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A Verdade
Tourinho descarta possibilidade de desabastecimento de energia
Brasília, 5 – O ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, descartou nesta quarta-feira a possibilidade de ocorrer desabastecimento de energia elétrica no país. "Exceto se houver um blecaute", adverte o ministro, lembrando que um acidente pode acontecer em qualquer lugar do mundo.
Segundo ele, a retomada do desenvolvimento econômico e a falta de chuvas ainda não preocupam o governo em relação à oferta de energia elétrica. "O Programa Prioritário Termoelétrico impedirá a falta de energia para a população, daqui para a frente. É programa prioritário que, em três anos, garantirá mais de 15 mil MW de potência, o que é maior que Itaipu, a maior hidrelétrica do mundo", afirmou. De acordo com Tourinho, não haverá descompasso entre a entrada em funcionamento das termoelétricas e o aumento da demanda por energia. Ele não concorda também que os futuros investidores na construção de termoelétricas estejam perdendo o interesse porque está em queda as tarifas de energia para o consumidor. "Não há nada disso. São 49 empresas para esse setor. Não sei se sairão todas, mas mais de 40 certamente vingarão. Algumas delas estão previstas para iniciar sua produção em 2001.
O país precisa, até 2004, crescer 40% de sua capacidade instalada, o que representa algo em torno de 26 mil MW, dos quais 15 mil já estão privatizados ou em processo de viabilização, por meio das hidrelétricas, e os 11 mil restantes é que viriam das termoelétricas", afirmou. Tourinho reuniu-se nesta quarta-feira com o governador Mário Covas para apresentar o programa Luz no Campo. O programa atenderá mais de um milhão de propriedades e domicílios rurais em 27 Estados, com investimentos de cerca de R$ 2,8 bilhões, 75% do total financiado pela Eletrobrás, 15% pelos consumidores e 10% pelas concessionárias.
Até 2002, o déficit de energia na zona rural será zerado em nove Estados e os objetivos principais do programa são, além da universalização da eletricidade, a criação de condições para o desenvolvimento sócio-econômico das regiões atendidas, evitando o êxodo para as metrópoles. O presidente Fernando Henrique Cardoso anunciará nos próximos dias mais R$ 1 bilhão para o programa. Segundo Tourinho, Fernando Henrique anunciará também brevemente um programa de iluminação pública para várias cidades brasileiras, objetivando com isso criar condições para a redução da violência. O Iluminação no Campo é o maior programa de eletrificação rural da América Latina e vai exigir a construção, numa primeira etapa, de uma rede elétrica de 465 km, com potência de 7 mil Mw, fornecendo energia elétrica para 35% do total das escolas rurais do país. Segundo o ministro Tourinho, projetos de infraestrutura como o Luz no Campo só estão sendo viabilizados por conta de recursos vindos das privatizações. "O presidente nos encomendou um dos mais importantes programas de combate à pobreza no Brasil e vamos fazer tudo para antecipar ao máximo a meta do programa Luz no Campo", afirmou Rodolpho Tourinho. O Ministério de Minas e Energia e a Eletrobrás lançarão o programa no Acre e em Rondônia, no próximo dia 12 e no Rio de Janeiro, no dia 18. Fonte: Diário do Grande ABC
Além de esconder a real situação de agravamento do nível de garantia do sistema de reserva energética brasileiro, o ministro acha normal um apagão como o que ocorreu em 11 de março de 99. Raios caem quase todos os dias nas redes de transmissão e nem por isso se justifica o desligamento de quase 2/3 da carga brasileira. O ministro não gosta mas apagão é sinal de deterioração!
O programa de usinas térmicas a gás continua no papel. O govêrno cada vez mais vai garantindo o investimento, eliminando qualquer risco para o investidor e nem por isso se vê as térmicas sendo construídas.
Nem os fabricantes de turbinas a gás do mundo estão levando a sério o sonho térmico do ministro. Se estivessem, as ações dessas empresas já teriam disparado na bolsa de todo o mundo.
Eletrobrás volta a entrar em elétricas
São Paulo, 4 – Para acelerar a privatização, a Eletrobrás voltou a participar do capital de empresas de eletricidade. Negocia a compra de ações da Copel (PR) e Celg (GO). Além disso, adquiriu a Ceam (AM) por R$ 198 milhões. Ficariam fora de seu raio de ação a Celesc (SC), a CEB (Brasília) e a Cemig (MG). A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou que irá transferir 29 hidrelétricas à iniciativa privada, poupando ao governo investimentos de R$ 20,5 bilhões. Fonte: Gazeta Mercantil (Maria Angela Jabur)
Ora vejam só que notícia marota! A Eletrobrás está crescentemente tendo que assumir compromissos de investimentos, garantias de compra, empréstimos subsidiados e outras falcatruas. Entretanto a ANEEL diz que poupará o govêrno de investimentos de R$ 20 bilhões.
A privatização brasileira segue o modelo do Metrô do Rio. Privatiza-se a bilheteria e socializa-se a expansão.
Igualzinho!
ANEEL: Abdo nega preocupação com aumento do consumo
BRASÍLIA, 3 – O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), José Mário Abdo, afirmou há pouco que o aumento da demanda de energia elétrica "não inspira preocupação". Segundo ele, a elevação comprova a retomada do crescimento econômico. Abdo garantiu que o setor elétrico tem condições de suprir a alta do consumo. "Não há perigo de desabastecimento ou dificuldade de atendimento", esclareceu. Em entrevista coletiva, o diretor disse ainda que o Operador Nacional de Sistema Elétrico (ONS) envia diariamente um relatório sobre o consumo no País. Na quinta-feira da semana passada, o sistema interligado de energia elétrica bateu recorde e a demanda máxima de carga atingiu 55.753 megawatts (MW), às 18h29. Fonte: InvestNews (Renata Veríssimo/IG)
Tarifa de energia vai subir 1% a partir desta 5ª
São Paulo, 5 – As tarifas de energia elétrica da Bandeirante e da Elektro, as maiores distribuidoras de São Paulo, serão reajustas em 1%. O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), José Mário Abdo, informou nesta quarta-feira que os técnicos estão analisando o pedido do repasse da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) para os consumidores destas companhias. A agência reguladora autorizou o aumento de um ponto porcentual para as tarifas de sete concessionárias, sendo quatro do Estado de São Paulo (Mococa, CPEE, CSPE e Jaguari). Segundo Abdo, a medida se deve ao fato de a equipe econômica aumentar a alíquota da Cofins de 2% para 3%. "Trata-se de uma questão tributária", explicou Abdo. "Isso não foi criado pela Aneel." Abdo explicou que as 63 distribuidoras têm o direito de repassar o aumento da alíquota da Cofins para os consumidores. Porém, a agência reguladora só autoriza este reajuste mediante justificativa da concessionária. Nos últimos dois meses, a Aneel permitiu que 24 companhias incluíssem o aumento da Cofins na conta de energia dos consumidores. Como os aumentos foram permitidos a partir de abril, caberá as concessionárias absorver os custos referentes ao primeiro trimestre deste ano. Ou seja, a incidência de um ponto porcentual não será retroativa a janeiro. "A Aneel só vai autorizar o repasse para a empresa que enviar o pedido", explicou. "E entrará em vigor na data de publicação da resolução da agência." Redutor – Abdo informou também que os técnicos da Aneel definiram o redutor para as tarifas da Espírito Santo Centrais Elétricas S/A (Escelsa). A distribuidora capixaba deve reajustar as tarifas em 6 de agosto deste ano e, quando for decidido o porcentual de aumento, este redutor será aplicado. Segundo Abdo, caso a empresa não cumpra as metas de universalização, atendimento e qualidade, haverá uma dedução de 1,6% do índice a ser concedido. Como o contrato prevê o repasse do IGP-M apurado pela Fundação Getúlio Vargas, as novas tarifas, quando forem autorizadas, ficarão no máximo 1,6% abaixo do IGP-M. Caso a Escelsa atenda todas as metas, o redutor será de 0,4%. "Este modelo valerá também para a revisão de outros contratos", afirmou Abdo. "Daqui para frente, não teremos o repasse integral do IGP-M." Fonte: Diário do Grande ABC
A que ponto chegamos! O diretor geral da ANEEL acha que comparar a capacidade de ponta do sistema é suficiente. Com certeza pensa que está na Inglaterra, onde existe um parque térmico e mercado que cresce 0% ao ano.
Mesmo que se queira desprezar o aspecto energético do atendimento comparando apenas a capacidade nominal de geração das usinas com a ponta do sistema, um brutal erro de avaliação está sendo cometido: Como os reservatórios estão com nível de armazenamento baixo e tendem a baixar mais ainda ( o período chuvoso terminou) a capacidade de ponta do sistema deverá cair. Na verdade essa grandeza varia duplamente com a altura do nível d’água dos reservatórios. É simples: Varia com a pressão da coluna d’água que é função da altura e também com o rendimento da turbina que também diminui com a altura.
A economia brasileira consumiu em 99 cerca de 300 TWh. Se crescer os 4% que o govêrno trombeteia necessitará pelo menos mais 6% de energia, o que representa 18 TWh. Acrescido das perdas chegaria a 20 TWh. Uma usina de 1000 MW a um fator de capacidade de 60% gera apoximadamente 5 TWh (0,001 x 8760 x 0.6). O ILUMINA pergunta onde estão os 4000 MW novos para esse ano?
Como se vê, qualquer argumentação das autoridades energéticas não resiste a uma prova de terceiro ano de engenharia elétrica.
Em compensação, quando se trata de contas financeiras, o govêrno não comete enganos. Rapidamente repassa aos consumidores mais um arresto fiscal do govêrno. Parabéns!