Reservatórios de água chegam a pior nível desde 2000 – Folha de SP

Comentário: A imprensa, no intuito de tentar explicar a atual situação do setor, geralmente faz a comparação dos níveis dos reservatórios em outros anos. Serve para mostrar a gravidade, mas parte de uma premissa equivocada.

De 2005 até 2014 a carga do sistema interligado se elevou em 20%. Como a capacidade total da reserva não se alterou, a relação reserva/carga é agora 83% do que era em 2005. É como se a enorme caixa d’água tivesse diminuído. Portanto, a não ser que São Pedro nos fornecesse hidrologias crescentes, os níveis dos reservatórios em anos distintos são incomparáveis.

Isso evidencia o erro das autoridades do setor que desprezaram esse detalhe operando o sistema como se a reserva hidráulica fosse sempre a mesma. Ela não é! Como a carga se eleva, ela “decresce” aproximadamente 3 a 4% a cada ano e, como consequência, para ser cuidadoso, os níveis mínimos em cada ano deveriam ser crescentes. Portanto, fomos na contramão da lógica!

Se a reserva se reduz em relação à carga, o critério de operação que era usado em 2005 não pode permanecer imutável. A figura abaixo, já publicada diversas vezes, mostra que até 2012, o critério permaneceu sob o uso prioritário das hidráulicas. Reparem que a proporção da capacidade instalada hidráulica cai, mas não a responsabilidade por gerar.

Como se consegue evitar isso? Com a ajuda de outras fontes de energia, com políticas de eliminação de perdas ou com mais eficiência energética. Quando não se tem nada disso, adia-se o inevitável, o que só piora a situação.


 

JULIA BORBA

DE BRASÍLIA

21/09/2014  02h00

Os reservatórios das usinas hidrelétricas devem fechar o mês de setembro no nível mais baixo desde que a série do ONS (Operador Nacional do Sistema) começou a ser publicada, em 2000.

No início deste ano, o governo da presidente Dilma Rousseff decidiu não fazer campanha de racionamento de energia elétrica imaginando que seria possível chegar ao fim do período seco, em novembro, com abastecimento entre 30% e 40%.

Neste momento, os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste -responsáveis por 70% da capacidade de abastecimento do país- já apresentam resultado inferior ao desejado, 27%.

O fim de setembro e o mês de outubro ainda fazem parte do período seco dessas regiões, portanto, a tendência é que ainda haja redução do nível no período, mesmo que pequena.

“Agora não há uma preocupação com desabastecimento, mas em como estarão os reservatórios no início do ano que vem”, disse Alexei Macorin Vivan, presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Energia.

Se o nível estiver em 15% ou 18% como se imagina [no mês de novembro], não há como admitir nenhum tipo de manobra. Ou seja, não chovendo o suficiente a partir daí, o governo terá de lançar mão de uma medida para redução do consumo”, afirmou.

Para João Carlos Mello, presidente da consultoria Thymos Energia, o cenário indica que o país terá de enfrentar, no início do ano que vem, situação semelhante à vivida neste ano.

“Sabemos que 2015 será uma cópia de 2014, ano que começa dependendo muito das chuvas e mantendo as térmicas ligadas em sua totalidade pelo menos até abril.”

O baixo nível pode representar para o ONS um risco do sistema não conseguir atender a demanda dos consumidores durante o período de ponta -os horários de consumo mais intenso, afirma Mello.

A consultoria PSR, destacou como reflexo dos baixos níveis dos reservatórios o aumento de preços nas tarifas ao consumidor, que aparecerá nos próximos reajustes como consequência do uso intenso das usinas térmicas.

“Nossas projeções atuais apontam para armazenamento médio do sistema ao final de novembro em 20%, um dos valores mais baixos dos últimos 15 anos”, disse o gerente de projetos da PSR, Bernardo Bezerra.

“Isso vai se refletir nas tarifas de energia do mercado regulado e nos custos de compra de energia dos consumidores livres que estão sem contratos em 2015.”

Em resposta à Folha, o diretor-geral do ONS, Hermes Chipp, defendeu que os níveis atuais e a perspectiva de chuva indicam uma “transição da estação seca para a estação úmida dentro da normalidade”.

Ele negou que a situação atual seja determinante para a adoção de medidas de redução de consumo e defendeu a estratégia do governo.

Segundo Chipp, com a operação atual, não serão necessárias chuvas excepcionais no próximo período úmido.

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4 respostas

  1. O piro nível desde 2000. Deve-se buscar meios alternativos para produção de energia pois água deve ser utilizada com o máximo de responsabilidade e racionalidade.

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