Aneel aprova reajuste de 70% para receita de 29 hidrelétricas – DCI

Comentário: Mais uma vez os números que enganam. Quem lê a notícia abaixo acha até razoável que uma usina amortizada receba R$ 36/MWh para operação e manutenção. O governo estava precisando de dinheiro para pagar as pedaladas e “meteu a mão” na Receita Anual de Geração das usinas que foram a leilão. O valor subiu para R$ 61/MWh e, sem reagir a absurdos, o consumidor continua achando “razoável” esse preço para uma usina de mais de 30 anos. Estão muito bem pagas, pensarão os complacentes consumidores brasileiros.

  • Na realidade, não é nada disso. Vamos examinar um exemplo, a usina de Furnas, atingida pela MP 579 (lei 12.783/13).
  • Segundo a própria ANEEL, a RAG dessa usina é 97.078.118,38. http://www.aneel.gov.br/aplicacoes/noticias/Output_Noticias.cfm?Identidade=7155&id_area=90
  • Como a Garantia Física é de 598 MW médios, a estimativa de geração é 5.238.480 MWh. Portanto, a receita por MWh é R$ 18,53 (US$ 4,63) e não R$ 36/MWh.
  • Acontece que a RAG inclui encargos de uso e conexão, receita adicional por remuneração de investimentos em melhorias de pequeno e grande porte, investimentos em bens não reversíveis, Taxa de Fiscalização dos Serviços de Energia Elétrica (TFSEE), custos associados aos programas de Pesquisa e Desenvolvimento e Eficiência Energética (P&D/PE E). Nada disso é receita da usina.
  • A nota técnica 385/2012 – SER/SRG/ANEEL é que mostra a verdadeira receita do MWh gerado: R$ 10,76/MWh (US$ 2,69/MWh)
  • Agora, a surpresa: O complexo de Ilha Solteira, que agora é uma usina “chinesa” tem um custo estimado em R$ 1.609.823.042,48. Como ela tem uma garantia física de 1949 MW médios, sua RAG à semelhança de Furnas é R$ 94,28/MWh. Quem quiser pode conferir em: http://www.aneel.gov.br/aplicacoes/noticias/Output_Noticias.cfm?Identidade=8857&

Como já denunciado pelo ILUMINA, a recente regulação do setor elétrico brasileiro conseguiu produzir dois tipos de usinas velhas onde essas duas são apenas exemplos: 

Furnas – 48 anos, Ilha solteira – 38 anos

 

Em termos de amortização, praticamente não há diferenças. O kWh de Furnas não pode ser diferenciado do de Ilha Solteira. Portanto, porque a primeira velhinha recebe quase dez vezes menos do que a segunda?

A razão é simples! O governo estendeu a desigualdade às usinas! Agora há a usina velha pobre e a velha rica.

Atenção: É essencial salientar que a usina velha rica (Ilha Solteira) irá custar caro para o consumidor.

Sob o ponto de vista dos novos proprietários, há um pagamento de aproximadamente R$ 9 bi pela outorga. É uma troca de um valor quase à vista por uma tarifa muito superior à que seria fixada sob o antigo regime de custo do serviço. Esse regime, praticado na maioria dos estados americanos foi desmontado pelo governo Lula que entrou “de cabeça” no mercantilismo.

A usina velha pobre é muito barata para o consumidor e o “administrador” (Furnas) não tem que pagar nada ao governo. Em compensação, se a usina não conseguir gerar a tal garantia física, um certificado desmoralizado, o problema é do consumidor que tem que comprar energia de térmicas.

De qualquer modo o grande perdedor é o consumidor, pois, de um lado, a usina pobre não gera um real sequer para investimentos. Do outro, apesar da tarifa alta, o recurso está sendo capturado pelo tesouro.

Resumindo, nos dois casos, o que está sendo feito é a demolição de auto-financiamento do setor. Mas….o BNDES está ai para isso mesmo.

 


 

DCI 20/01/2016

Thiago Moreno

São Paulo – A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) definiu ontem um reajuste de mais de 70% para o preço da eletricidade vendida por 29 usinas.

O órgão regulador fixou a chamada Receita Anual de Geração (RAG) em R$ 61,02 por megawatt-hora (MWh), já inclusos os tributos, para as hidrelétricas cujos contratos antigos venceram e que foram leiloadas novamente em novembro do ano passado. Antes do processo de troca de mãos, as usinas pagavam, em média, cerca de R$ 36 no regime de cotas, em que o gerador aloca a totalidade da sua geração permitida às distribuidoras e recebe em troca uma remuneração regulada pela Aneel.

De acordo com a agência, o aumento da receita já leva em conta a remuneração do pagamento do bônus de outorga oferecido pelas novas controladoras quando venceram a licitação, em 2015. No ano passado, o leilão das 29 usinas recebeu toda a atenção do setor justamente por causa de uma alteração nas normas que permitiu ao governo federal cobrar R$ 17 bilhões em outorgas dos vencedores, valor que será devolvido gradualmente às empresas por meio das tarifas de energia elétrica.

“A RAG é calculada considerando os valores do Custo da Gestão dos Ativos de Geração (GAG), acrescidos de encargos de uso e conexão, receita adicional por remuneração de investimentos em melhorias de pequeno e grande porte, investimentos em bens não reversíveis, Taxa de Fiscalização dos Serviços de Energia Elétrica (TFSEE), custos associados aos programas de Pesquisa e Desenvolvimento e Eficiência Energética (P&D/PEE)”, informou a Aneel, em nota. Os novos valores valerão entre janeiro e junho deste ano.

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3 respostas

  1. Parece não ter nada a ver com a materia comentada pelo Ilumina.

    Mas tem sim !

    Já afirmei o que segue há algum tempo.: Repito. Faria um bem enorme ao setor, para começar, a EPE se livrar do Tolmasquim e sua idéias.

    Há muitos outros tambem

    1. Para os empregados da EPE também. A gestão da empresa tem sido marcada há anos pela prática de assédio moral com pessoas doentes por causa do autoritarismo de alguns chefes. As avaliações de desempenho são casuísticas e discriminatórias. Quando a EPE foi criada foi instituido um quadro inicial para viabilizá-la e a empresa tentou torná-lo permanente ao arrepio da lei. O SENGE/RJ foi ao MPT e o procurador obrigou a EPE a se adequar a lei. Foi negociado um TAC para reduzir o quadro inicial de 80 para 20 pessoas. É uma gestão desastrosa, os empregados, a grande maioria pesquisadores altamente qualificados são tratados ou melhor destratados de todas as formas e a isatisfação é enorme. Eles querem a saida do Tolmasquim mas temem que algo pior possa vir. Será possivel?

      1. Estou chocada! Cada vez mais as notícias dos desmandos desastrosos deste governo se acumulam. Porque isso não vem a público? Afinal é do interesse de todos cidadãos brasileiros.

        Quanto ao post do Agamenon, conheço gente que sofre exatamente o denunciado. No governo Dilma foi criado um setor, que funciona sob o guarda-chuva do ministério de Minas e Energia, a fim de abrigar uns “companheiros” com diploma. O caso do SENGE/RJ é emblemático!

        Até quando gente???

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