ONS: situação hidrológica do Nordeste preocupa governo


Comentário: Por mais que se queira tapar o sol com a peneira, a verdade começa a aparecer. O ONS declara quepara ter segurança é preciso investimentos. “Eu tenho uma visão que o grau de segurança representa custo adicional”, e o diretor da ANEEL diz em alto e bom som Quanto à questão de segurança, o diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino, afirmou que sempre vai persistir o dilema modicidade tarifaria e volume de investimento.

Essas declarações, se ditas num seminário, não teriam muita importância, mas, ditas em audiência no congresso sobre um evento de grave apagão no nordeste, só confirmam as nossas suspeitas, que pode ser resumida no gráfico acima.



 

 Por Adriana Maciel, de Brasília – Jornal da Energia 11/09

 

O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema (ONS), Hermes Chipp, afirmou nesta quarta-feira (11/09) durante a audiência pública realizada na Câmara dos Deputados que a maior preocupação do ONS e do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) no Sistema Interligado Nacional – SIN é com a região Nordeste. De acordo com o diretor, a região apresenta o pior período em termos de hidrologia em 82 anos.

 

“Nós estamos operando com intercâmbios elevados, o reservatório de Sobradinho com 35% apenas e depois desse blecaute, como setembro é um período elevado de queimadas, nós passamos a operar com o nível 2 de segurança, porque se repetir o evento, não haverá mais blecaute”, ressaltou Chipp. Ainda segundo o diretor, a partir de outubro o ONS vai voltar a explorar o intercambio de energia no SIN, com o objetivo de recuperar os níveis dos reservatórios no Nordeste.

 

Durante a reunião, o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia (MME), Márcio Zimmermann, afirmou que o sistema é robusto, mas com as usinas longe da carga dificulta operar o alto grau de intercâmbio em um país com dimensões continentais. Para o secretário, o governo deve estudar para evoluir pontos do sistema para o modelo N-2, que em caso de ocorrência dupla em linhas de transmissão, o sistema continuaria funcionando.

 

“O Brasil tem um dos modelos mais desenvolvidos nessa área, com um tempo de recomposição rápida, mas em alguns locais estamos trabalhando com critério N-2, como Brasília e o Nordeste”, afirmou. Hoje o sistema trabalha em N-1, com garantia de carga se houver falha em apenas um elemento de transmissão.

 

O deputado Arnaldo jardim lembrou os apagões ocorridos em 2012, destacando a fragilidade do sistema. E questionou se o desligamento prematuro das térmicas não seria a causa do blecaute, alegando que tal modelo de geração poderia ter segurado o sistema no Nordeste. Rebatendo as críticas do deputado, Zimmermann garantiu que os episódios serviram para uma atuação forte do sistema, onde a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) fiscalizou com muito mais rigor cada problema. O secretário acrescentou, ainda, que não existe nenhum país no mundo que trabalha com o critério N-2 e que o Brasil está no patamar acima de muitos países.

 

Já Hermes Chipp afirmou que para ter segurança é preciso investimentos. “Eu tenho uma visão que o grau de segurança representa custo adicional. Qual o grau de segurança que queremos pagar? Cai na questão de investimento. O governo tomou a iniciativa de fazer um teste de análise do N-2 em Brasília e foi positivo. Não foi um grande investimento para ter segurança melhor. Mas em alguns lugares não vale a pena, então medidas preventivas já bastam”, explicou.

 

Quanto à questão de segurança, o diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino, afirmou que sempre vai persistir o dilema modicidade tarifaria e volume de investimento. Para Rufino, dar mais segurança, custa mais e este deve ser uma escolha do planejamento do setor elétrico. “Certamente é uma preocupação dessa casa (Câmara) a questão da tarifa, e segurança não pode ser também a qualquer custo. Temos que saber dosar essa questão da segurança do sistema e da modicidade tarifária”, ressaltou o diretor da Aneel.

 

Quanto ao assunto principal da audiência pública, que era o blecaute na região Nordeste, no dia 28 de agosto do mês passado, Romeu Rufino esclareceu que a Aneel já está com o processo de fiscalização nas duas transmissões que tiveram problemas em andamento, para verificar e atribuir as responsabilidades pelo apagão que durou cerca de três horas. Conforme já havia sido noticiado pelo Jornal da Energia, a agência reguladora solicitou às empresas envolvidas uma limpeza das faixas de transmissão.

 

E, a apuração logo após o blecaute pelo ONS e pela Aneel, uma queimada na vegetação foi a causa do desligamento automático do circuito. Hermes Chipp ressaltou na apresentação aos parlamentares que não é necessário ter fogo no cabo para ocorrer o curto circuito, mas apenas o foco de calor é o suficiente para que a interrupção do sistema local ocorra, de modo a isolar a linha atingida do resto do SIN. Dessa forma, o blecaute não afeta o resto do país.

Categoria

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *