Um debate que vale a pena Cristiano (christiano_castro_silva@yahoo.com.br) nos escreveu: Senhores, Demorei um pouco a entender qual o significado das matérias do site, bem como alguns conceitos utilizados, como a falta de dis …

Um debate que vale a pena



Cristiano (christiano_castro_silva@yahoo.com.br) nos escreveu:


Senhores,


Demorei um pouco a entender qual o significado das matérias do site, bem como alguns conceitos utilizados, como a falta de dissociação entre crise energética (em um modelo com 90% da energia gerada por hidrelétricas, quando falta ÁGUA passa a ser possível faltar ENERGIA, sim) e crise de política energética (diversificação de geração, ampliação da capacidade de transmissão, aumento dos investimentos no setor energético), intrinsecamente distintas. É incrível como essa diferença conceitual seja desconhecida ou desconsiderada por profissionais da área e formadores de opinião: vcs me desculpem, mas afirmar que a solução para crise energética é construir mais usinas… Bobagem. Para a CRISE ENERGÉTICA a solução é gerenciar da melhor forma possível os recursos ainda existentes, de modo a impedir que eles se acabem. Mesmo porque uma usina, ou linha de transmissão, não se "materializa", mesmo se houver muita vontade (até vontade política). Precisa de projeto, aprovação de impacto ambiental, aprovação de recursos, aprovação de licitação para a construção… Uma infinidede de processos. Vc podem agora perguntar "e as usinas já em construção?". Essa é ainda mais fácil de responder: falta dinheiro e, quando não falta, o que está sendo feito é o que se poderia fazer. Já para a CRISE DE POLÍTICA ENERGÉTICA, aí sim, deve-se levar em conta a construção de novas usinas, diversificação da planta energética, aumento da capacidade e de alcance das linhas de transmissão, e todas as medidas que vcs propõe como solução para crise energética. Sabem porque essa diferença? Porque a primeria é pontual (ou mais próxima a isso que a segunda) e deve ser resolvida, necessariamente, em pouco tempo, com os recursos disponíveis para isso. A segunda, por sua vez, é algo que transcende gerações e deve ser linha mestra no planejamento.


Outra observação sobre os enfoques do site é a sempre ativa opinião de que se deve manter o status quo. Explico: privatização não é e nunca foi um gerador de desemprego nem de prejuízo ao país. Aliás, está cada vez mais claro que as empresas privatizadas vêm apresentando lucro, coisa que NUNCA ocorreu em épocas de estatais. Só que, claro, privatização, devido à reestruturação inerente, causa transtornos, demissões, etc.. Mas, seguindo a filosofia divulgada por vcs, deve-se manter o sistema desatualizado, dando prejuízo, para que o Estado precise injetar fortunas em currais políticos e cabides de empregos, em empresas ineficientes e corruptas, em nome de uma "estabilidade de empregos", da manutenção da "não submissão" brasileira aos interesses estrangeiros… Absurdo! Nada pode melhorar sem mudança! Os mais pessimistas também vão dizer que não se piora sem mudanças, argumento válido se se desconsiderar que o fato de haver mudança é positivo: a capacidade de mudar significa a possibilidade de correções de rumo. Veja os exemplos de Usiminas, CVRD e Embraer. Não se esqueçam que qualquer empresa privada deve dar lucro, deve ser ágil, deve se adaptar às novas realidades de mercado. Isso significa, em resumo, investir! E o único país do mundo que tem a sociedade contra investimentos é o Brasil, com a idéia de que, a cada centavo investido no país, 2 vão para os "imperialistas"… Por favor, que idéia absurda. Quando uma empresa contrata funcionários, paga salários, impostos, contribuições, etc., correto? Ótimo, qual o mal nisso? A meu ver, nenhum, mesmo qporque não vem junto a imposição de que os funcionários só devam comprar na "lojinha" da empresa, de produtos importados. Se a empresa der prejuízo, aqui ou em seu país de origem, fecha. Ou seja, se uma multinacional se instala aqui, deve dar lucro aqui também. Uma concessionária de serviço público deve readequar a estrutura arcaica da estatal à nova realidade, já que ambas são incompatíveis. Essa transição não ocorre rápida, como um interruptor. É, como já disse, uma transição, que também envolve a adoção de novas políticas e readequação das políticas existenstes. Ou deve-se, realmente, esperar que o governo, pelo fato de ser governo, transcenda o ser humano e passe a saber de imediato de todos os entraves e possíveis problemas que ocorrerão no futuro?


Mais uma observação: até agora, não verifiquei nenhuma sugestão no site… Várias críticas e ironias sobre as medidas tomadas, mas, pelo que pude observar, nenhuma opinião sobre como seguir em frente e resolver problemas. Já que o leite está derramado, ficar chorando e recriminar que derrubou não resolve. É necessário que especialistas e formadores de opinião procurem o debate com as autoridades competentes, não que fiquem organizando folhetins dizendo que o governo é culpado disso, culpado daquilo e assim por diante. Mesmo porque, de nada adianta um especialista omisso. Eu sempre achei que as opiniões políticas fossem manifestações pessoais, mas que, apesar delas, pessoas diferentes, trabalhando pela mesma meta, pudessem cooperar, não ficar criando "governos paralelos" e assumir postura de oposição em dia de posse.


Gostaria de deixar claro que não sou simpatizante de neo-liberalismo, mas não posso deixar de acatar resoluções do governo que está aí por causa disso. Ou as coisas funcionam assim: não votei nele, então não pago CPMF? Antes fosse… Mas aí não se teria governo. Com os erros e com os acertos do governo que está aí, devemos aprender e progredir, não falar que todas as mazelas da vida são por culpa do governo. Não se esqueçam que, apesar de muito imaturo, o Brasil é uma república democrática, ou seja, acata-se, mesmo sem concordar, a opinião da maioria.


Ah, antes que eu esqueça… Entendi completamente o site quando li a piadinha de LISARB, que diz que se o presidente fosse ALUL, tudo seria bom e maravilhoso… Impressionante… Sem comentários…


Atenciosamente,


Christiano.


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