Risco de déficit de energia em 2015 na região Sudeste cai de 1,2% para zero – Estadão

Comentário: Para quem acompanha a realidade através dos números do setor olhando não apenas o momento atual, mas a tendência de longo prazo, uma notícia como essa é uma história mal contada.

A curva abaixo, atualizada com os dados de julho de 2015 mostra a evolução da nossa “poupança energética”. Ela é calculada dividindo-se a energia reservada no sistema pela carga em cada mês.

Ainda não vemos motivos para comemorações, pois a curva pontilhada, uma função matemática que mostra a tendência dessa poupança, continua declinante.

Poderia ser diferente?

A nosso ver, sim.

Essa mudança poderia ser conseguida com a adoção de algumas políticas que sequer foram consideradas.

  • Um uso mais intenso de térmicas no período 2010 – 2012, principalmente em 2012, que mostrou uma energia afluente abaixo da média e mesmo assim, apenas depois de setembro o uso de térmicas dobrou. Coincidentemente após a MP 579.
  • Uma caça às perdas nas redes de distribuição, onde, equivocadamente, se considera existir apenas uma quantidade de perdas comerciais (furto de energia). Tanto na situação desordenada dos postes quanto no furto há perdas elétricas que precisam ser “caçadas”.
  • Um incentivo à energia distribuída, principalmente solar. Países com muito menor nível de insolação já têm programas significativos em termos energéticos. EX: Alemanha. (ver http://outraspalavras.net/blog/2015/09/03/por-que-a-energia-solar-nao-deslancha-no-brasil/).
  • Uma política incentivadora e fiscalizadora de eficiência em aparelhos elétricos.

Sendo essa lista suficiente ou não, o importante é que nada disso foi adotado. Fica evidente também que, com o sistema reduzindo sua capacidade de reserva em relação à carga, os reservatórios precisam trabalhar mais cheios.

Portanto, que significado têm essa avaliação pontual e circunstancial de probabilidade zero? Quem conhece a teoria estatística sabe que o evento de probabilidade nula não é o evento impossível.


 

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) informou nesta quarta-feira, que o risco de déficit de energia em 2015 na região Sudeste/Centro-Oeste caiu de 1,2% para zero em setembro. Depois de ter chegado ao recorde de 7,3% em fevereiro, essa é a primeira vez no ano que o risco para a região é zero em todos os cenários projetados pelo colegiado. O risco de falta de eletricidade para a região Nordeste também segue em zero.

De acordo com nota divulgada, o Comitê avalia que o Sistema Interligado Nacional dispõe de uma “sobra estrutural” de cerca de 9.359 megawatts médios para atender a carga prevista. Ou seja, a capacidade de produção do parque elétrico brasileiro hoje supera a demanda em quase 10 mil MW médios. Essa análise incorpora novos dados de queda no consumo e a entrada em funcionamento de novos empreendimentos de geração.
Apesar do risco de faltar energia ter sido zerado, o CMSE destacou que as chuvas em agosto ficaram abaixo da média histórica para o período em todas as regiões do País. Na região Sudeste/Centro-Oeste, as chuvas foram equivalentes a 91% do esperado para o oitavo mês do ano. O mesmo aconteceu nas regiões Sul (80%), Norte (77%) e Nordeste (50%).

Mas, como a quantidade de chuvas no mês de agosto já é bem superior à verificada no primeiro semestre, o nível de água das represas das usinas hidrelétricas continuaram a subir durante o mês passado. Por isso, o CMSE avaliou que as condições de suprimento de energia ao Sistema Interligado Nacional melhoraram em relação a julho.

Com a melhora nos níveis dos reservatórios das hidrelétricas e a queda na consumo de energia, o CMSE determinou no mês passado o desligamento de 21 usinas térmicas com potência somada 2 mil megawatts médios. Com a saída do sistema desses empreendimentos com custos de produção de eletricidade (CVU) superiores a R$ 600 por megawatt-hora, a economia estimada pelo governo até o fim do ano foi de R$ 5,5 bilhões.

Isso se refletiu em um desconto no preço da bandeira vermelha a partir deste mês. A mudança, aprovada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na semana passada, trouxe o preço da bandeira vermelha de R$ 5,50 para cada 100 quilowatts-hora consumidos para R$ 4,50.

 

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