Venda de todas as geradoras pode não ocorrer este ano
Cláudia Schüffner
Da Agência O GLOBO
O presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio, admitiu ontem que acha difícil vender, ainda este ano, o controle das cinco empresas de geração elétrica incluídas no Programa Nacional de Desestatização (PND). Firmino, que também explicou ontem as razões que levaram a estatal a ter lucro de R$ 1,994 bilhão em 1998, fez questão de ressaltar que a estatal fará todos os esforços para que essas vendas ocorram.
Entretanto, Sampaio ponderou que problemas como o cronograma apertado, somado à possibilidade de haver questionamento judicial contra a privatização, podem atrasar o processo.
– Acho muito difícil a venda de todas as cinco empresas, até por problemas físicos. Seria necessário vender uma empresa por mês no segundo semestre, mas estamos perseguindo este objetivo – disse Firmino, lembrando que existem dificuldades de natureza jurídica que são imponderáveis.
O presidente da Eletrobrás disse ainda que investidores importantes para aumentar a competição no setor, como os canadenses e ademães, ainda não
chegaram ao Brasil. Por isso é que ele acha "factível" a venda ainda este ano "desde que as condições melhorem" ao longo no segundo semestre. Pelo cronograma, somente no final deste mês é que será feita a cisão de Furnas (que será dividida em duas empresas de geração e uma de transmissão), Chesf (dividida em três geradoras e uma transmissora) e Eletronorte (que será cindida em uma empresa de geração e outra de transmissão).
Apenas no dia 28 de maio ocorrerá a cisão das nove empresas resultantes dessa divisão. Daí correrão mais 60 dias para o lançamento do edital de venda das cinco geradoras, cujos leilões estão previstos para 1999. Com isso, restarão apenas cinco meses para que essas estatais sejam leiloadas. Ou seja: seria necessário vender uma por mês.
A União tem 58,4% do capital votante da Eletrobrás e venderá apenas o controle (50,1%). O valor dos ativos no balanço da estatal é de R$ 24 bilhões, mas Firmino Sampaio não fez qualquer previsão sobre quanto o Governo espera arrecadar com a venda desses ativos.