Só o apagão preocupa o govêrno. A ameaça de racionamento continua escondida debaixo do tapete. Governo investe R$ 66 milhões para reduzir risco de blecautes no país São Paulo, …



Só o apagão preocupa o govêrno. A ameaça de racionamento continua escondida debaixo do tapete.



Governo investe R$ 66 milhões para reduzir risco de blecautes no país

São Paulo, 10 – O Ministério de Minas e Energia, em conjunto com a Eletrobrás e o Operador Nacional do Sistema (ONS), está investindo R$ 66 milhões na instalação de aparelhos para tornar mais seguro o sistema elétrico do país e reduzir o risco de blecautes. O programa, batizado de Esquema de Controle de Segurança (ECS) e que deve estar em atividade até o fim do mês, utiliza computadores que monitoram o sistema no caso de um acidente danificar mais de uma linha de transmissão, por exemplo, ocorrência chamada tecnicamente de evento múltiplo. "O sistema está protegido contra eventos simples, como a queda de uma linha de transmissão. Mas no caso de caírem mais linhas não havia proteção", explica Luiz Pilotto, diretor de Pesquisa da Eletrobrás. Pilotto cita como exemplo o blecaute ocorrido em 11 de março do ano passado por causa de um problema na subestação transformadora de Bauru (SP). Um raio teria atingido um transformador da subestação e provocado a queda de cinco linhas de transmissão. "Se já tivéssemos os Controladores Lógicos Programáveis (CLPs), que são os computadores que vão monitorar o sistema, não haveria blecaute em todo o país, mas apenas um apagão restrito à região de Bauru." O blecaute ocorre por causa de desligamentos em cascata do sistema. Pilotto explica que no caso de um acidente, os sistemas que registram a queda de tensão das linhas de transmissão vão se desligando automaticamente para não serem danificados. "Com os CLPs a queda de tensão fica restrita." Ou seja: o problema que causaria um blecaute no país inteiro atingiria poucas cidades. O ministério e a Eletrobrás não admitem, mas especialistas do setor dizem que a preocupação do governo não é com raios, e sim com problemas no sistema de transmissão, que ficam maiores quando o consumo aumenta muito, como nos últimos meses. A versão de que a subestação de Bauru foi atingida por um raio não convenceu especialistas. Para eles, o que ocorreu foi excesso de potência reativa na rede, o que provoca problemas de tensão e derruba linhas de transmissão. Esse especialista explica que o que movimenta as máquinas, acende as lâmpadas e liga aparelhos é a potência ativa. A potência reativa é a que não é utilizada na geração de trabalho e está relacionada com a tensão das linhas. Pilotto, da Eletrobrás, garante que não há problemas com a potência reativa. Contudo, no caso de uma eventual ocorrência deste tipo ele afirma que os CLPs poderiam controlar seus efeitos restringindo o número de áreas afetadas, da mesma forma que ocorreria com a queda de um raio. Uma fonte do setor diz que grande parte das linhas de transmissão do país é muito antiga, o que acaba provocando o aumento da produção de potência reativa e deixando o sistema mais vulnerável a acidentes. Independente do motivo dos blecautes anteriores, essa fonte diz que a introdução do novo sistema é positiva. "Vamos sempre estar sujeitos a problemas e esse sistema mas reduz os efeitos desses possíveis problemas." Fonte: Valor Online (Marcelo Onaga)

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