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Nova ministra ofusca nomes da área social
JULIA DUAILIBI (Folha 21/12)
PATRICIA ZORZAN
DA REPORTAGEM LOCAL
O anúncio dos ministros da área social do governo do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, foi ofuscado ontem pela nomeação da petista Dilma Rousseff, 55, para a pasta de Minas e Energia. A indicação de Dilma, definida apenas na noite de quinta, ocorreu depois da implosão do acordo que levaria o PMDB a participar do governo Lula.
Durante cerimônia em hotel em São Paulo, Lula confirmou os nomes do deputado federal Jaques Wagner (PT-BA) para o Trabalho, do senador eleito Cristovam Buarque (PT-DF) para a Educação, do ex-secretário municipal da Saúde de Recife Humberto Costa para a Saúde e do deputado federal Nilmário Miranda (PT-MG) para a Secretaria Nacional de Direitos Humanos, subordinada ao Ministério da Justiça.
Wagner, Costa e Nilmário foram candidatos derrotados a governador pelo PT na Bahia, em Pernambuco e em Minas Gerais, respectivamente. "Vamos radicalizar na política social", disse Lula durante o anúncio.
Ao comunicar a nomeação de Dilma, Lula ressaltou a importância de o Ministério de Minas e Energia ser conduzido por uma mulher, a segunda em alto escalão já anunciada. "Havia quem pensasse que esse ministério era coisa de homem. Vamos provar que pode ser liderado por uma mulher", afirmou o presidente eleito, que já confirmou a senadora Marina Silva no Meio Ambiente.
Os peemedebistas -incluindo o senador eleito Hélio Costa, cotado para o ministério- foram informados da escolha de Dilma para as Minas e Energia assistindo ao pronunciamento do presidente eleito pela televisão.
Lula afirmou que deverá lançar o resto do ministério, que inclui pastas importantes como Planejamento, Integração Nacional, Previdência e Defesa, na próxima segunda-feira, em Brasília.
Sem o acordo com o PMDB, o economista Guido Mantega é o mais cotado para o Planejamento, Ciro Gomes (PPS) volta a ser o nome para a Integração Nacional, o deputado petista Ricardo Berzoini (SP) deve ir para a Previdência, e o embaixador José Viegas, para a Defesa.
O presidente eleito definiu o que procura seguir nas suas escolhas. "Os ministérios têm de ser plurais. Não podem ser uma máquina de uma corrente ou de um partido político. É preciso que a gente coloque no ministério a pluralidade da sociedade brasileira, tendo como critério a competência política, a especialidade na área e o compromisso ético", afirmou.
Lula fez piada sobre as dificuldades em montar sua equipe de governo. "O ideal seria ter 500 ministérios para indicar. Aí não teríamos problemas na escolha."
O presidente eleito comparou a sua situação ao futebol: "Agora vi como sofre um técnico da seleção que tem de escolher só 22 jogadores em meio a tantos outros que são bons".
Ao lembrar a primeira vitória do PT, em 1982, quando o partido fez as suas duas primeiras prefeituras (Diadema, em São Paulo, e Santa Quitéria, no Maranhão), Lula afirmou que era "difícil" montar uma equipe devido ao "pequeno número de companheiros". Hoje, a dificuldade estaria no excesso de nomes.
Bem-humorado, o presidente eleito disse que foi "difícil" convencer o senador eleito pelo Distrito Federal Cristovam Buarque a assumir a Educação. "Há um ditado nos meios políticos que diz que ir para o Senado é melhor do que ir para o céu. Porque, para ir para o céu, você tem de morrer antes."
Dilma Rousseff, futura ministra de Minas e Energia (Globo 21/12)
Dilma Rousseff, indicada para a pasta de Minas e Energia, deixou a Secretaria estadual de Minas e Energia e Comunicação do Rio Grande do Sul, em outubro passado, para compor a equipe de transição do governo Luiz Inácio Lula da Silva.
Dilma, 55 anos, é economista, com doutorado em Teoria Econômica pela Unicamp. Natural de Belo Horizonte (MG). Ocupou a Secretaria Estadual de Energia no período de 93-94, cargo que voltou a ocupar em 1999.
A petista tem afirmado que o grande compromisso do governo Lula é "jamais aceitar que o país passe mais por situações de racionamento", que provocou queda da produção industrial, com impacto maior no Sudeste.
Dilma destaca que existem no país 20 milhões de famílias que não têm acesso aos serviços de iluminação pública e que o país está entrando em uma nova era. Por isso, acredita em um maior desenvolvimento na nação e na diminuição dos índices de desigualdade social. A nova ministra defende que o setor energético brasileiro deve passar por ajustes e observa que o governo federal deverá seguir a política de não privatizar qualquer grande empresa geradora do Brasil, mas tampouco reestatizar empresas privadas.
Físico é cotado para a Eletrobrás
CHICO SANTOS
DA SUCURSAL DO RIO
O físico Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe-UFRJ (Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro), é o nome mais cotado para assumir a presidência da Eletrobrás, holding federal que controla as principais geradoras de energia elétrica do país (Furnas, Chesf e Eletronorte).
Ontem, um membro da assessoria da futura ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff, disse que Pinguelli só não irá para a Eletrobrás se não quiser. Antes da escolha de Rousseff, o físico, que foi coordenador do programa de governo do PT para a área de energia na época da eleição, era cotado para assumir o ministério.
"Eu sinto-me no ministério Lula por intermédio da Dilma", disse ontem Pinguelli à Folha . Ele afirmou que tem uma "cooperação permanente" com a futura ministra e que ela "está maravilhosamente afinada" com o programa que ele coordenou.
Pinguelli disse que não foi chamado para ocupar nenhum cargo no futuro governo, embora já tenha sido sondado para vários postos, de ministro a presidente de estatal. Sobre a possibilidade de vir a comandar a Eletrobrás, afirmou: "Não fui convidado. Se for, aceitarei".
De acordo com amigos de Pinguelli, a ida para Brasília nunca foi sua primeira opção no caso de um convite para integrar o novo governo. Por questões familiares, ele preferiria não sair do Rio de Janeiro, cidade onde estão as sedes da Eletrobrás e de Furnas. Ontem, Pinguelli confirmou essa preferência, mas ressalvou que isso não teve interferência no fato de Rousseff, e não ele, ter sido escolhida para integrar o ministério.
O físico admitiu também a hipótese de permanecer na universidade e não ocupar cargo no governo. "Posso colaborar mantendo minha independência", disse. Com a ida do atual reitor da UFRJ, Carlos Lessa, para a presidência do BNDES, Pinguelli também passou a ser cotado para assumir a reitoria da universidade.
PMDB domina conversas em festa petista
JOSÉ ALBERTO BOMBIG
DA REPORTAGEM LOCAL
Em um de seus últimos compromissos públicos antes do Natal, o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, participou ontem de uma festa com a militância histórica do PT, no Instituto Cidadania, do partido, em São Paulo.
A comemoração de final de ano, que também celebrou a eleição do petista, foi à base de churrasco, maionese, cerveja e uísque. Cerca de 400 pessoas estiveram no local, entre elas os futuros ministros José Dirceu (Casa Civil) e Márcio Thomaz Bastos (Justiça).
Nas rodinhas de bate-papo, o assunto não foi outro senão as articulações com o PMDB. Os jornalistas foram convidados para o evento, sob a condição de não usarem gravadores nem blocos de anotação e de somente reproduzirem diálogos e entrevistas sem que as fontes fossem citadas.
Para os petistas, o PMDB não demonstrou unidade suficiente, o que teria inviabilizado um acordo ministerial. Um petista do primeiro escalão disse que o deputado Michel Temer (PMDB) não teve condições de "bancar" o apoio do partido a Lula no Congresso, o que teria impedido o acordo. "O problema é entre eles", afirmou.
Outro petista importante disse que o PMDB pediu cargos já assegurados aos partidos que apoiaram Lula na campanha e insinuou que a vaga em questão era a prometida a Ciro Gomes (PPS).
Questionado pela Folha , por telefone, o deputado federal Geddel Vieira de Lima, líder do PMDB na Câmara, disse que o PT quer "transformar em assassinato o que foi um suicídio político" e que seu partido tentará criar um bloco de oposição ao governo eleito.
Fora da festa, o presidente do PT, José Genoino, disse que as negociações com os peemedebistas não acabaram, mas que elas devem se restringir aos postos de presidente da Câmara e Senado.
Lula chegou ao local por volta das 19h30. Posou para fotos com os militantes, falou sobre futebol, comeu pão com carne, distribuiu autógrafos e contou piadas.
Um artista plástico o presenteou com um busto seu. "Me sinto em casa aqui", disse Lula. Em seguida, subiu até o segundo andar da casa, um sobrado, pediu cerveja e ficou reunido com os principais nomes do partido presentes.