Comentário: O Ilumina festeja que um colunista da importância de Elio dedique um texto para um dos maiores absurdos do setor elétrico e que está na raiz dos nossos problemas.

Complementamos as informações do colunista com aspectos que, evidentemente, não seriam possíveis serem esclarecidos em pouco espaço.
- As decisões do CMSE resultam de uma adaptação matemática repleta de subjetividades e incoerências. Fruto de uma teimosia em mimetizar sistemas completamente distintos do nosso.
- A situação de reservatórios baixos não depende apenas da falta de chuvas, mas sim da gestão que se fez dos reservatórios nos últimos anos.
- Os custos astronômicos resultam também do tipo de usinas térmicas contratadas que não foram imaginadas serem usadas tão intensamente. Evidentemente, um enorme erro de planejamento.
- Infelizmente o prejuízo já ultrapassa os R$ 20 bilhões.
Quem quiser tentar entende a confusão em que nos metemos pode tentar em:
http://ilumina.org.br/as-abstratas-metas-abertas-ou-fechadas/
A complexidade não é culpa nossa.
Vem aí uma nova pedalada, daquelas que passam despercebidas porque são complicadas e tornam-se simples quando aparecem como tungas. Cozinha-se uma pedalada elétrica que se materializará nas contas de luz dos próximos anos. Trata-se de jogar nos consumidores um espeto de R$ 20 bilhões que as empresas geradoras de energia hidrelétrica perderam por terem sido levadas a contratar serviços de usinas térmicas.
No Brasil criou-se um sistema maluco. Um órgão da burocracia do Estado, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), diz às geradoras quanta energia devem oferecer. As empresas não têm assento nesse comitê e só lhes resta obedecer. Se há chuva, há água e tudo vai bem. Se faltam chuvas, elas devem comprar energia mais cara às térmicas. Fazendo isso aumentam seus custos.
As empresas sustentam que compraram energia térmica porque o CMSE obrigou-as a operar numa situação financeiramente insustentável. A brincadeira teria custado uns R$ 20 bilhões. De algum lugar esse dinheiro deverá sair. Diversas geradoras conseguiram liminares na Justiça reconhecendo-lhes o direito de não pagar essa fatura.
Criada a encrenca, o governo e as elétricas poderiam expô-la publicamente, pois alguém terá que micar com pelo menos R$ 20 bilhões. Como ensina o bilionário Warren Buffett, quando você não sabe quem vai micar, procure um espelho. Cozinha-se em Brasília um jabuti para ser incluído na Medida Provisória 675. Ele dará às operadoras o direito de repassar a conta para as tarifas nos próximos anos.
Assim, a conta de luz ficou mais cara porque não choveu. Quando chover, continuará cara porque pedalaram nas contas.
8 respostas
Roberto,
Existe uma grande distancia em saber rodar um programa e entender o objetivo principal do mesmo, suas limitações e aproximações, e rodar um modelo sem levar em conta o seu objetivo, limitações e aproximações, pode levar a resultados fora da realidade.
Bateu-me uma dúvida de vernáculo. Escrevi ” a anos luz” . Racionalizando: se anos luz é espaço, está certo.
Mas se “anos luz” é tempo…… seria “há anos luz”
Consultemos o Cipro Neto !!
Não faço a menor idéia quem opera o Newave ! Grande probalidade de serem engenheiros ou informatas cujas características
estão a anos luz dos nossos colegas do setor nos anos sessenta, setenta e oitenta do século XX.
A ironia do Roberto é pertinente.
Só sugiro o seguinte: Mude a cor da moldura dos seus contra- comentários. Como está lembra anuncio fúnebre.
Não tenho como mudar a cor de moldura. É um formato pré definido.
Prof. Feijó,
Concordo com o seu comentário, só que eu não sei quem é pior se é aquele que cometeu o erro, ou quem sabia da existência do mesmo, prometeu reparar, não o fez e ainda persiste nele agravando a situação.
O que é lamentável é que essas distorções criadas pelo modelo mimetizado era e são de pleno conhecimento dos técnicos do setor. No início do governo Lula, nós avisamos, os avisos foram rejeitados e pessoas afastadas. Entretanto, parte significativa da capacidade técnica permaneceu na equipe e se calou. A argumentação frequente sobre esse silêncio é a fragmentação de responsabilidades do tipo: Não tenho nada com isso! Eu só rodo o NEWAVE!
Feijó , mais uma vez de maneira cristalina, nos recorda o que deve ser recordado e , por ser de conhecimento
histórico do Ilumina, sempre registrado em todas as oprtunidades em que tal registro fosse necessário
Roberto
Só faltou ao importante Colunista Elio Gaspari deixar claro que a responsabilidade pela criação das regras que conduziram à necessidade dessa “pedalada” é do governo FHC, isto é, do PSDB, quando implantou o modelo mercantil no setor elétrico brasileiro, que vaio a ser mantido pelos governos de Lula e Dilma.
Na verdade, deveria ele ter registrado que “pedalada” semelhante já fora instituída logo após o racionamento de 2001/2002 quando, por motivo absolutamente similar ao de agora, através do chamado “Acordão” o governo FHC autorizou repassar aos consumidores o “mico” de R$ 7,2 bilhões, montante este que inclusive foi logo adiantado às empresas por empréstimo do BNDES, cuja liquidação seria feita em três anos, justamente com o produto do específico aumento tarifário autorizado para tal fim.
Ainda poderia acrescentar o outro “mico”, que também veio logo em seguida ao racionamento para os consumidores, com o tal Programa de Geração Emergencial, pelo qual foram “alugadas” térmicas para ficar à disposição do sistema por três anos, cujos valores dos alugueis eram maiores do que o próprio valor das térmicas. O aluguel não incluía a eventual geração que, se houvesse, teria de ser paga por fora. A cobrança na tarifa foi feita por o adicional específico, até a liquidação total dos respectivos alugueis.
É verdade que os governos do PT, ao sustentarem no setor elétrico o dito Modelo Mercantil, tornaram-se cúmplices do absurdo que representa a necessidade de instituição dessas “pedaladas”. Mas não me parece justo debitar este absurdo apenas aos governos do PT, como se eles fossem os únicos pais da criança, como é feito na matéria do Jornalista Elio Gaspari, ao induzir este entendimento com o próprio uso da palavra “pedalada”.
Seria mais justo reconhecer pelo menos que se os governos do PT foram os pais, as mães foram os governos do PSDB.