Recessão e chuvas afastam risco da falta de energia – (Valor) e Térmicas desligadas

http://www.valor.com.br/brasil/4157756/recessao-e-chuva-ajudam-recuperar-oferta-de-energia

Você pode ler a mesma reportagem (completa) no “clipping” abaixo:

http://www.duke-energy.com.br/Paginas/DetalheNoticia.aspx?itemListaID=1166

A reportagem do Valor afirma que não há mais risco de falta de energia. O Ilumina é bem mais cuidadoso nessa certeza e afirma isso com base em dados oficiais disponíveis (junho de 2015). O gráfico abaixo mostra a quantidade de energia reservada nas diversas usinas hidroelétricas dividida pela carga do sistema (linha azul). É a nossa poupança energética.

A linha vermelha é a linha de tendência, uma função matemática que detecta a propensão de longo prazo dessa reserva. Em junho tínhamos reservado o equivalente a 2 meses de consumo. Como se pode perceber, ainda não é possível notar uma mudança nessa tendência apesar da impressionante redução do consumo.

O que é impressionante nessas reportagens é que ninguém pergunta ao governo porque as térmicas mais baratas não foram ligadas antes de setembro de 2012. Numa incrível coincidência, o despacho térmico dobrou logo após o anúncio da medida provisória. Ora, o que está reservado hoje não conta a história apenas da chuva. Ela mostra a gestão adotada no passado e que nos levou a essa situação.


Nota sobre o anúncio de térmicas desligadas:

O governo anuncia no dia 05/08 que vai desligar térmicas com custo acima de R$ 600/MWh. Ora, como é fácil enganar os consumidores brasileiros, sempre confusos e sem memória das decisões das autoridades!

Quem tiver o trabalho de consultar as razões das bandeiras tarifárias vai ver que elas foram criadas para variar com o Custo Marginal de Operação, que, no mercado livre é o conhecido PLD. Esse valor já se reduziu para R$ 172/MWh, menos de 1/3 do preço das usinas desligadas. Essa promessa de relação com o CMO ou o PLD já foi desmoralizada faz tempos! Além disso, pela nossa análise acima, a decisão, que já se descolou de qualquer raciocínio lógico, pode colocar em risco o sistema. Basta termos um verão seco.

A impressão que se tem é que as autoridades do setor não aprenderam nada com a crise de 2014 e com a irrefutável curva de tendência mostrada acima. Todos os indicadores do próprio setor e da mudança climática indicam que os reservatórios têm que permanecer mais cheios  do que era usual. Os modelos podem dizer que o risco é zero, mas também podem estar errados.

Senhores consumidores: ECONOMIZEM E PAGUEM!

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6 respostas

  1. Se a situação energética atual já é critica, principalmente para região Nordeste como bem colocou prof. Adilson, onde já na condição atual iríamos “tirar leite de pedra do reservatório de Sobradinho” até final do período seco, imagine agora com essa decisão mágica tomada pelo governo, e não podemos esquecer que é validada pelo operador do sistema!

  2. Roberto,

    Prefiro acreditar que o problema do setor elétrico é técnico, mas ele só pode ser resolvido se existir vontade e decisão política para efetuar as mudanças necessárias e inadiáveis, que já foram objetos de diversos artigos e comentários no Ilumina, tais como;

    1. Voltar ao modelo de energia pelo custo como defendido pelo Prof. Feijó e outros, pois o atual é um verdadeiro Frankenstein visto que apesar da energia ser tratada como mercadoria, a maioria dos consumidores são cativos e nunca deixarão de ser até um futuro não muito próximo. Basta olha o emaranhado de fios existentes nos postes da quase totalidade das cidades brasileiras o que praticamente impede a passagem de fios de uma empresa concorrente. Mas mesmo que isso não fosse necessário em virtude da utilização da rede existente mediante o pagamento de um adicional de transporte, ainda restariam os custos das perdas de transmissão e de faturamento, que deveriam ser adicionados ao custo da energia mais barata existente em outra região, e mesmo que tudo isto compensasse, esbarraria em problemas gigantesco, pois haveria necessidade não só de um super computador para processamento e gerenciamento de um sistema comercial extremamente pesado, como também a necessidade de um sistema de informação extremamente agiu e poderoso para manter todos os consumidores informados;
    2. Acabar com a idéia megalomaníaca de que o sistema elétrico brasileiro pode ser planejado e operado da forma centralizada existente hoje, tendo como ferramental para precificação um modelo matemático que não foi desenvolvido para esta finalidade, e que hoje em virtude do grande número de versões e atualizações parece uma cocha de retalho, com o agravante de que a versão/atualização usada em um dado horizonte de planejamento muito provavelmente não será a mesma a ser usada no horizonte da operação;
    3. Respeitar as características de cada bacia e as necessidades dos demais usuários das mesmas de maneira a evitar defluências inferiores aquelas exigidas para qualidade e captação d’água para uso humano e animal, navegação, irrigação, piscicultura e turismo. Não praticar defluências superiores a vazão regularizada para não provocar o esvaziamento prematuro dos reservatórios, a menos que haja perspectiva de vertimento, e que neste caso a eventual redução de custo decorrente da geração adicional seja usada em beneficio de todos os consumidores;
    4. Despachar as usinas térmicas por ordem de mérito observando-se as características contratuais definidas para a concessão, evitando-se que o proprietário de uma dada usina deixe de gerar o valor previsto em contrato.

  3. Com respeito aos comentários de Adilson de Oliveira salientamos que o Ilumina tem de cumprir o seu papel de alertar e não embarcar em otimismo prematuro, e isto fica evidente pelos diversos artigos e comentários divulgados e pela tendência exposta no corpo principal deste artigo que mostra que não existe nenhuma garantia que tenhamos escapado do racionamento. É bom relembrar o conceito de ‘Período Crítico’.

    Segundo alguns economistas a recessão que atinge o Brasil é provocada basicamente pela elevação da taxa de juro para controlar uma inflação decorrente da elevação de custos tais como energia e combustíveis, e não de desequilíbrio entre a oferta e a demanda, o que é muito estranho.

    Quanto ao silêncio generalizado relativo aos erros passados na gestão dos reservatórios, não podemos concordar que ele possa ser explicado pela responsabilidade difusa pelos mesmos, pois se assim fosse estaríamos admitindo que os mesmos foram devidos a decisões políticas e não técnica e isto seria o pior dos mundos.

    Endosso os pontos de vista do Olavo no tocante a implantação de reservatórios de regularização plurianual desde que as avaliações de beneficio/custo indiquem que os mesmos são as melhores alternativas para o Brasil no horizonte em estudo como era feito em um passado recente, onde não existiam índices miraculosos favorecendo sistematicamente usinas que sem eles nunca seriam incorporadas ao sistema.

    Após o término da festa do MWh barato ainda não vir nenhuma reportagem com ambientalistas criticando a operação de térmicas altamente poluentes a carvão, óleo diesel e óleo combustível, e tão pouco nenhum estudo sobre o efeito estufa provocado pelas mesmas

    1. José Carlos:
      Apesar da operação “esvazia reservatório” de 2012 possa atrair a interpretação de um inaceitável viés político, acho que a alternativa é tão ou mais grave do que a da politização. Se a formação de preços embutida nos modelos levaram inclusive ao desligamento de térmicas entre maio e agosto de 2012, então está tudo errado, pois, como já cansei de mostrar, temos um sistema indexado ao CMO, uma espécie de eminência parda desse modelo atrapalhado.

      Roberto Araujo

  4. Adilson de Oliveira elogia positivamente a prudência prematura do Ilumina.

    Por falar em prudência, lembrei-me da prudência recomendada há tempos quando, num cenário de mudança
    climática ao longo do século XXI, uma prudência , digamos histórica, tornaria extremante bem vinda a construção
    de reservatórios de acumulação plurianual ainda disponíveis sobretudo na Amazônia.

    Em outras palavras e antecipando a reação de nossos bisnetos no inicio do século XXII : nos elogiarão se voltássemos
    a construir grandes reservatórios de usos múltiplos. Nos execrarão se não o fizermos.

    Agua vai valer mais que petróleo….

  5. É fato que somente escapamos do racionamento neste ano porque a recessão derrubou o consumo de energia de forma impressionante.

    É também fato que as chuvas no Sudeste estão ajudando a preservação dos reservatórios da região e o dilúvio no Sul encheu os reservatórios dessa região.

    No entanto, a situação dos reservatórios do Nordeste é assustadora, tudo indicando que eles serão totalmente esgotados até o verão, caso não ocorra mudança radical na atual estiagem que assola a região

    E a situação do Norte pode se deteriorar rapidamente se a “secura” que os metereologistas mostram diariamente nos telejornais se prolongar por algumas semanas.

    Todos sabemos que os reservatórios do Sul são pouco relevantes em termos nacionais. Caberá aos reservatórios do Sudeste segurar o suprimento de energia até o próximo verão.

    A má notícia é que os reservatórios do Sudeste estão em níveis preocupantes e a ENA do Sudeste começou a mostrar sinais não favoráveis na última semana.

    Não por outra razão, o ONS continua despachando térmicas a todo vapor e a Aneel anunciou que os consumidores continuarão a ter suas tarifas oneradas pela bandeira vermelha.

    Sintetizando, o Ilumina cumpre papel social relevante ao não embarcar em otimismo prematuro.

    Quanto ao silêncio generalizado relativo aos erros passados na gestão dos reservatórios, acredito que ele pode ser explicado pela responsabilidade difusa por esses erros (as decisões forma tomadas no âmbito do CMSE!)

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