Comentário: Em 2013 a metodologia que rege o setor elétrico sofreu uma mudança significativa. O governo escolheu o método CVaR (Conditional Value at Risk) para internalizar a aversão ao risco que era usada pelo operador através de curvas bi-anuais que, quando atingidas, usinas térmicas eram despachadas além do esperado. Esse sistema era uma dissidência entre planejamento e operação que permaneceu intocada por muitos anos, apesar da interdependência e coerência que deveria existir entre essas duas áreas.
Pois bem, em 2013 a metodologia mudou e as curvas de aversão a risco deixaram de ser usadas pelo operador. Supostamente estaria recuperada a desejada coerência. Mas, como se vê pela notícia, o nexo entre a operação e o planejamento teve vida curta. O PLD, que é o preço que determina o despacho térmico, está outra vez desmoralizado. Agora o sistema depende do “olhômetro” dos componentes do CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico).
Só há duas saídas: Ou o PLD está errado ou o CMSE é um grupo que se intromete onde não deveria. Mas, como sempre, a nossa atávica falta de vontade de enfrentar os problemas vai colocar a “barriga” para empurrar. Mais uma inconsistência não vai fazer diferença…
Carolina Medeiros, da Agência CanalEnergia, do Rio de Janeiro, Operação e Manutenção
Mesmo com um Preço de Liquidação das Diferenças mais baixos, as térmicas deverão continuar todas acionadas, segundo o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann. O PLD caiu nesta semana para um valor em torno de R$ 600/MWh, bem abaixo do preço-teto de R$ 822,83/MWh, que vinha sendo praticado.
“Mesmo com o modelo indicando o desligamento das térmicas mais caras, elas deverão continuar ligadas. Essa deve ser a indicação da próxima reunião do CMSE”, declarou Zimmermann, que participou nesta segunda-feira, 2 de junho, de evento promovido pela FGV. Segundo ele, o PLD caiu porque a perspectiva de afluências melhorou, mas as térmicas ainda são necessárias.
No entanto, ele avaliou que o risco de haver qualquer déficit no sistema deverá diminuir, mas que os números oficiais serão conhecidos na reunião do CMSE, que deve acontecer na próxima semana. Quanto a uma possível mudança no cálculo do PLD, Zimmermann negou que haja qualquer estudo do governo nesse sentido. Ele negou ainda que esteja em discussão novos aportes para as distribuidoras devido a exposição involuntária.