita ( ela existe!!!!) , recomendo , para um bom começo, a leitura do livro O POÇO DO VISCONDE de Monteiro Lobato

    Olavo

    1. Olá Olavo, meu nome é Guilherme Villani. Sou profissional de Mercado de Capitais e Energia. Já trabalhei em empresas abertas como Santos Brasil e Alupar, e nos últimos 2,5 anos como profissional de Equities e Renda Fixa da mesa institucional da XP Investimentos. Como brasileiro, gosto de refletir sobre os desafios do país, em especial infraestrutura. Acompanho há muito tempo os artigos do Ilumina. Já tive a oportunidade de conversar algumas vezes com o Roberto, pessoa pela qual tenho enorme estima. Comungo da mesma opinião em muitos assuntos, em especial com relação ao modelo do sistema elétrico, que não atingiu seus 3 objetivos principais.

      A dicotomia esquerda x direita empobrece este país. Rotular pessoas, destruir biografias não levam a lugar algum, aliás, só levam destruição de pontes de diálogo para a discussão madura sobre os nossos problemas em comum. É inegável que todos os governos, democráticos ou não, de esquerda ou direita, acertaram e erraram, produziram avanços e retrocessos.

      O I.Millenium possui mais de 160 especialistas. Seriam todos eles “direitistas” e “facistas” ?. E se alguns realmente forem, qual a dificuldade em lermos a opinião alheia e simplesmente concordarmos ou discordarmos. Precisamos rotular e desqualificar somente por não concordarmos?? É justo o ataque a Roberto D’Araujo?? Será que o Raul Velloso e o Jorge Caldeira mereciam igual ataque??? Acredito que não… por isso classifico como no mínimo lamentável e desprezível.

      1. Guilherme:

        Agradeço bastante seu apoio e sua equilibrada resposta. Assim como na atual situação da sociedade brasileira, o ILUMINA tem seus oposicionistas. Muitas vezes, pelo seus radicalismos, eles até nos ajudam a ir a fundo em questões políticas. O que me entristece é a decepção com a AEPET que parece viver num mundinho a parte dentro do imenso universo da energia.

        Gratíssimo!

  3. Prezado Roberto,

    O que aconteceu e acontece com o setor energético resulta, em grande parte, dessa perda de substância do quadro de pessoal das empresas estatais que o compõem.

    Há muito tempo que a política e a ideologia passaram a ocupar espaços cada vez maiores nas empresas, porém o corpo funcional ainda conseguia manter um nível razoável de integridade empresarial.

    Espírito de corpo, corporativismo, qualidade tratada como defeito.

    Esse espírito de corpo não mais existe; a ideologia dissociada da alma das empresas não tem objeto concreto a defender, a lutar.

    Os empregados não mais vestem a camisa da empresa; eles agora são soldados da ideologia A, B, C … ou qualquer outra que esteja na moda.

    É uma realidade triste.

    Roberto, quem acompanha sua trajetória de vida, seus artigos publicados em vários veículos da mídia, suas análises criteriosas sabe quem você é. O Brasil precisa de muito mais brasileiros do seu quilate.

    Ronaldo Nery

  4. O Instituto Millenium não é um aglomerado de simples e alegres liberais no sentido libertário da palavra

    Nele milita a fina flor da direita brasileira

    Basta prestar atenção nos 164 listados no site da instituição, entre os quais estão notórios conservadores,
    inclusive de viés fascista e fascistas inteiros.

    Entre ao estrangeiros está Mario Vargas Llosa , o qual , com do Prêmio Nobel, é um intelectual de direita.

    Entre os brasileiros, direitistas óbvios como Rodrigo Constantino e o pseudo historiador Marco Antônio Villa.

    Eu jamais me aproximaria de tal gente que , na sua maioria, quiçá unanimidade, apoiou o golpe torpe e o governo interino vil.

    Depois de grandes amores por notórios jornalistas do veículo líder da mídia golpista monopolista carioca, o redator unico do Ilumina corre novamente risco de mal entendidos que eu, declaro, não considero mal entendidos.

    Vem a cabeça novamente que uma boa parte do povo francês entre 1940 e 1944 preferiu o governo de Vichy como uma retaliação
    ao Front Popular de Léon Blum em 1936.

    1. Lamentável. Ao menos serve para sabermos quem é este indivíduo desprezível.

      Não é apenas culpa dos politicos que a Petrobras está xafurdando em escândalos e incompetência.

      Minha solidariedade a todos os especialistas do I. Millenium.

  5. Roberto

    Seria bom que o Sr. Ricardo Maranhão dissesse para os companheiros dele da AEPET o que eles fizeram e estão fazendo para defender a Petrobrás, ao invés de sair criticando Deus e o mundo.

    Aceite minha solidariedade.

  6. Roberto

    A rotulação ideológica é uma violência contra a liberdade intelectual.

    A história nos ensina onde nos levam as certezas ideológicas.

    Triste momento vivemos no Brasil.

    Minha solidariedade.

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