Rombo da Eletrobras pode afetar contas públicas em R$ 15 bi. – O Globo

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Análise do ILUMINA: É plantando que se colhe. Nesse caso, o ditado é perfeito:

Como o Ilumina avisou diversas vezes, o que foi plantado em 2012, a Medida Provisória 579, está colhendo seus frutos agora.

O mais vergonhoso é que essa medida foi transformada em lei (12.783/2013), apesar dos enormes erros técnicos em que foi embasada, todos DENUNCIADOS PELO ILUMINA até em palestras públicas e artigos de jornal. Portanto, agora, é bom listar aqui os inúmeros absurdos dessa voluntariosa política que não existe em nenhum lugar do planeta.

É preciso que se diga a origem da interferência destruidora de valor da Eletrobras. Sem coragem para enfrentar os sucessivos erros que fizeram a tarifa brasileira ser a mais cara entre os países que contam com energia renovável, o governo resolveu atender os reclamos da FIESP que, também sem a mínima comprovação, dizia que tínhamos tarifa cara porque os preços cobrados pelas usinas antigas eram muito altos. Portanto, vamos aos erros;

  1. Os preços cobrados pelas usinas antigas foram resultado de leilão. Não foi a Eletrobrás que fixou.
  2. Balanços auditados e aprovados pela ANEEL foram desprezados e se resolveu adotar um critério externo de contabilidade.
  3. A filosofia adotada foi a de que amortização de investimento se faz por decurso de prazo, o que é um erro primário. Amortização é um cálculo contábil. Por exemplo, pode ser que usinas sejam amortizadas antes do prazo da concessão. Isso mostra o equívoco do método.
  4. Evidentemente alguma redução tarifária seria possível, mas o governo anunciou uma redução sem fazer as contas, o que obrigou a comprimir as tarifas a valores irrisórios.
  5. No mundo, quem tem tarifa são empresas e não usinas. Mesmo no caso de um único aproveitamento, há uma administração envolvida.
  6. Os custos de operação e manutenção, basicamente a “tarifa” que foi adotada, variam com a Capacidade Instalada, Nível de Geração, Número de máquinas, Tipo de Turbina, Nível de Automação, Regime de operação e Variáveis ambientais.
  7. O método usado usou apenas duas variáveis, a Capacidade Instalada e uma estimativa do nível de geração.
  8. Para se ter uma ideia do absurdo que essa decisão leva, uma usina com 2 máquinas de 400 MW e uma usina com 8 máquinas de 100 MW devem ter o mesmo custo de O&M!
  9. Isso levou a “tarifas” da ordem de R$ 8/MWh. Em US$ ao câmbio de R$ 3,50, isso significa menos de US$ 2,5/MWh, um absurdo técnico tal a disparidade com os preços cobrados dos consumidores.
  10. O efeito foi inútil, pois a tarifa não depende apenas de energia e apenas 16% das usinas eram da Eletrobras que foi obrigada a aceitar, ao contrário da CESP, COPEL e CEMIG.
  11. A mesma filosofia destrutiva foi adotada na transmissão que, nesse caso, atinge praticamente 70% das linhas.
  12. Como se não bastasse as tarifas irrisórias, as indenizações sobre ativos não amortizados foram calculadas às pressas e apresentando reduções da ordem de 70%, como mostra o documento da Eletrobras em 2012.

 

Portanto, qual é a surpresa? De um dia para o outro, considerando as indenizações ainda não pagas e insuficientes de 2012, e a perda de receita devido à MP 579, já se encontrava o sumiço de R$ R$ 37 bilhões até 2015.

Se houve um impeachment real e irreversível foi o da Eletrobras.


 

Estatal pode ser obrigada a resgatar ações no mercado americano

POR MARTHA BECK / GABRIELA VALENTE / RAMONA ORDOÑEZ / RENNAN SETTI 16/05/2016 18:58 / atualizado 17/05/2016 7:40

BRASÍLIA e RIO – Uma dívida bilionária da Eletrobras se tornou um problema adicional para as contas públicas de 2016. O ministro do Planejamento, Romero Jucá, informou nesta segunda-feira que esse passivo pode acabar tendo que ser incluído no resultado fiscal, aumentando o rombo previsto para o ano. Segundo ele, no cenário mais pessimista, o impacto seria de R$ 40 bilhões. Os técnicos da área econômica, no entanto, acreditam que o número mais provável seja em torno de R$ 15 bilhões. Caso isso ocorra, o déficit primário do governo central (que abrange os números do Tesouro, da Previdência e do Banco Central) vai superar as previsões mais pessimistas até agora, que apontam um rombo de R$ 125 bilhões.

Ministro do Planejamento, Romero Jucá, em sessão do Senado sobre projeto de desvinculação de receitas de estados e município, do qual foi relator

A Eletrobras precisa publicar seu balanço até 18 de maio, ou seja, nesta quarta-feira, nos Estados Unidos. No entanto, até agora, a empresa de auditoria KPMG não assinou o balanço, que tem pendências, decorrentes da dificuldade da Eletrobras de mensurar as perdas decorrentes do esquema de corrupção revelado pela Operação Lava-Jato. Se o problema não for resolvido, a empresa pode ser obrigada a resgatar os recibos de ações (ADRs) negociados no mercado americano. Isso teria impacto para o Tesouro.

Segundo Jucá, a Eletrobras não conseguirá apresentar seu balanço até o dia 18, mas ainda haverá um prazo para que o problema seja resolvido antes que o resgate das ADRs seja feito. Em teleconferência com analistas, o diretor financeiro da estatal, Armando Casado de Araújo, admitiu que o risco de a empresa não publicar o balanço na data prevista é “elevado”. De acordo com a agência de notícias Reuters, Araújo disse que é preciso avançar mais nas investigações internas sobre o assunto.

Segundo Araújo, o mais provável, se o documento não for entregue, é que a Securities and Exchange Commission (SEC, o órgão regulador do mercado americano) suspenda a negociação das ações da Eletrobras e inicie um processo para deslistagem da companhia na Bolsa de Nova York. Nesse caso, a estatal envidará esforços para entregar o balanço antes que o processo de deslistagem seja concluído, explicou o diretor.

Araújo ressaltou ainda que não há qualquer cláusula de vencimento antecipado associada à não entrega do balanço à SEC ou à deslistagem da Eletrobras na Bolsa de Nova York.

Segundo José Soares, analista da Moody’s, embora a dívida consolidada da Eletrobras seja de aproximadamente R$ 46 bilhões, apenas cerca de R$ 10 bilhões estão em títulos emitidos pela controladora. Este é o montante que estaria exposto a uma eventual obrigação de pagamento antecipado.

– Só esse montante está em bonds e, portanto, sob risco. Da dívida total, uma fatia de 60% está nas mãos de bancos públicos, como BNDES e Caixa. É pouco provável que esses bancos exijam pagamento antecipado. Além disso, a Eletrobras foi muito clara ao afirmar hoje (ontem) que não há nenhum covenant (clásula) nos títulos que preveja antecipação de dívida em caso de ela não apresentar o documento à SEC – explicou.

Soares lembrou que a situação financeira dramática da Eletrobras hoje foi provocada, sobretudo, pela medida provisória (MP) 579, de 2012, que, em troca da renovação das concessões do setor elétrico, impôs queda nas tarifas de energia.

– A Eletrobras foi a única empresa do segmento de geração que aceitou. Com isso, perdeu entre R$ 8 bilhões a R$ 9 bilhões por ano em receitas. Na transmissão, o preço do megawatt-hora foi reduzido de R$ 90 para R$ 30. Foi um mau negócio, um erro – afirmou o analista.

Outro problema para a Eletrobras é a determinação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para que ela devolva entre R$ 3,4 bilhões e R$ 7 bilhões – a depender dos juros a serem aplicados, o que ainda não foi decidido – ao Fundo da Reserva Global de Reversão (RGR). Para Soares, a companhia não tem condições de quitar esse valor de uma só vez. Por isso ele acredita que, em vez de emitir dívida para quitar esses débitos, a Eletrobras irá negociar com a Aneel para que a amortização leve dez anos.

Mas a companhia pode receber um alívio no seu caixa nos próximos anos em indenizações referentes a investimentos não amortizados em linhas de transmissão antes de maio de 2000. A Eletrobras estima um montante de R$ 32 bilhões.

Qualquer que seja a solução do governo para tirar a Eletrobras da crise, como uma capitalização, a conta chegará em algum momento ao consumidor. Esta é a avaliação de analistas do setor.

– A situação da Eletrobras é a crônica de uma morte anunciada. Não se poderia usar capital da companhia para financiar uma redução artificial de tarifas. E essa conta vai chegar ao consumidor ou ao contribuinte – afirmou o diretor executivo da Safira Energia, Mikio Kawai Jr., referindo-se à redução dos preços de energia em 2012.

Nivalde J. de Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) do Instituto de Economia da UFRJ, lembra ainda a forte seca do ano passado, que fez com que a estatal fosse obrigada a comprar energia no mercado de curto prazo a preços elevados para honrar seus contratos, e o envolvimento nas investigações da Operação Lava-Jato, por conta das obras de Belo Monte e da usina nuclear de Angra 3. Outro fator que contribui para os resultados negativos da Eletrobras são as distribuidoras da Região Norte, que representam elevados prejuízos à estatal.

– A Eletrobras tende a perder seu papel como instrumento de política energética do governo, com o fim das grandes obras. E acredito por estar prcisando de recursos o governo vai privatizar muitos desses projetos que tem atualmente – disse Nivalde de Castro.

As equipes dos ministérios da Fazenda e do Planejamento já têm em mãos cálculos que apontam que somente a frustração nas receitas por causa da recessão econômica já chega a R$ 115 bilhões. A meta fiscal do governo central em vigor hoje é de um superávit de R$ 24 bilhões. Assim, a frustração nas receitas já faria com que esse número se convertesse num déficit de R$ 91 bilhões. A esse valor teria que ser somada uma perda de R$ 10 bilhões decorrente da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de permitir que 11 estados calculem suas dívidas com a União por juros simples por 60 dias. Agora, a conta pode ter ainda o passivo da Eletrobras.

Jucá informou que o governo vai incluir na proposta de alteração da meta fiscal uma ressalva informando que um eventual passivo da Eletrobras pode aumentar o rombo das contas públicas de 2016. Segundo o ministro, no entanto, o valor ainda não foi quantificado e, por isso, não haverá um número fechado a ser incluído no projeto de lei que está no Congresso para votação.

Também se discute incluir uma frustração de receitas com a recriação da CPMF, que não deve se concretizar este ano, e que daria um reforço de R$ 10,1 bilhões ao caixa. Outra possível frustração viria da repatriação, que pode não resultar nos R$ 35 bilhões esperados este ano.

Os técnicos explicam que o que está sendo avaliado agora é se o governo vai pedir ao Congresso que aprove uma alteração da meta que preveja todas as possíveis frustrações de receitas e despesas potenciais no ano, a fim de dar um sinal realista ao mercado. Segundo Jucá, a votação precisa ocorrer até a próxima semana. É provável que ela ocorra amanhã.

Sem a meta alterada, a equipe econômica terá que fazer um corte de despesas superior a R$ 30 bilhões. Como já foi feito um contingenciamento de R$ 44,6 bilhões este ano, a tesourada chegaria a quase R$ 75 bilhões, levando à paralisação da máquina pública.

 

 

 

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24 respostas

  1. O Clube de Engenharia se manifesta sobre o setor elétrico desde 1989. Repetiu manifestações ao longo dos anos noventa
    do século XX , na primeira década do século XXI e finalmente em 2013 através de Carta Aberta a Presidente Dilma, aprovada por unanimidade pelo Conselho Diretor

    O principal enfoque desde 1989 foi o que , mais tarde, Betinho denominou Empresas Publicas e Cidadãs.

    Valeria a pena de vez em quando imitar o Imperio: Quem sabe o setor elétrico não se transformaria num imenso e aprimorado
    Tennessee Valey Authority (TVA) !!!!!

    Em setembro de 2015 enviei carta interna no Clube , dirigida ao Presidente recém eleito, aos diretores e a Divisão Técnica de Energia, recapitulando todas as manifestações de 1989. Este conjunto está disponível junto a secretaria da Presidencia do Clube.

  2. Roberto e outros companheiros: É assim que a banda toca no Cepel. Nenhum acorde dissonante com a Eletrobrás mesmo que a música seja jazz ou bossa-nova. O Albert e sua direção jamais falarão algo que não concorde completa e absolutamente com os que estão acima hierarquicamente. Ele faz questão de demonstrar em público. Ele foi formado politicamente pela velha escola do PFL, como assessor do Xisto Vieira Filho, lembram? O ministro era o Tourinho. O Cepel pela sua singularidade e como um lugar de produção de conhecimento científico e tecnológico, com um corpo de pesquisadores altamente qualificado bem que poderia exercer um protagonismo importante no setor elétrico, mas a vocação do diretor geral á submissão e subserviência tem esterilizado o Cepel. É um mutismo ensurdecedor.

  3. Primeiramente concordo com o Agamenon que, se fizermos tal documento, ele deveria ter um capítulo especial sobre as empresas, mais especificamente sobre a Eletrobrás, que me parece o caso mais gritante e abrange diversas empresas elétricas.
    Mas…parece, se eu entendi bem a resposta do Roberto, parece que o Ilumina não está concordando com o tal documento.
    A situação agora, Roberto é completamente diferente. Acho que temos obrigação de dizer à sociedade, aos consumidores, qual é o Modelo do Setor Elétrico que queremos. Esse documento não seria dirigido a esse governo provisório, não vale a pena, nem a algum candidato específico às eleições de 2018, mas deveria chegar às mãos do novo governo e ser divulgado para toda a sociedade, para que todos saibam o que pensamos.
    Isso nos dará a possibilidade de conferir se nossa proposta foi aceita ou ignorada. O que NÃO PODEMOS FAZER é calar.
    Luiz Pereira

  4. Companheiros: Um pouco antes dessas definições com relação ao novo modelo do setor elétrico, pelo fato do Cepel sequer ser citado, como eu era o secretário geral da Fisenge, pedi audiência com a Dilma, então ministra de Minas e Energia, para indagar qual o papel reservado ao Cepel. Ela concordou e fui a Brasilia com mais dois pesquisadores do Cepel. Tivemos uma reunião cordial e ela não tinha nenhuma posição em relação ao Cepel. Ela determinou ao Nelson Hubner, seu assessor, ou Secretário de Energia, não me recordo, que fosse criada uma comissão (uma espécie de comissão ad hoc) em 24 horas para definir essa questão. Sai de seu gabinete e fui ao Senado falar com o Delcídio do Amaral, então relator da medida provisória que reformulava o setor elétrico.Teve um lance que naquele momento passou completamente despercebido,mas hoje é relevante. Delcídio chegou a seu gabinete com um indivíduo que nunca tinhamos visto e falou: pessoal vou falar com este cara que é quem manda na casa civil e em 5 minutos recebo vocês. Sabem quem era o indivíduo? O Waldomiro Diniz. O papo com o Delcídio foi agradável e ele afirmou que o Cepel iria ser referido no novo modelo nem que a Dilma não quisesse, pois ele era o ralador da medida. De fato ele cumpriu com o prometido, mas Dilma não. Nunca soubemos o que aconteceu muito menos porque nada aconteceu.
    Com relação ao documento concordo com o Luiz Pereira, mas acho que deveríamos fazer também um documento por empresa, pois um documento geral sobre o setor pode esconder certas especificidades das empresas. Uma outra coisa importante que o Agenor sempre lembrava: A gestão das empresas. O modelo do setor não é uma coisa independente de sua gestão. Não é somente uma estrutura e um certo tipo de funcionalidade e um aparato legal que o rege, mas é posto em movimento pela gestão.

    1. Agamenon;

      Muito interessante o que você relata.
      O que tenho a acrescentar é que o CEPEL (através do seu diretor Leslie e seus técnicos Albert e Elvira) era favorável à alternativa desconhecida. Surpreendentemente, após a morte do Leslie, o CEPEL passou a ser contribuinte direto do MME. Sumiram as discordâncias.
      Só mesmo no Brasil, um centro de pesquisa sustentado pela Eletrobras, participa diretamente de um governo que adota todas as políticas que demoliram a Eletrobras!
      Essa é a gravidade da situação!

  5. Roberto, todos concordamos que o governo Dilma cometeu muitos erros no setor elétrico e para o Grupo Eletrobrás em particular. Mas com um pouco de bom senso podemos admitir que esse governo interino não dá a mínima garantia de que será melhor para o setor energético, já começando pela indicação de um político inexpressivo para o Ministério das Minas e Energia, com nenhuma contribuição, que eu saiba, com os enormes problemas da Petrobrás e Eletrobrás, sem falar na área de mineração.
    Não sabemos o que vai ocorrer nos próximos meses mas parece certo que em 2018, que não está muito distante, teremos eleição para Presidente.
    Penso que o Ilumina pela sua grande contribuição dada ao debate do setor, nos últimos 20 anos, poderia empreender uma ampla discussão, juntamente com outras entidades sérias em outros Estados, que culminasse em formular uma proposta contendo as questões fundamentais para uma reforma da área. Acho que não podemos nos omitir nesse momento, embora experiências anteriores tenham sido frustradas, porque é uma ótima oportunidade para dizer o que pensamos.
    Passaremos da crítica para a formulação de PROPOSTAS.
    Só peço que o debate seja aberto e amplo e não em grupos fechados como já aconteceu. Acho que já temos amadurecimento para tal empreitada.
    Luiz Pereira

    1. Luiz;

      Proposta o Ilumina fez em 2003. Foi apresentada à então ministra de minas e energia numa reunião onde participaram pessoas do CEPEL, Eletrobras, Chesf, Eletrosul, Petrobras e do próprio MME. Alguém sabe que, na ocasião, DUAS propostas foram discutidas? Alguém sabe que a equipe que preparou os estudos se dividiu quanto à solução? As entidades do setor souberam dessa alternativa? Resposta para todas as perguntas: NÃO.
      Sabe qual foi a solução adotada pela ministra? Decidiu de um dia para o outro monocraticamente. A equipe que sugeriu a alternativa que não foi divulgada foi dispensada. Na realidade, já estava tudo decidido. A proposta alternativa que surgiu foi um incomodo logo eliminado.
      Está tudo descrito no livro que escrevi em 2009: Setor Elétrico Brasileiro: Uma aventura mercantil.

  6. Companheiros: Qualquer crítica ao governo Dilma, ou ao PT não pode ser interpretada como avalista de impeachment ou ao golpe. Uma coisa não está necessariamente correlacionada com a outra. Qualquer interpretação neste sentido é maniqueísta e gratuita. O afastamento de Dilma é um espécie de golpe regimental, seguindo o receituário do STF, concedendo “amplo direito de defesa”, exatamente para encobri-lo. Consistiu em ampla articulação das forças conservadoras e parte delas aliadas do governo até ás vésperas do golpe. O erro estratégico e crasso dos chamados governos de coalizão foi buscar governabilidade em quem estava interessado em tirá-la. Dialética perversa e irreversível. Mudando de assunto, mas nem tanto, a contribuição do Ilumina e os artigos do Roberto são essenciais para entendermos como chegamos a esta situação no setor elétrico. Tem tudo a ver com a politica embora existam pessoas que querem separar o técnico do politico. As coisas caminham juntas.

  7. Roberto,
    Concordo com você não existe mídia isenta e que o Ilumina está atuando corretamente ao analisar e comentar tecnicamente os artigos publicados por qualquer mídia.
    Quanto à revista Carta Capital citada pelo Olavo, que não quis divulgar o seu artigo na forma impressa, acrescentamos que a mesma tem com Diretor de Redação o Senhor Mino Carta que na época dos governos militares era Redator Chefe da revista Veja, e em artigo publicado na edição de 04 de fevereiro de 1970 detalhava os bastidores do desmantelamento dos grupos de esquerda e exaltava a Organização Bandeirante (OBAN).
    Vale acrescentar que o Roberto Civita dono da revista só tinha acesso ao conteúdo da mesma na segunda feira após ela ter sido impressa, como dizia o Senhor Paulo Henrique Amorim que além de amigo do Senhor Mino Carta, na época era o seu braço direito na redação da Veja, ver comentário transcrito a seguir.
    “Como é de conhecimento do mundo mineral, quem fez a VEJA, quando podia ser lida, foi o Mino Carta. O Robert(o) lia a Veja na segunda feira, depois de impressa, porque o Mino não deixava ele dar palpite ANTES de a revista rodar.”

  8. Roberto,

    A posição do Ilumina está absolutamente correta na defesa do setor elétrico e na utilização de todas as fontes de informação disponíveis, o absurdo é algumas pessoas quererem desviar a atenção do que está ocorrendo no setor elétrico, quando todo mundo sabe que o FHC bagunçou o setor ao instituir o atual modelo, que Lula em suas promessas de campanha prometeu corrigir e não o fez e que a Dilma jogou a pá de cal sobre o mesmo.

    Os seus comentários são oportunos e corretos.

  9. Agamenon e outros comentaristas:

    Uma coisa é a análise crítica correta do Ilumina ( ou blog do Roberto) sobre o setor Elétrico . Não há o que negar.

    Outra coisa é apoiar o impeachment usando os equívocos da Dilma no setor desde 2003.

    Outra coisa pior é dar preferência às matérias d’ O GLOBO, esquecendo, por exemplo, a CARTA CAPITAL e/ou a grande
    massa de apoios de todos os setores progressistas da sociedade brasileira e do exterior ao governo eleito.

    Pior é usar o facebook pessoal para apoiar o impeachment, assemelhando se à ferocidade fascista integral da advogada da OAB Federal que assinou o encaminhamento o impeachment.

    Outra coisa é sofismar com o uso da palavra “ilegítimo” . O governo dito interino foi produto de uma bem urdida
    conspiração na qual a rede Globo teve papel preponderante.

    O governo interino inclui a extrema direita neo liberal de viés fascista. Ou será que existe alguma dúvida.

    Enfim, sempre a aqueles que passam a se comportar como o pusilânime PPS.

    1. Sr. Olavo:

      Apenas para lhe dar um exemplo de que não existe mídia isenta, há algum tempo a revista Carta Capital me pediu um artigo. Estávamos na época onde ainda a sociedade ainda não tinha percebido os efeitos da MP 579 e escrevi uma paródia da fábula do Lobo e o Cordeiro, onde a Eletrobras era o cordeiro. Quando receberam publicaram apenas no site da revista. Nunca mais me pediram nada. A Carta Capital é simplesmente um departamento do governo. O artigo está no site do Ilumina.

      http://ilumina.org.br/o-lobo-e-a-ovelha-artigo-carta-capital-100414/

      Roberto D’Araujo

  10. Realmente a análise do Ilumina pelo Roberto dá a perfeita dimensão da situação. Em suma:interesses, incompetência ,populismo Ainda houve uma falta de visão do que estava sendo proposto .Lembra da frase de 2003 do entao presidente:No meu governo a Eletrobrás será a Petrobrás do setor elétrico .E foi cumprida a promessa. Nós que não entendemos a sutileza.

  11. Parabéns pela matéria, Roberto. Muito oportuno o comentário do Agamenon.

    Verifiquei que, até às 18:37, a página do Ilumina foi visitada 887 vezes, somente hoje.

    Esse é o reconhecimento do seu trabalho à frente do Ilumina, quase que diariamente tentando explicar nosso complicado setor elétrico, tão maltratado desde os anos 90 por políticas governamentais cada vez irresponsáveis.

  12. Roberto, uma forte pressão da fiesp (ouvi palestras absurdas em S. Paulo) e uma análise simplista que a Eletrobras estava cobrando caro e recebendo renda econômica de investimentos já depreciados (é fato), mas que esquecia todos os enormes prejuízos anuais que a empresa sofria, sem ter direito a reclamar, com a manutenção das distribuidoras, problemas com a CGTE, receita insuficiente para a nuclear, etc, etc, além da entrada em projetos “estruturantes” com “tarifas moderadas” e TIR quase inexistente (quando se olha os verdadeiros valores dos investimentos e clausulas de compra de energia tipo a de Belo Monte) levou a essa criminosa MP579 sem a visão do quadro completo… foi um absurdo total imposto de cima a baixo….

    Enfim, hoje, lendo a soma das diversas notícias sobre a Eletrobras, dá uma grande desanimo, porque se pensarmos um pouco vemos que nem o Tesouro nem a tarifa tem muita margem para recuperar essas perdas e com isso a capacidade de investimentos (e quem sabe de sobrevivência …) da empresa encolheu. Adicionalmente, se nós acompanharmos os inúmeros questionamentos da sociedade brasileira contra as grandes hidrelétricas restantes, com a liquidação do braço estatal, talvez estejamos vendo mesmo o fim de um modelo de expansão do setor.

    E aí fica a pergunta, teremos gás natural (espero que não venha o carvão)? se houver gás será caro? E mesmo que melhor que outras opções vamos sujar um pouco a matriz? E nuclear? assim como as grandes hidrelétricas terá dificuldade de ser aceita? hoje sou um fã e defensor das novas renováveis e acho que quando a questão climática ( do Século XXI…) entra em cena temos que andar fortemente nessa direção, mas mesmo assim serão suficientes?? é interessante observar que o chamado “campo institucional”do setor está se alterando fortemente com inúmeros novos e diversificados atores; tudo isso é bom, traz inovação, mas, será o bastante?? muitas dúvidas que precisam ser enfrentadas com honestidade intelectual. Está na hora de se refletir não apenas sobre o modelo institucional, que certamente requer mudanças, mas também sobre que tipo de suprimento vamos ter no futuro, e como nos anteciparmos a ele, porque se hoje está tudo calmo porque o mercado foi ao chão, se e quando ele se recuperar tudo muda rápido e não podemos ter outro gargalo energético bloqueando o futuro.

    1. Ruderico:

      Aproveito o seu comentário para afirmar que, com grande probabilidade, nunca mais teremos taifas parecidas com os nossos “semelhantes” Canadá e Noruega. Estão se represando diversas contas diferidas para o futuro e que serão acrescidas dessas dívidas que o tesouro assumiu sem ter como pagar. Com certeza nossa tarifa terá um peso de débitos passados significativo. Onde foi despejado parte da compensação dessas dívidas? No mercado livre, onde por distorções da adaptação mercantil feita no Brasil, houve grande transferência de renda do mercado cativo e das hidroelétricas para esse nicho. Veja que não estou condenando os agentes que estão nesse mercado. O defeito não é deles e sim do jogo regular desse mercado. A vantagem é estrutural.
      Quanto à complementação do sistema hidroelétrico, acho que estamos atrasados e sub avaliando o potencial de energia solar distribuida. É preciso lembrar que no nosso sistema o problema ponta e energia pode ser diluído. A água que será economizada na hora da ponta de uma carga “ensolarada” vira reserva de energia. Acho que está faltando uma avaliação do impacto benéfico desse tipo de geração terá sobre o sistema interligado.

      1. Roberto, concordo com seu ponto sobre a GD solar. Entretanto você acha mesmo que isso pega?

        Não digo nem pelo payback para consumidores, já que vi teses de mestrado de outras universidades e aqui mesmo em Juiz de Fora tenho um colega que fez um trabalho exaustivo e chegou em resultados também atrativos (entre 7 e 9 anos de payback para várias capitais, com vida útil de 25).

        Digo pelo fato de a regulação não estabelecer o que fazer diante da sobre-contratação, problema que vemos agora pela redução da demanda. As distribuidoras vão ter prejuízo? Vai repassar pra tarifa? A maioria vai pagar pelos poucos que tem GD em casa?

        Me desculpe se estiver equivocado mas o que enxergo é que se não se estabelecer antes como esta questão será tratada pela regulação, não teremos incentivos suficientes do governo e das próprias distribuidoras para instalar GD em casa e nas empresas, comércios e etc..

        Qual sua visão?

        1. Rodrigo;

          Perfeito o ponto que você levanta. Mais uma questão que estamos atrasados. Mas, veja, os defeitos estão no modelo adotado em 1995 e que foi praticamente mantido em 2004.
          Evidentemente é preciso alterar profundamente o papel das distribuidoras face à geração distribuída. Ela não pode correr o risco de assinar contratos de longo prazo, necessários para garantir a expansão, com o “risco” da geração distribuída, principalmente a solar. Algum outro ente precisa assumir essa responsabilidade. Entretanto, essa não é a única distorção. Veja o caso das usinas cotizadas que repassam o risco hidrológico para as distribuidoras. Que tipo de gestão uma distribuidora pode fazer sobre isso? Vamos continuar leiloando projetos com contratos dos cativos indo o mercado livre de carona?
          O que quis levantar foi o efeito benéfico da GD sobre os sistema interligado.
          Grato pelo comentário.

          1. Entendi seu ponto Roberto. Obrigado pelo esclarecimento pontual.

            O que exatamente eu quis destacar é que acredito que esta mudança na regulação deve vir antes da difusão da GD. Caso contrário, enxergo potenciais problemas nessa questão financeira e sabemos que isso termina por penalizar os consumidores cativos. Como você disse, seria preciso redefinir o papel das distribuidoras.
            Daí quis saber o que você achava quem vem primeiro, o ovo ou a galinha.

            Por outro lado, há tantos outros problemas no setor – como a questão da garantia – que, infelizmente, não vejo próximos estes incentivos à GD como temos notícia que houve na Alemanha e Austrália, por exemplo.

  13. Roberto e outros companheiros do setor elétrico. Houve impeachment da Eletrobrás, mas antes houve o impeachment da inteligência e do bom senso. Essa medida não foi discutida com ninguém e quando ela estava pronta Dilma chamou em Brasília os principais dirigentes do setor elétrico e perguntou se alguém era contra. Ninguém se manifestou. Era assim que a banda tocava. O resultado está ai. Na época eu era representante dos empregados do Cepel no Conselho Deliberativo. Valter Cardeal, presidente do Conselho, ao final de uma reunião pediu a palavra e elogiou entusiasticamente a medida. Eu já ia falar contra de qualquer forma o que fiz logo em seguida e acusei a presidente de autoritarismo por não ter discutido com ninguém nem aceitar opinião contrária. Depois em um texto escrito (que mandei pra você Roberto) comparei a medida ao ataque terrorista de 11 de Setembro e fiz a analogia das torres gêmeas com os dois Laboratórios do Cepel, do Fundão e Adrianópolis. O resultado ai está como você detalhou. Por conta dela (MP 579) e de uma gestão desastrosa na Eletrobrás temos comido e bebido a ração que o diabo amassou. Até agora a PLR está completamente indefinida, completa incerteza sobre o ACT. Quem se responsabiliza por isto? Quem vai responder pela política de terra arrasada? Como sempre os fortes e poderosos repassam o prejuízo para os mais fracos. É o socialismo da miséria e das perdas.

  14. Acreditar em objetivos cândidos, patrióticos e límpidos d’ O GLOBO, transforma o Ilumima ( ou o blog do Roberto) numa entidade
    pouco crível no momento em que o estatuto ( será que ainda vale?) , se obedecido, obrigaria à resistência ao governo ilegítimo.

    1. Prezado;

      Não há tal obrigação no estatuto. Sequer há a palavra ilegítimo! Ao invés de ficar com esse mantra sem sentido de nos acusar de sermos seguidores do Globo, por que não demonstrar com dados, leis, regulamentações e o que mais for necessário, que estamos errados? É muito fácil ficar apontando o dedo sem dar argumentos.

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