ONS terá dificuldade este ano para repetir a estratégia adotada em 2014 – Valor

http://www.valor.com.br/brasil/3917618/ons-tera-dificuldade-para-repetir-este-ano-estrategia-adotada-em-2014

Comentário:

A principal declaração da reportagem é a de Edvaldo Alves Santana, ex-diretor da Aneel: “A saída é ter mais térmicas e menos consumo, não restam alternativas”.

Outro trecho: A estratégia usada em 2014 poderá ter resultados menos expressivos em 2015. Nos principais reservatórios de cabeceira, o estoque acumulado até agora é bem inferior ao verificado no mesmo período do ano passado, dificultando ainda mais a tarefa do operador.

O que parece ser apenas um detalhe operacional expõe a fragilidade e o defeito genético do modelo comercial adotado. O que é espantoso é que declarações como essa não provoquem imediatamente alguma reflexão sobre a metodologia que definem as garantias físicas de TODAS USINAS DO SISTEMA.

O ILUMINA explica porque:

  1. Concordamos com a frase “A saída é ter mais térmicas e menos consumo, não restam alternativas”.
  2. A diferença é que, quando o ILUMINA diz isso, reforça a idéia de que o sistema está em desequilíbrio. Faltam usinas. Térmicas e hidráulicas!
  3. Se não forem suficientes, o consumo tem que ser menor!
  4. As estratégia de uso dos reservatórios e térmicas são meras opiniões? Não! Ela surge de um modelo matemático que determina o uso da reserva ou de geração térmica.
  5. Esse modelo indica a estratégia através de um parâmetro chamado custo marginal de operação (cmo).
  6. Se a estratégia será alterada, isso será feito sem mudanças nesse parâmetro? A operação será opinativa?
  7. Se a resposta a última pergunta confirma a necessidade de se alterar a formação do CMO, então, basta dar uma olhada nas fórmulas abaixo (portaria 303/2004 do Ministério) para compreender o que diz o ILUMINA.

  • A complexidade dessas fórmulas já é motivo de espanto para alguns leitores, mas esse é o modelo que estamos usando e que influencia na sua conta de energia. Você pode até não acreditar, mas é por conta dessa confusa matemática que estamos na situação atual.
  • Não precisa compreender tudo para perceber que, se as mudanças forem feitas respeitando o modelo matemático, o cmo será alterado e, consequentemente, as garantias físicas também deverão ser.
  • Trocando em miúdos: O sistema que atende o consumidor brasileiro NÃO TEM A GARANTIA QUE DIZ TER!

Enfim, a falta de vontade de examinar o cerne de sistemas já é uma marca registrada brasileira. Parece que teremos que “sofrer” mais uma pouco para chegarmos a essa óbvia conclusão. Pior! O Dr. Edvaldo sabe disso, mas ……

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8 respostas

  1. Roberto

    Os responsáveis pela gestão do setor elétrico sabem que as garantias físicas são menores que as outorgadas para as centrais nos leilões!

    O que eles não sabem como fazer é a renegociação dos contratos com os proprietários das centrais, caso o governo decida reduzir as garantias físicas outorgadas nos leilões.

    Os contratos das centrais com as distribuidoras têm muitos anos de vigência.

    Quem ficará com o mico da redução das garantias?

    A se acreditar na equipe econômica, você pode imaginar quem pagará a conta!

    1. Adilson;

      Você tem toda a razão e, justamente por isso, esse sistema não tem sentido. No horizonte dos contratos o sistema irá se alterar ainda mais e, novamente, as garantias teriam que ser alteradas. Querem uma grandeza que não se altera? O MW. Quantos MWh se retira de cada MW depende da configuração, da época do ano, dos preços e até do meio ambiente. Como o sistema tem que ser idealizado com antecedência, é insano deixar isso ao mercado.

      1. Roberto

        Esse mercado atacadista operado por modelos computacionais (implantado no governo Fernando Henrique e referendado nos governos Lula e Dilma!) não são adequados para o sistema elétrico brasileiro.

        É importante ter claro que esse mercado atacadista foi implantado contra a opinião dos consultores internacionais.

        Infelizmente, ele foi proposto por técnicos brasileiros do setor elétrico.

        Talvez aí resida a maior resistência a mudar

        1. Adilson

          Eu não estive nas reuniões com o pessoal da Coopers&Lybrand, mas o testemunho de vários colegas é de que eles pretendiam implantar concorrência entre as hidroelétricas sem reconhecer a interdependência entre elas. Talvez se alguns dos nossos leitores tiverem informações mais precisas…

  2. Roberto não podemos concordar com a simples frase a la Maria Antonieta que “A saída é ter mais térmicas e menos consumo, não restam alternativas”. O consumidor não tem haver com isso. Ele paga uma conta pelo consumo e muito cara por sinal. A saida é rever o Modelo Atual do Setor Elétrico, totalmente esquisofrenico tal como o Governo Atual.

  3. Roberto,

    O NEWAVE hoje é uma verdadeira cocha de retalho em função do grande número de versões e alterações que o mesmo já sofreu, e o mais provável que ocorra é a colocação de mais um retalho.
    Será que alguém de sã consciência ainda acredita que o sistema elétrico brasileiro possa ser operado de forma centralizada, com base nos resultados fornecidos pelos modelos matemáticos NEWAVE e DECOMP?

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