É no mínimo curioso que se conceda reajustes de tarifa quando a "queda de braço" entre a ANEEL e a ABRADEE mostra a hesitação da agência reguladora. É também curioso que tr …



É no mínimo curioso que se conceda reajustes de tarifa quando a "queda de braço" entre a ANEEL e a ABRADEE mostra a hesitação da agência reguladora. É também curioso que transcorridas tantas privatizações, é ainda o govêrno que tenha que fazer obras de salvação do sistema elétrico. Para que era mesmo a privatização?




GLOBO 9/4/99

Ministro defende indenização de consumidores


BRASÍLIA. O ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, afirmou

ontem que as distribuidoras de energia elétrica das regiões Sudeste, Sul e

Centro-Oeste do país são obrigadas a indenizar os consumidores que tiveram

equipamentos danificados por causa do blecaute que ocorreu no dia 11 de

março. Segundo o ministro, para evitar novos blecautes, o Governo federal

determinou obras no sistema elétrico que devem estar concluídas em seis

meses. Até lá, a população está sujeita a blecautes caso aconteçam acidentes

no sistema elétrico.


Ontem, o presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS),

Mário Santos, entregou à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) o

relatório final sobre o acidente que deixou 70 milhões de pessoas em dez

estados, além do Distrito Federal, sem luz. O documento confirma que o

desligamento da rede foi provocado pela queda de um raio, mas o Governo

não sabe se ocorreu em Bauru (SP), ou numa linha de transmissão da estatal.


Para o secretário de Energia de São Paulo, Mauro Arce, a discussão não dá

margem para que as distribuidoras sejam liberadas das indenizações aos

consumidores. Arce disse que os defeitos nos produtos elétricos e eletrônicos

ocorreram quando o fornecimento de luz foi restabelecido. Neste caso

específico, ele avaliou que há responsabilidade das companhias por não

terem controlado a carga de energia que foi repassada aos consumidores.


O blecaute e a privatização do Sistema Eletrobrás foram debatidos ontem na

Câmara dos Deputados. A Associação Brasileira das Distribuidoras de

Energia Elétrica (Abradee) calcula que o ressarcimento poderia implicar em

gastos de R$ 2 milhões. Só os prejuízos no Rio representariam cerca de R$ 700

mil para a Light.


Luz e gasolina mais caras

Roberto Cordeiro

BRASÍLIA


O Governo federal deu início a um novo aumento de tarifas públicas. O

ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, informou que, nos próximos

dias, os preços dos combustíveis poderão ser aumentados em cerca de 7,5%. Já

a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou ontem reajustes

entre 10,79% e 16,25% nas contas dos consumidores de quatro distribuidoras

de energia. Em Minas, os clientes da Cemig vão pagar 16,25% a mais pela luz

elétrica, o índice mais elevado. Já os consumidores da CPFL, empresa que

atende ao interior de São Paulo, tiveram as tarifas reajustadas em 11,23%.

Luciano Pacheco Santos, diretor da Aneel, informou que, por causa da

desvalorização cambial, os percentuais concedidos para essas duas empresas

e as distribuidoras de Mato Grosso (10,79%) e de Mato Grosso do Sul (11,72%)

ficaram acima da inflação, que pelo IGP-M da Fundação Getúlio Vargas foi

de 7,92% nos últimos 12 meses.


Na semana que vem, a Aneel autorizará o aumento das tarifas das

companhias Energipe (Sergipe), Coelce (Ceará), RGE e AES (Rio Grande do

Sul), Cosern (Rio Grande do Norte) e Coelba (Bahia).


– O aumento foi maior por causa da diferença do dólar. Essas empresas são

clientes da Usina Hidrelétrica de Itaipu, cuja energia é cotada pela moeda

americana – disse Pacheco.


O diretor-geral da Aneel, José Mário Abdo, explicou que os reajustes

concedidos para essas empresas ocorreram em função da cláusula dos

contratos que determina a revisão anual das tarifas. Segundo Abdo, a

agência reguladora, antes de autorizar o aumento, analisa os índices de custo

das companhias elétricas. No caso dessas dez distribuidoras, foi

contabilizado também o impacto da energia adquirida de Itaipu.


Na avaliação da Aneel, a tarifa de energia, mesmo com a mudança no

câmbio, ainda se encontra dentro dos padrões internacionais. A decisão da

agência reguladora pode resultar, entretanto, numa pressão das demais

companhias por novos aumentos de tarifas. Segundo Luciano Pacheco, todas

as empresas já enviaram à Aneel pedidos de reajuste, com o argumento de que

os custos aumentaram significativamente com a alta do dólar.


De acordo com os contratos de concessão, essas empresas têm o direito à

revisão, mas a medida tende a ser adiada para o mês que vem. Em fevereiro,

foi fechado um acordo entre a Itaipu Binacional e as clientes da usina

hidrelétrica que fixou o valor do dólar em R$ 1,55 para a aquisição de

energia. Nesse mesmo acordo, ficou determinado que até o fim de abril os

negócios seriam realizados nessa cotação do dólar.


– Pretendemos adiar a revisão para maio. De qualquer modo, num acerto de

contas futuro terá que ser acrescida a diferença do preço da moeda americana

desde a mudança cambial – afirmou.


Nesse caso, as distribuidoras Light e Cerj, que já pediram a revisão das

tarifas, seriam as mais prejudicadas. Isso ocorre porque em novembro (Light)

e em janeiro (Cerj) as tarifas foram reajustadas. Como a Aneel está

empurrando para frente a autorização de repasse desse custo, essas empresas

terão que arcar com a perda de receita em seus balanços. A tarifa da Light

foi aumentada em 3,01% e a da Cerj, em 2,76%.


José Abdo frisou que o reajuste para as distribuidoras de nove estados não é

sinal de que se pretende promover uma revisão em cadeia. O secretário de

Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Cláudio Considera,

disse que os percentuais autorizados vão influir nos índices de inflação.

Categoria

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *