Presidente da Eletrobrás diz que grupo tem 40% de chefes ‘vagabundos’ – Estado do SP

Análise do ILUMINA: Pode ser que o atual presidente da Eletrobras tenha razão e existam cargos de chefia inúteis na empresa. O que não se pode aceitar é essa declaração isolada de toda a enxurrada de políticas prejudiciais adotadas nos últimos anos. Muitas delas foram tomadas no governo da presidente Dilma, mas é preciso entender que o atual grupo político no poder (e que indicou o Sr. Wilson) fez parte do governo “deposto”. Será que não restaram diversas indicações políticas desse grupo?

Se é para ser levada a sério a declaração do atual presidente de que deseja “o melhor para a empresa”, seria esperada alguma decisão corajosa para mudar as condições impostas à Eletrobras. Onde estão??

Elas não se limitaram ao papel de redução artificial de tarifas, que até hoje exigiriam um diagnóstico nunca realizado. Imaginem a quantidade de “chefias” criadas nas diversas Sociedades de Propósito Específico que foram impostas para “viabilizar” a participação privada em projetos de retorno duvidoso?

Hipocrisias à parte, todos sabem que o atual governo tem o objetivo de privatizar empresas. Apesar de nunca declarado, as decisões do governo anterior, mantidas pelo atual, formaram um “casamento perfeito” para os que acham que a solução para o país é entregar tudo à iniciativa privada.

http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,presidente-da-eletrobras-chama-funcionarios-de-vagabundos-ouca,70001856722


 

Fernanda Nunes, Broadcast

Em conversa com sindicalistas, Wilson Ferreira Júnior disse que 40% da chefia da estatal são ‘caras inúteis’ que ganham até R$ 40 mil; fala gerou mal estar na empresa

Empresa está em crise desde o fim de 2012, sob impacto de um pacote de medidas do governo federal para reduzir as tarifas de eletricidade. 

Em meio a discussões com sindicatos para implantar um plano de corte de metade dos funcionários, a divulgação de uma conversa do presidente da Eletrobrás, Wilson Ferreira Júnior, com sindicalistas gerou mal-estar na empresa, a ponto de o executivo se ver obrigado a gravar uma fala na televisão interna pedindo desculpa pela “veemência” com que se referiu ao que considera “privilégios” na estatal. Por conta dos adjetivos “vagabundos” e “safados” usados pelo presidente para tratar de chefias da Eletrobrás, os sindicatos promoveram ontem uma greve de 24 horas.

 “São 40% da Eletrobrás. 40% de cara que é inútil, não serve para nada, ganhando uma gratificação, um telefone, uma vaga de garagem, uma secretária. Vocês me perdoem. A sociedade não pode pagar por vagabundo, em particular, no serviço público”, traz um dos áudios, gravado durante uma reunião com sindicalistas, em 1.º de junho.

Em outro trecho da conversa, o presidente diz que há na estatal muito mais gerente do que deveria. “Temos um monte de safado, lamentavelmente, que ganha lá 30, 40 paus (mil reais). Tá lá em cima, sentadinho.”

Em resposta ao Estadão/Broadcast, a Eletrobrás afirma que Ferreira Júnior “reconhece que usou algumas expressões rudes”, por isso, fez questão de gravar o vídeo com pedido de desculpas aos funcionários, nesta semana. A Eletrobrás diz ainda que os áudios foram tirados do contexto e que “o presidente estava apresentando aos sindicatos a reestruturação da companhia”.

Presidente da Eletrobrás pede desculpas por ter chamado funcionários de ‘vagabundos’

A estatal do setor elétrico quer reduzir o seu quadro de empregados de cerca de 23 mil para 12 mil, com a venda das distribuidoras (6 mil deixariam o grupo) e com planos de incentivo ao desligamento (5 mil). Além disso, desde o ano passado, foi extinto um nível hierárquico e reduzido em mais da metade o número de cargos comissionados, como gerentes, assistentes e assessores. A redução das chefias aconteceu na controladora, mas, a ideia é, neste ano, estendê-la às subsidiárias.

Durante a conversa com os sindicalistas, Ferreira Júnior tenta convencê-los de que as reivindicações apresentadas por eles favoreceriam funcionários que vivem em situação de privilégio. Os sindicalistas respondem então que as chefias privilegiadas “têm padrinhos” e que as mudanças trabalhistas que estão sendo implementadas “pegam” para os demais, ao que o presidente emendou: “Não, não vai pegar”.

“Repudiamos as declarações do presidente, que, desde que entrou, diz que os empregados são ineficientes. O setor elétrico funciona bem graças ao seu corpo técnico. Os trabalhadores estão sofrendo assédio”, afirmou o diretor da Associação dos Empregados da Eletrobrás (Aeel), Emanuel Torres.

 

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Em nota, a Eletrobrás informou que os “sindicalistas ameaçaram entrar na Justiça contra as privatizações e se mostraram contrários ao plano de desligamento voluntário para o CSC (Centro de Serviços Compartilhados, tecnologia que permitirá sinergia no grupo)”.

A empresa afirma ainda que “o presidente elencou diversas situações inaceitáveis dentro de uma empresa do porte da Eletrobrás, como falta de comprometimento de alguns gerentes, descaso com as metas da companhia e, até mesmo, fraudes envolvendo o sistema de catracas, que registram o ponto. Por isso, com o intuito de alertar aos sindicatos para que eles se manifestem contra esse tipo de comportamento indevido, o presidente usou de maior veemência”.

Com a paralisação de ontem, os funcionários reivindicaram também o pagamento da participação no lucro de R$ 3,4 bilhões de 2016, previsto no acordo coletivo. Segundo a empresa, “a companhia pode realizar o pagamento até 31 de dezembro e está negociando o calendário de pagamento”.

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4 respostas

  1. O Presidente da Eletrobrás, que quer se mostrar tão zeloso com os gastos no serviço público, deveria avaliar seriamente a necessidade da Eletrobrás ter tantos Diretores e o custo de cada Diretoria. Isso vale para as empresas controladas.
    Aí vai descobrir porque tem gente que ele diz não ter o que fazer. E vai ver que a maioria é gente qualificada, praticamente encostada por não fazer parte dos esquemas da Diretoria e seus patrocinadores, Jucá, Sarney, Joesley etc.

  2. O ILUMINA, embora abordando com clareza a incompetência que temas como a MP 579 e as falcatruas das SPEs vem sendo tratadas pelo governo e seus prepostos, foi elegante no comentário sobre as declarações do sr Wilson Ferreira que, por indicação do PMDB de São Paulo,ocupa a presidência da Eletrobrás. Wilsinho, como é conhecido na intimidade, foi presidente da CPFL e colocado na Eletrobrás com o objetivo de concluir o processo de privatização da empresa que passa. como todos sabemos, pelo desmonte de seus quadros técnicos mais qualificados. Inspirado em FHC, que chamou aposentados de vagabundos, Wilsinho é representante legítimo do baixo nível técnico e administrativo que assolam o setor elétrico e o país.

  3. Roberto
    Vamos aos fatos. A deplorável situação da Eletrobras não é culpa dos seus empregados e também não é apenas culpa do governo Dilma. Tem muito mais gente envolvida.
    Na verdade, o desastre é culpa conjunta dos governos FHC, Lula, Dilma e do atual.
    – Tudo começou no governo FHC, que ao implantar no Setor Elétrico o Modelo de Mercado de Base Privada, gerido e operado pela ANEEL, ONS e MAE, deixou a Eletrobras em processo de extinção que seria completado com a efetivação da privatização das suas subsidiárias (CHESF, FURNAS, ELETRONORTE E ELETROSUL). A Privatização da Eletrosul chegou a ser iniciada com a venda das suas usinas. Sem função no novo Modelo do Setor, restaria à Eletrobras algo como ocorreu com a Telebras.
    – A culpa do Governo Lula reside no fato de que, abandonando a sua proposta de campanha, depois de retirar a Eletrobras do PND não lhe devolveu nenhuma das funções que antes exercia. Até mesmo a recriação da atividade de Planejamento da expansão do Setor, antes uma das suas principais funções, esta atividade foi entregue a uma nova empresa então criada, a EPE. Portanto, restou à Eletrobras unicamente a função de “holding”, muito pouco para o que estava preparada e para o que deveria ser.
    – A culpa do Governo Dilma foi primeiro a de manter esta situação (aliás, ela pessoalmente era a principal responsável por tudo que estava ocorrendo, desde 2003) e, em seguida, pelo golpe de misericórdia de setembro de 2012, com a edição da famigerada MP 579. Não se exclua das responsabilidades também o Congresso, que podendo corrigir o absurdo, aprovou a MP, transformando-a na Lei 12.783.
    – E o atual Governo é culpado também por não ter feito nada para corrigir os erros, nem sequer acenar com propostas efetivas que possam reorganizar o Setor e ajustar as suas empresas, parecendo apenas querer culpar os empregados da Eletrobras e de suas subsidiárias pelos erros que se vêm acumulando já há mais de vinte anos.

    1. Feijó:

      Se você consultar a minha análise em http://ilumina.org.br/aneel-reduz-em-136-as-receitas-de-transmissoras-valor/ vai ver que contei toda a história.
      Você tem toda a razão sobre a perda de funções da Eletrobras. Certamente muitos cargos criados no passado perderam o sentido. Entretanto, o golpe de misericórdia foi a absurda MP 579, decisão que revela um medo do mercado, já que muitos erros, se fossem corrigidos, afetariam os interesses de grupos poderosos. É a preferência por trajetos de menor resistência. Os absurdos permanecem pois o governo atual, na minha opinião, tinha total conhecimento das decisões e aprovaram. Na realidade sabiam que a fragilização seria o “hall de entrada” para o que estamos assistindo agora.

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